quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

LIVROS DE CIÊNCIA PARA O SAPATINHO



Há nos escaparates bons livros de ciência saídos recentemente mas, tirando um caso ou outro, dificilmente encontram local nos sítios de maior visibilidade, que mostram os livros do costume. Apresento aqui dez livros de ciência em português, que são óptimas prendas de Natal. Ao contrário por exemplo de  uma garrafa de vinho, um livro é um presente com futuro. A ordem é alfabética do apelido do autor:


1- António Damásio, A Estranha Ordem das Coisas. A vida, os sentimentos e as culturas humanas, Temas e Debates e Círculo de Leitores, Novembro de 2017

O próprio autor, neurocientista de prestígio internacional, veio a Lisboa apresentar a Lisboa na escola dos Olivais que ostenta o sue nome.  Mais um grande livro de um grande autor português, emigrado nos Estados Umidos, que nos faz reflectir sobre as relações entre a mente e o corpo. É assaz sedutora a forma como Damásio mistura a ciência com a filosofia.


2- Yuval Noah Harari, Homo Deus. História Breve do Amanhã, Elsinore, Abril de 2017.

Este livro é um best-seller em muitos países do m mundo. Para os jornais britânicos Guardian e Evening Standard foi o livro do ano. O historiador israelita, depois do grande sucesso que foi Homo sapiens, faz uma incursão sobre um futuro que pode não ser humano, se as máquinas tomarem conta de tudo. Será que o fim do ser humano está à vista?



3- Museu Calouste Gulbenkian, Do outro lado do espelho,  Outubro de 2017

Belo catálogo da exposição sobre espelhos, sob a curadoria de Rosa Figueiredo,  que estará de portas abertas até Fevereiro de 2018 na Galeria Principal da Fundação Gulbenkian em Lisboa. Sendo uma exposição sobre arte, o tema unificador é o espelho, um instrumento da óptica. Inclui peças do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e um dos textos, precisamente sobre a matemática dos espelhos, é do historiador de ciência Henrique Leitão.



4- António Piedade, Íris Científica 4, Edição do autor, Novembro 2017

Colectânea de textos publicados na imprensa por um conhecido bioquímico e divulgador de ciência de Coimbra, que coordena um projeto Ciência Viva na Imprensa Regional. Um olhar inteligente, por vezes poético (o autor lançou recentemente o seu primeiro livro de versos, Fonte de Coretos, em edição de autor como esta), convida-nos a entrar na ciência através de crónicas.



5- Natália Bebiano da Providência, Luís de Albuquerque. Um cientista português, Gradiva, Outubro de 2017

A autora, professora de Matemática da Universidade de Coimbra e de certo modo discípula do matemático daquela Universidade e historiador que foi Luís Albuquerque, escreveu uma biografia ilustrada do grande mestre, que teria feito 100 anos em 2017 se não tivesse morrido com 76 anos após ter publicado extensa obra, designadamente sobre história da náutica..

6- Martin Rees, Para o Infinito. Horizontes da Ciência, Gradiva, 2.ª edição, Novembro de 2017

O astrónomo real da Grã-Bretanha e ex presidente da Royal Society, que esteve recentemente entre nós,  apresenta-nos os principais desafios da ciência, em quatro palestras populares que preparou para os microfones da BBC. Traz-nos matéria para pensar neste tempo em que  a ciência está ameaçada por perigos vários, que incluem  Trump e o Brexit. A edição tem a colaboração da Fundação Francisco Manuel dos Santos..


7- Oliver Sacks, O Rio da Consciência, Relógio de Água, Outubro de 2017

Esta é o último livro do médico americano que faleceu em 2015 que é o autor de O homem que confundiu a mulher com um chapéu. Textos muito bem escritos que saíram, pelo menos alguns, na insubstituível The New York Review of Books.



8- Neil de Grasse Tyson. Astrofísica para gente com pressa. Uma viagem rápida e iluminante ao cosmos, Gradiva, , Julho de 2017

Aquele que é hoje o maior divulgado  de ciência nos Estados Unidos, legítimo herdeiro de Carl Sagan,  apresenta-nos neste livro da colecção Ciência Aberta uma breve introdução dos grandes problemas da cosmologia actual: do Big Bang aos buracos negros, da matéria negra  à energia escura.

9- A.J. Barros Veloso (coord), Médicos e Sociedade. Para uma história da medicina em Portugal no século XX, By the Book, Outubro 2017

Um médico e historiador de ciência coordenou um volume escrito a muitas mãos que faz a história da medicina em Portugal no século XX em 862 páginas, num volume muito bem produzido pela editora By the Book..Imperdível para médicos e não só.


10- David Wootton, A Invenção da Ciência. Nova história da Revolução Científica,   Temas e Debates, e Círculo de Leitores, Setembro de 23017

Este é um dos  extraordinários livros do ano em Portugal. Um historiador britânico traz-nos  num espesso volume (823 páginas) uma síntese magistral sobre a Revolução Científica: Copérnico, Vesálio, Tycho Brahe, Kepler, Galileu, Harvey, Newton e vários outros grandes nomes dos séculos XVI e XVII são aqui colocados em contexto. Imprescindível para quem se interesse por ciência ou por história.

Para além deste não posso deixar de recomendar o livro que Davoid Marçal que escreveu comigo, acabado de sair na Gradiva, A Ciência e os seus Inimigos, e a colecção exclusiva do Círculo de Leitores que José Eduardo Franco coordena comigo, Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa, das quais já saíram o primeiro tratado de física e o primeiro livro de engenharia.

4 comentários:

  1. Quando compro, ou me oferecem, livros de de divulgação científica sobre temas atuais, geralmente, não sinto muito prazer com a sua leitura, mesmo nos casos em que os consigo ler do princípio ao fim. Convém esclarecer que escolho quase sempre livros de física, que não são dos mais fáceis de ler porque, mesmo nas matérias clássicas, divulgam ideias excêntricas como a de que uma pena branca de pato, que se deixa cair para o chão, tem uma aceleração igual à de um piano de cauda, também em queda livre, ou a de que para explicar o funcionamento de uma centrifugadora, que separa materiais de diferentes densidades, podemos dispensar a famosa força centrífuga, pelo menos na abordagem considerada pedagogicamente mais adequada!
    Quanto à lista proposta, muito provavelmente vou comprar "Astrofísica para gente com pressa. Uma viagem rápida e iluminante ao cosmos", de Neil Tyson, sabendo de antemão que a minha pescaria nesse mar cósmico de divulgação não será abundante, mas pode ser que o estilo seja rápido e luminoso, passe a redundância, de maneira a que não se perca tudo!...

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  2. Estimado senhor Anónimo de 21 de dezembro,
    Eu, imbuído de espirito natalício, aconselhá-lo-ia a escolher "Para o Infinito", de Martin Rees, porque, ao fim e ao cabo, somos europeus, ou não somos europeus?! Neil Tyson pode ser o maior divulgador de ciência dos Estados Unidos da América, mas já que a formidável formação científica de ambos os autores está acima de qualquer suspeita, eu acho que, por uma questão de solidariedade continental, devemos optar pelo inglês. Deixe-me lembra-lhe que a Aliança Luso-Britânica é a mais antiga da Europa e para os lusitanos os velhos amigos são como o vinho do Porto, inventado, vendido e também bebido pelos britânicos de há trezentos anos para cá. O Trump também é americano e não liga nenhuma à Ciência. Enquanto os europeus vão perdendo dinheiro e prestígio, atolando-se em controvérsias filosófico-existenciais sobre ciência, religião e tudo mais, os políticos americanos seguem ordeiramente atrás dos pastores evangélicos rumo a Jerusalém, no sentido celeste e terrestre, carregados de armas e bagagens!

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  3. Sr. anónimo de 23 de dezembro, escreveu um belo comentário, inteligente q.b. para poder chamar "americano" a um individuo cuja nacionalidade é estadunidense. Americanos são todos os naturais do continente América. Toda a gente sabe isso, não insista no erro.

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  4. "Íris Científica 4" não está à venda em livrarias. Os interessados poderão obter um exemplar solicitando-o através do email apiedade@ci.uc.pt

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