quarta-feira, 30 de novembro de 2016

TETLOCK SOBRE O FUTURO


Recomendo vivamente a entrevista do psicólogo social canadiano Philip Tetlock ao Público sobre a previsão do futuro: ler aqui. Já aqui publiquei o início do seu livro "Superprevisões" (Gradiva), traduzido por José Santucci com revisão científica minha.

AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS SÃO REAIS

Trailer de um documentário "In this Climate" publicado no "The Guardian" de um filme a apresentar em Janeiro no World Economic Forum. Algumas figuras públicas pronunciam-se sem dúvidas. Ver aqui.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Rómulo: uma ponte entre a universidade e o mundo

Fez a 24 de Novembro passado 8 anos o Rómulo - Centro Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, aniversário que foi comemorado com uma exposição sobre livros de ciência em português e um debate sobre ciência e religião com o padre e escritor Tolentino de Mendonça e o físico e escritor Nuno Camarneiro.

A Universidade de Coimbra deu o seu site esta notícia: aqui.

LANÇAMENTO DO GPS NO CIÊNCIA VIVA

"EMAGRECIMENTO CURRICULAR": GOVERNO AFASTOU SOCIEDADES CIENTÍFICAS

Já aqui falei da tentativa em curso por parte do ministro Tiago Rodrigues de "emagrecer" os currículos sem ouvir as sociedades científicas. O anterior presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática - SPM acaba de publicar no "Público" on-line artigo que aqui transcrevo de modo a ampliar a sua difusão (claro que concordo com o essencial do conteúdo):


Alterações curriculares: debate honesto ou vitória na secretaria?


Alterações curriculares são assuntos sérios. Devem, portanto, assentar em pressupostos claramente explicitados de modo a que possam ser confrontados com os necessários contraditórios, debates e auscultações.

O atual Ministério da Educação (ME), e mais concretamente o atual Secretário de Estado da Educação (SEE), Doutor João Costa, tomou como uma das suas bandeiras a necessidade de uma “flexibilização curricular sem alterar programas e metas”.

Esta convicção do SEE de que algo tinha de ser feito sobre os currículos de Matemática esteve na origem de duas reuniões, nos passados dias 2 de março e 6 de abril, nas quais a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) foi convidada a integrar dois grupos de trabalho sobre os programas de Matemática dos ensinos Básico e Secundário, os quais integravam também elementos da Associação de Professores de Matemática (APM), do ME, e professores convidados pelo ME e não filiados em qualquer das organizações. O objetivo seria o de responder às dúvidas e aos problemas reportados por professores ao ME e fazer propostas de gestão e flexibilização curricular que, sem alterar os programas nem as metas curriculares (pois, segundo o próprio SEE, não faria sequer sentido fazê-lo antes de os mesmos completarem um ciclo de funcionamento e consequente avaliação), facilitassem a sua implementação nesta fase de transição.

O resultado do intenso trabalho desenvolvido por estes grupos entre abril e final de julho passado foi divulgado publicamente pelo ME a 24 de agosto. Foi o que se poderia esperar de uma discussão intelectualmente honesta balizada por pressupostos claros: os atuais programas e metas foram mantidos sem alterações significativas mas foram feitas muitas sugestões práticas que permitiram dar resposta às naturais dificuldades sentidas por alguns professores nesta fase de implementação.

Mas, aparentemente, tal resultado, fruto de um debate duro mas honesto, não agradou ao SEE e, pelas declarações públicas oportunamente divulgadas, também não foi bem acolhido pela Direção da APM e, por algumas pessoas ligada às Ciências da Educação. Solução? Continuar o “debate” mas noutro formato.

No mais recente esforço de ``gestão curricular’’ promovido pelo ME o SEE decidiu não convocar as sociedades científicas mas apenas as associações de professores. A justificação foi que (supostamente) não se trataria de alterar programas e metas mas “apenas” geri-los. Isto apesar do SEE ter revelado que o trabalho tem como objetivo "emagrecer" os curricula e que o seu resultado começará a ser aplicado em 2017/18 nos anos iniciais do Ensino Básico (1.º, 5.º e 7.º). João Costa confirmou também que a revisão do currículo no secundário está dependente da conclusão do trabalho sobre o perfil do estudante à saída do 12.º ano que está a ser elaborado por um grupo presidido por Guilherme d’Oliveira Martins. As contradições do discurso prosseguem, tendo o próprio SEE afirmado que o resultado poderá significar um corte de até 25% da matéria lecionada. Ora “emagrecer” currículos é, efetivamente, modificá-los. Em Matemática este emagrecimento, por pequeno que seja, pode resultar em modificações profundas se se pretender preservar a consistência lógica e pedagógica do resultado final.

A exclusão das sociedades científicas deste diálogo é absurda: não só o ensino de uma Ciência é assunto de óbvia relevância para a Ciência em causa, como não é concebível uma reflexão séria sobre o ensino de uma Ciência excluindo deliberadamente aqueles que simultaneamente a ensinam, a investigam, a aplicam profissionalmente e têm dela uma visão de conjunto. O argumento é caricato no caso da Matemática, onde praticamente 100% dos sócios da SPM são, de facto, professores da disciplina nos vários níveis de ensino. Mas também o é no caso da Física e da Química, onde, não havendo associações de professores, não seria ouvido ninguém. Por fim, muito recentemente, após algumas notícias na comunicação social e alguma contestação pública, a Direção Geral de Educação convocou as sociedades de Física e de Química, e o SEE agendou uma reunião com a de Filosofia (disciplina que também tem uma associação de professores). Mas não ainda com a SPM…

De uma coisa não é possível duvidar: o SEE é inteligente e percebeu perfeitamente que ao incluir a SPM numa discussão séria, sem sound bites, sobre a Matemática e o seu ensino e sobre os programas e as metas curriculares de Matemática dos ensinos Básico e Secundário, estaria a correr o sério risco de repetir o que aconteceu em abril passado e ter como resultado algo que não se compaginava com o objetivo que, a priori, deverá ter delineado. Solução simples para este difícil problema: eliminar do diálogo a SPM.

Futebolisticamente falando, é ganhar na secretaria!

Fernando Pestana da Costa


(Professor da Universidade Aberta, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da SPM)

GRANDE PRÉMIO CIÊNCIA VIVA PARA SOBRINHO SIMÕES


Foi há poucos dias, no decorrer da Semana Nacional da Cultura Científica, anunciado que o júri do Prémio Ciência Viva decidiu atribuir o Grande Prémio deste ano a Manuel Sobrinho Simões, e professor e investigador da Universidade do Porto, médico patologista especialista em cancro da tiróide, que foi Prémio Pessoa em 2010 e que foi considerado em 2015 pelos seus pares, na revista britânica "The Patologist",  "o patologista mais influente do mundo".

O prémio agora atribuído possui um enorme prestígio, até por ter sido atribuído no primeiro ano a Guilherme Valente, o editor da Gradiva e criador da colecção "Ciência Aberta" e depois ao geólogo e incansável divulgador das ciências da Terra  Galopim de Carvalho.

Sobrinho Simões, além de grande cientista, um cientista que formou uma escola que cresceu a olhos vistos, agregando jovens muito activos e criativos, tem sido um extraordinário defensor da ciência. Foi, em particular, uma voz muito lúcida e corajosa durante o ataque à ciência quer foi perpetrado no ministério de Nuno Crato. Nunca teve nunca papas na língua, apesar de aquele ataque ter sido realizado por alguns  seus colegas de profissão, médicos como ele. Desmascarou a pseudo-ideia de "excelência" que o governo quis, felizmente sem sucesso, fazer passar. Tem tido, no espaço público, um grande papel como comunicador sobre esse flagelo do mundo moderno que é o cancro. Veja-se o seu livro "O Cancro" publicado em 2014 na colecção de ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Apesar de ter escritos vários artigos para o público em geral e de ter dado inúmeras entrevistas, fica a saber a pouco o livro que publicou intitulado  "Gene, célula, ciência, homem" (Verbo, 2010), que constitui um concatenação de algumas das suas intervenções. Distingui este excelente livro na escolha que recentemente fiz para uma exposição na Universidade de Coimbra "20 anos, 20 livros de ciência para todos". Agora que Sobrinho Simões está a atingir a idade da jubilação, será a altura de ele nos brindar com a sua prosa em livros que permitirão decerto levar mais longe, no espaço e no tempo, uma das mentes mais brilhantes da sua geração.

Este é um prémio que honra  quem o recebe e quem o dá. Não tendo podido estar presente na cerimónia da sua entrega, aplaudo com as duas mãos.

A CIÊNCIA DAS PREVISÕES



Palestra sobre "Ciência das Previsões" do Prof. Philip Tetlock na Reitoria da Universidade de Lisboa, organizada pela Fumdação Francisco Manuel dos Santos a 23 de Novembro último.

PORQUE MELHORARAM OS RESULTADOS DOS ALUNOS PORTUGUESES?



No dia em que foi anunciada a melhoria de resultados dos alunos portugueses no TIMMS relembro o debate recente sobre a melhoria dos resultados PISA organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Em breve (4 de Dezembro) vão ser anunciados novos resultados do PISA.

EXPOSIÇÃO "20 ANOS - 20 LIVROS DE CIÊNCIA PARA TODOS" EM COIMBRA



HISTÓRIA DOS JESUÍTAS EM COIMBRA


O livro meu e do José Eduardo Franco, publicado pelos CTT, vai ser apresentado no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (que ocupa o lugar que foi de um Colégio jesuíta) a 15 de Dezembro. O Miguel Real publicou uma recensão do livro no último "Jornal das Letras".

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

"SILENCE", O NOVO FILME DE MARTIN SCORSESE SOBRE OS JESUÍTAS PORTUGESES NO JAPÃO

A BIBLIOTECA DUM ORNITOLOGISTA: João Alves dos Reis Júnior na BPMP


Post recebido de Adriano Silva, da Biblioteca Pública Municipal do Porto (com os agradecimentos a Eduardo Martinho pela melhoria da imagem):

 João Alves dos Reis Júnior terá sido conservador do Museu de Zoologia da Universidade do Porto de 1918 a 28 de junho de 1934 (notícia da sua aposentação no “Jornal de Notícias” do dia seguinte). Anteriormente, de 1897 a 1918, era funcionário da Estação Aquícola do Rio Ave, em Vila do Conde, onde colheu muitos elementos sobre as aves migradoras na foz do Rio Ave.

 Poucos anos depois (em 1939) a sua biblioteca particular entrou na Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP), tendo sido catalogada por Abílio de Carvalho em 2016. As bibliotecas são como impressões digitais dos seus donos: livros de Biologia em geral, Ornitologia em particular e alguns de Literatura. Quanto à Biologia, os três nomes mais frequentes na sua biblioteca são do Porto: 26 registos do médico do Porto e etnógrafo J. A. Pires de Lima; 25 títulos do também médico do Porto e antropólogo A. A. Mendes Correia; 19 de Augusto Nobre, zoólogo e irmão do poeta António Nobre.

Seguem-se outros, quase todos estrangeiros: o ornitólogo Henri Jouard (12 títulos); o zoólogos F.H. Van Den Brink e Louis Bureau (11); o ornitólogo Ulrich A. Corti, o entomologista J.H. Fabre e o especialista em mamíferos A. Menegaux (10); etc., incluindo o entomologista José Maximiniano Correia de Barros e o biólogo José Vicente Barbosa du Bucage (não confundir com o poeta Manuel Maria), ambos com 7 títulos, e o famoso Charles Darwin, com 5 títulos, em francês. Quanto à Literatura, Reis Júnior tinha sobretudo autores portugueses: 12 títulos do tripeiro conhecido pelos romances históricos Arnaldo Gama, 11 títulos de Guerra Junqueiro, 7 títulos de Henrique Lopes de Mendonça, 4 títulos de Almeida Garrett, Júlio Verne e Rocha Martins, 3 de Alberto Pimentel, Alexandre Herculano, Francisco Lopes de Macedo, Ramalho Ortigão, Rudyard Kipling, etc.

Do próprio João Alves Reis Júnior, temos o catálogo “Aves de Portugal” (1927-1935), em muitos volumes, o “Catálogo sistemático e analítico das aves de Portugal” (1931-1933) e “Peixes novos para a fauna de Portugal” (1924).

Em tempos de crise (como agora…), a sua obra foi publicada ou subsidiada pela Junta da Educação Nacional, com interferência do professor J. A. Pires de Lima (o primeiro autor da sua biblioteca, como vimos anteriormente).

 E muito mais se podia concluir da sua biblioteca, mas o leitor pode chegar às suas conclusões no catálogo online da BPMP (disponível em http:\\bibliotecas.cm-porto.pt) quer por JAR2016 quer, evidentemente, pelo nome do João Alves dos Reis Júnior. E não serão as nossas bibliotecas particulares todas a nossa imagem?

 Adriano Silva (BPMP)

domingo, 27 de novembro de 2016

"ADMIRÁVEL MUNDO NOVO EM REDE"

Novo documentário de Walter Herzog:


ONDE ESTÃO E O QUE FAZEM OS CIENTISTAS PORTUGUESES LÁ FORA?


Meu artigo no "Sol" de ontem:

A ciência foi internacional desde o seu início. Em 1609 Galileu olhou para o céu pela primeira vez com a ajuda de um telescópio, tendo feito descobertas sensacionais: montanhas na Lua, manchas no Sol e satélites de Júpiter. Galileu convidou todos a espreitar pelo óculo, partilhando assim as suas descobertas. Em 1613 já existiam telescópios no Japão, levados até lá por missionários portugueses ou estrangeiros que passavam por Portugal, pois Lisboa era o único porto de partida para o Extremo Oriente. Foi um jesuíta português, Luís Almeida, que levou a medicina ocidental no país do Sol Nascente, ao fundar um hospital na cidade de Oita. Na história da ciência mundial, Portugal desempenhou um papel essencial ao levar a ciência, recém-nascida na Europa, a pontos remotos do globo. Se hoje o Japão, a China, a Coreia do Sul são potências mundiais, numa economia baseada na ciência, é bom lembrar que a ciência foi lá semeada a partir daqui.

Nas últimas duas desenas de anos a ciência cresceu entre nós para atingir uma dimensão e uma qualidade nunca vista. Houve uma expansão enorme de novos doutores e de novos artigos científicos. Sendo a ciência global, não admira que muitos cientistas portugueses se tenham espalhado pelo planeta. O seu talento permitiu-lhes encontrar oportunidades em inúmeras instituições internacionais. Se é verdade que o país era pequeno para eles, não é menos certo que o país não soube aproveitar da melhor maneira a sua indiscutível criatividade. Sendo hoje o conhecimento a riqueza das nações, Portugal poderá ser mais rico se conseguir recolher os frutos da qualificação que proporcionou a uma geração na flor da idade.

Mas onde estão hoje os cientistas portugueses? Até agora não se sabia. Dizia-se simplesmente que havia muitos e que estavam em muitos sítios, alguns há muito tempo. Agora há o GPS – sigla de “Global Portuguese Scientists”, um portal da Internet, criado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos com a Ciência Viva, a Universidade de Aveiro e a Altice Labs, em colaboração com as associações de graduados portugueses no estrangeiro, que recenseia os cientistas portugueses no mundo, colocando uma bandeirinha no mapa do Google nos sítios onde trabalham. E, olhando para o mapa – o leitor clique gps.pt - veja como o mapa está salpicado de marcas, bem mais de mil. O maior número está no Reino Unido, nos Estados Unidos, na Alemanha e na França. Mas, focando o olhar sobre o Extremo Oriente, encontramos cientistas portugueses no Japão, na China e na Coreia do Sul. Os registos estão a crescer à medida que o conhecimento do GPS se vai espalhando. Por exemplo, a Ana Veríssimo, já se registou: está na Universidade de Saga, no Japão, perto de Nagasaki, onde os primeiros missionários chegaram, a trabalhar em bioimpressão 3D de vasos sanguíneos artificiais para utilizações clínicas. Eu não sabia e com um simples clique no GPS fiquei a saber. E fiquei a saber também que a Ana, que eu não conheço de lado nenhum a não ser do GPS, é da Tocha, Cantanhede, e que antes de emigrar para o Japão esteve nas Universidades de Birmingham e Leicester, no Reino Unido. Ela está longe, muito longe, mas a partir de agora qualquer cientista, ou qualquer interessado na ciência, em Portugal ou noutro sítio saberá onde a encontrar.

O futuro do país só pode ter por base o conhecimento, o conhecimento que é diariamente acrescentado pelos cientistas espalhados pelo mundo, o conhecimento de que são exemplo as novas técnicas de impressão de vasos sanguíneos. O novo GPS diz-nos como encontrar o rumo. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sexta às 9 sobre precariedade das bolsas e falsas bolsas de investigação


Abundam os casos de falsas bolsas, de bolseiros contratados para fazer tudo e mais umas botas (jardinagem, cobrança de propinas, etc). A precariedade é total, não havendo subsidio de desemprego, com os bolseiros fora do regime geral de segurança social e da legislação do trabalho. Uma situação de fragilidade que se presta a todo o tipo de abusos. Os atrasos crónicos nos concursos de bolsas aliados ao draconiano regime de exclusividade, resultam em situações de vidas suspensas enquanto esperam pelos resultados. 

A reportagem desta sexta-feira do programa Sexta às 9 da RTP é um excelente retrato sobre o abuso das bolsas de investigação em que estão viciadas as instituições portugueses. É preocupante o número de bolseiros e candidatos que falam de cara tapada e voz distorcida, com medo de represálias, da FCT ou das instituições em que exercem funções.

Sexta às 9 (V) - Episódio 35 - RTP Play - RTP

O mercado de trabalho ao serviço das sociedades e não o contrário

"Este é o único espaço económico em que os banqueiros, o banco central decide o tipo de política que devemos seguir. E em nome da Europa aceitamos isto (...). Sou contra os que lutam contra a Europa. Creio que a Europa é uma aposta magnífica. Precisamos de um bloco europeu neste mundo de blocos. Mas precisamos que esteja ao serviço das sociedades não que coloque as sociedades ao serviço do mercado de trabalho mas o mercado de trabalho ao serviço das sociedades. Precisamos de um programa político com representantes do estados-nações que decidam as grandes orientações. Agora ninguém decide. Decidem os tecnocratas de Bruxelas e os banqueiros."
As palavras acima ditas, em entrevista à jornalista Catarina Santos, são de um filósofo franco-argelino, Sami Naïr, que se dedica ao estudo das políticas europeias e das suas consequências na sociedade.

São palavras que se aplicam inteiramente ao sector da sociedade que é a educação escolar. Na verdade, há muito que os políticos, que deviam ter a última palavra nesta matéria, se limitam a legitimar o que os "tecnocratas e os banqueiros" entendem que deve ser a escola e, de modo mais concreto, o seu currículo: um instrumento ao seu serviço.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O GPS (ou como falar de ciência com quem não percebe nada dela)

Foi hoje publicado um artigo muito bem escrito da Marta Leite Ferreira, no Observador, que parte do GPS mas fala de muitas outras coisas. Deixo aqui duas infografias com dados da rede GPS, que fazem parte do artigo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

2:57 | video de apresentação da rede GPS

Até ver, Manuel Heitor não é melhor do que Crato

Artigo de opinião de Daniel Oliveira no Expresso:

Se há áreas onde se sente uma vontade reformista (sim, as reformas não passam obrigatoriamente por destruir os serviços públicos) neste governo, como na educação, outras não só não mudaram quase nada do que herdaram como até pioraram o que de mal tinha sido feito. Um exemplo disso é o da Ciência e Tecnologia. Podia dizer-se que Manuel Heitor herdou bom trabalho feito e, por isso, só teve de continuar sem grandes alterações. Não é o caso. Manuel Heitor herdou o mesmo que Tiago Brandão: quatro anos de uma clamorosa incompetência de Nuno Crato. Mas se na educação se está a tentar corrigir o rasto de destruição deixado – este foi um dos primeiros inícios de ano letivo sem grandes polémicas ou problemas –, na Ciência e Tecnologia tudo parece estar na mesma.

Há muita coisa que se pode dizer sobre a herança deixada por Mariano Gago a Crato e Heitor. Até porque ela é contraditória. Se é verdade que foi ele que criou uma verdadeira política de ciência em Portugal, é impossível negar que o preço disso, até por causa da origem e natureza do financiamento, foi uma cultura de precariedade extrema. Nas contratações de pessoal já quase tudo parece ser possível: chegámos ao ponto de se utilizarem bolsas de gestão de ciência e tecnologia (BGCT) para colmatar a carência de funcionários nas instituições públicas, como contratar eletricistas e pessoal de secretariado (não é anedota, aconteceu e continua a acontecer) e técnicos para análise estatística, em violação do Estatuto do Bolseiro. Mas mesmo quem trabalha realmente na produção de conhecimento científico e tecnológico parece viver no mundo das empresas de trabalho temporário. Na investigação e na ciência paga-se para talvez um dia conseguir trabalhar, sempre sem qualquer perspetiva de futuro.


Para continuar a ler o artigo, clique AQUI

NOVIDADES DA GRADIVA EM NOVEMBRO

Informação recebida da Gradiva:
Philip E. Tetlock e Dan Gardner
Superprevisões
A Arte e a Ciência da Previsão 

As vantagens de antever o futuro, seja na economia, na política ou na vida pessoal, são evidentes. Mas é muito difícil fazê-lo. Alguns conseguem prever melhor do que outros. Porquê? Pode esse ta­lento ser ensinado? Este livro revolucionário, mas acessível, mostra-nos o que podemos aprender com os «superprevisores». Tem histórias de sucessos e falhanços. Baseia-se em anos de investiga­ção. É já uma obra de referência sobre a ciência e a arte da previsão. 

«Ciência Aberta», n.º 218, 448 pp., €16,50
http://www.gradiva.pt/?q=C/BOOKSSHOW/8978

Joaquim Silva Pinto
Vale a Pena Não Ter Medo
Personagens de Quase Ficção

O estilo directo e acutilante mantém-se, mas o autor apresenta-se aqui mais solto, enveredando pela quase ficção. Personagens imaginárias que lembram pessoas reais. Um misto de imaginação e lembrança que, por certo, despertará no leitor as suas próprias memórias. Sucedem-se um india­no ardiloso, a política portuguesa nos anos 60, a devoção mariana, uma castiça tertúlia andaluza, o dia dos mortos da cultura mexicana e reflexões sobre passado, presente e futuro do nosso País. Ambientes e factos descritos com destreza, e sentido de humor, numa escrita que entusiasma.
“Estava seguro de que Parker aceitaria esta análise. Contudo, seria preferível que na visita se não fizesse acompanhar pela agnóstica cristã. Essa ruiva de sangue irlandês e catalão, contrariamente a uma mulher indiana, fa­lava alto, traçava a perna com excessiva desenvoltura, opinava por tudo e por nada. Uma vez mais o irritaria retorquindo, pre­visivelmente, que a artificial solução política terminaria negativa para os seus mentores, quando o povo se apercebesse, pe­los resultados, de que fora iludido. Ocorreria então o efeito pendular dos persuadidos.
A rapariga era politóloga, com mestrado em Psicologia Social e doutoramento em preparação no campo da Sociologia. Não podia ser pior. Mas, se tivesse de a ouvir, Mr. M. limitar‑se‑ia a encolher os ombros. A acontecer esse cenário, os promotores saberiam sair a tempo. Citava com frequência um antigo ditado hindu, eventualmente adaptado ao seu estilo e conveniência: No permanente combate acérrimo da selva misteriosa, os tigres ganham asas.”

«Fora de Colecção», n.º 480, 136 pp., €11,00
http://www.gradiva.pt/?q=C/BOOKSSHOW/8947

Umberto Eco
Baudolino
Uma viagem fascinante que leva o leitor a 1204, a uma Constantinopla saqueada e incendia­da pelos cavaleiros da quarta cruzada. Entre o caos e a carnificina, destaca-se Baudolino. Ain­da menino, o seu caminho cruza-se com o do imperador Frederico Barbarroxa, que o adopta e o envia para a universidade em Paris. Aí, faz amigos destemidos e aventureiros como ele, com quem parte em busca do reino do Preste João. História e ficção cruzam-se num relato intenso de aventuras. Umberto Eco no seu melhor.

«Fora de Colecção», n.º 483, 536 pp., €19,90
http://www.gradiva.pt/?q=C/BOOKSSHOW/8979

António Barreto, João Salgueiro, Luís Aires de Barros, Luís Valença Pinto, Manuel Braga da Cruz e Vasco Rocha Vieira (coords.)
O 25 de Novembro e a Democratização Portuguesa
O 25 de Novembro de 1975 continua a alimentar controvérsias e a revelar tabus e receios. Este livro reúne contribuições diversas, e é essencial para compreender a história deste acontecimento que foi indispensável para a consolidação da democracia. Um instrumento único, amplo, de cariz multidisciplinar. Pertinente e informativo.

«Fora de Colecção», n.º 484, 304 pp., €14,00
http://www.gradiva.pt/?q=C/BOOKSSHOW/8980

NOVIDADES CLASSICA DIGITALIA

Os Classica Digitalia têm o gosto de anunciar 3 novas publicações, com chancela editorial da Imprensa da Universidade de Coimbra e Annablume (São Paulo).

Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. O eBook correspondente encontra-se disponível em acesso aberto. 

NOVIDADES EDITORIAIS

Série “Humanitas Supplementum” [Estudos]

-  Claudio Castro Filho, “Eu mesma matei meu filho”: poéticas do trágico em Eurípides, Goethe e García Lorca (Coimbra e São Paulo, Imprensa da Universidade de Coimbra e Annablume, 2016). 245 p.                            
DOI: 
http://dx.doi.org/10.14195/978-989-26-1222-5

[A representação poética do filicídio materno é o eixo conceitual para a aproximação, proposta neste livro, entre três dramaturgos que, embora distantes no tempo, se avizinham no interesse que compartilham pela matéria trágica. A partir desta perspetiva, a Medeia (431 a.C.) de Eurípides, a Gretchentragödie (1790) de Goethe e a Yerma (1934) de García Lorca confirmam-se como obras teatrais cujo sentido do trágico repousa na antinomia do assassinato da criança pelas mãos daquela que lhe deu a vida. O presente ensaio propõe uma leitura comparada entre os clássicos em questão e o debate intelectual que as suas tragédias suscitaram, desde as discussões sobre o valor da poesia e da catarse (Platão, Aristóteles), passando pelas questões do sublime e da vontade (Kant, Schiller, Schopenhauer), até às modernas revisões do trágico propostas por Nietzsche e Unamuno.]

Série “DIAITA: Scripta & Realia”

  Joaquim Pinheiro Carmen Soares (coords.), Patrimónios alimentares de aquém e além-mar (Coimbra e São Paulo, Imprensa da Universidade de Coimbra e Annablume, 2016) 729 p.                                
DOI: 
http://dx.doi.org/10.14195/978-989-26-1191-4

[Os estudos reunidos neste volume refletem, de uma forma geral, sobre a alimentação enquanto elemento de extraordinário valor cultural e identitário. Com abordagens diversas ao património alimentar, seja numa perspetiva linguística, seja numa análise mais literária ou cultural, com o devido enquadramento histórico, social e espacial, o conjunto dos trabalhos realça a importância desta temática, desde a Antiguidade Clássica até aos nossos dias. Os trinta e quatro contributos da obra estão reunidos nos seguintes capítulos: 1. Alimentação: património imaterial; 2. Alimentação e património literário; 3. Alimentação e património linguístico; 4. Alimentação: saúde e bem-estar; 5. Alimentação: sociedade e cultura; 6. Alimentação e diálogo intercultural.]


  Jorge Deserto & Susana Marques PereiraEstrabão. Geografia. Livro III. Introdução, tradução do Grego e notas (Coimbra e São Paulo, Imprensa da Universidade de Coimbra e Annablume, 2016) 127 p.                                
DOI: 
https://doi.org/10.14195/978-989-26-1226-3

[O tomo III da Geografia estraboniana descreve a Ibéria a partir da perspetiva de um Grego em Roma entre os reinados de Augusto e de Tibério, dos quais o autor era contemporâneo. Testemunha da expansão romana para os confins da Europa, o geógrafo de Amásia sublinha o importante papel civilizador e pacificador de Roma no extremo ocidental do mundo conhecido. Nesta edição, apresenta-se a tradução do texto grego, acompanhada de notas explicativas, bem como uma introdução geral que contempla elementos sobre o autor e o conjunto da sua obra, uma breve apresentação das fontes que mais influenciaram o geógrafo e um plano do livro III.]

PETIÇÃO CONTRA A PRECARIEDADE NO ENSINO SUPERIOR E NA CIÊNCIA

Informação recebida do SNESUP. Já assinei a petição aqui referida: 
 
A precariedade no Ensino Superior e Ciência é uma matéria que diz respeito a toda a comunidade académica. É algo que conhecemos no quotidiano mas cuja dimensão muitos desconhecem. O SNESup tem vindo a recolher exaustivamente dados sobre esta questão. O cenário é de intervenção urgente, atingindo mais de 14.000 docentes e investigadores. 


A precariedade transporta a degradação de todo um sistema, transformando o sentido da profissão de docente e investigador. É um sinal errado para a sociedade sobre a natureza do emprego qualificado. Assume-se como sintoma de um claro subfinanciamento e de práticas menores que se tornaram maioritárias no espaço académico e científico, onde não deveriam ter lugar. Como comunidade é fundamental agirmos para resgatar a dignidade do sistema. Lançamos por isso uma petição  http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT83720  que dirigimos ao Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Ministro da Ciência Tecnologia e Ensino Superior e deputados da Assembleia da República. Nela pode encontrar as reivindicações de um espaço comum, que pretende que o Ensino Superior e Ciência abandone o espaço do iníquo e possa ser conhecido como espaço elevado com as necessárias boas práticas laborais. Recuperar a dignidade de todos é uma matéria fundamental. Assegurar as carreiras e as remunerações adequadas passa também por aqui. Convidamo-lo por isso a fazer parte deste movimento e a assinar a petição. Contamos com a sua colaboração e muito agradecemos que possa partilhar esta petição, por forma a intervirmos seriamente neste problema.
Como comunidade académica é tempo de agirmos.
 
Saudações Académicas e Sindicais
A Direção do SNESup

22 de novembro de 2016

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

NÃO ENTRES GENTIL NA NOITE TERNA E ESCURA


O 3.º lugar dos nossos posts mais vistos de sempre, com 10.602 visualizações, é, inacreditavelmente, uma tradução de um famoso poema de Dylan Thomas (na foto):













10602


A tradução, que está assinada, é discutível como aliás todas as traduções. O nosso leitor Herculano Esteves teve a bondade de nos enviar a sua versão, que esperemos encontre por este meio muitos leitores: 


 NÃO ENTRES GENTIL NA NOITE TERNA E ESCURA

 Não entres gentil na noite terna e escura,
o velho, em ti, deve desatinar e incendiar-se ao cair o dia;
 raivoso, sê raivoso contra a luz que já não alumia.

 O sábio bem sabe, no fim nada irradia
pois a palavra urdida só relampeia sombria;
ele não vai entrar gentil na noite terna e escura.

 O bom chora cristais juízos, vaga macia,
e suas danças, radiais e onduladas, na luxuriosa baía;
 raivoso, sê raivoso contra a luz que já não alumia.

 O indómito do sol captura e canta a luz fugidia
aprende, hora tardia, só há luto nessa via;
ele não vai entrar gentil na noite terna e escura.

 O lúgubre, à morte, olha sem candeia
a cegueira se ardente, rasto de meteoro, ser alegria;
raivoso, sê raivoso contra a luz que já não alumia.

 A ti, meu pai, nessa coroa pesarosa oro em agonia
lança pragas, abençoa-me agora, usa lágrimas duras.
 Não entres gentil na noite terna e escura,
raivoso, sê raivoso contra a luz que já não alumia.

(tradução de Herculano Esteves)

"OS POBRES" DE MARIA FILOMENA MÒNICA

AMANHÃ 17.30H, NO PAV. CONHECIMENTO, É O LANÇAMENTO OFICIAL DO GPS



10 GPS


O jornal I escolheu 10 cientistas portugueses espalhados pelo mundo: ver aqui. Na foto Sofia Caria, que está na Austrália.

"20 ANOS, 20 LIVROS" - LIVROS DE CIÊNCIA PARA TODOS


Livros de ciência para todos. Exposição de obras sobre ciência publicadas, com duas excepções fáceis de perceber (obras de José Mariano Gago e Rómulo de Carvalho), entre 1996 e 2016, patente no Rómulo - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a abrir no dia 24 de Novembrio de 2016, Dia Nacional da Cultura Científica.

(Selecção de livros feita por Carlos Fiolhais; os resumos editoriais são, em geral extraídos das contracapas ou badanas)

1- JOSÉ MARIANO GAGO, “Manifesto para a Ciência em Portugal”, Gradiva, 1990

“Este manifesto é um ensaio. Propõe uma análise de estratégias de desenvolvimento científico baseadas na renovação da educação, na criação da cultura científica, na ruptura do isolamento científico português – isolamento face ao estrangeiro mas igualmente, isolamento social e cultural, económico e político, da ciência no próprio país. Sugere que só a generalização do debate em torno do desenvolvimento da cultura científica poderá tornar socialmente sustentável o actual atraso da ciência em Portugal e servir de fundamento a comportamentos eficazes para a sua superação. Este livro visa, pois, a acção prática. É seu propósito suscitar a construção de estratégias para o desenvolvimento científico português, tão múltiplas como são variados os seus diversos protagonistas. Um ensaio não é, contudo, um programa. Não busca o apoio a medidas que indica ou propõe: submete-as apenas à reflexão alheia. Procura diálogo, crítica, aprofundamento. Num manifesto, conta a motivação que se sabe partilhada e o movimento de opinião que se deseja e para que se apela.” (José Mariano Gago, que foi o primeiro ministro da Ciência e Tecnologia em Portugal; este livro foi de certo modo o seu programa de governo na nova área).

2-RÓMULO DE CARVALHO, “A física no dia-a-dia”, Relógio d’Água, 1995

O título original da edição na Atlântida é “Física para o Povo”. Rómulo de Carvalho mostra a toda a gente que a Física está no nosso  quotidiano. A obra de divulgação científica do professor de Física e Química que foi também o poeta António Gedeão ocupa um lugar destacado na história da divulgação científica em Portugal. Com um prefácio de José Mariano Gago, é um clássico da divulgação científica e, como todos os clássicos, permanece sempre actual.

3-ANTÓNIO DAMÁSIO, “O Sentimento de si: O Corpo, a Emoção e a Neurobiologia da Consciência”, Europa-América, 1999.

«Estou hoje convencido que a distinção entre emoção e sentimento, a que dou tanto valor em ‘O Sentimento de Si’, não foi apenas muito útil para entender a neurofisiologia destes distintos fenómenos mas é também indispensável para compreender o alcance biológico dos sentimentos e o facto de que a experiência mental — e não apenas o respetivo substrato neural — tem, em si mesma, um papel importante a desempenhar na regulação da vida. Sem a possibilidade da experiência mental dos estados do corpo que os sentimentos nos proporcionam, não nos seria possível concentrar a atenção em certos problemas e em certas opções de resposta de modo a aceitar ou formular as melhores alternativas e de forma a rejeitar as menos boas.» (António Damásio, prémio Pessoa e autor também de “O Erro de Descartes”).

4-CONSTANÇA PROVIDÊNCIA ET AL., “Ciência a Brincar”, Bizâncio, 1999

Como encher um balão com química? Será que a plasticina vai afundar num copo de água? E será que um íman por cima de outro vai cair? Quantas imagens se vêem com dois espelhos? Através de experiências muito simples, as crianças (4 a 8 anos) poderão entrar no mundo da Ciência, experimentando, observando, comunicando. Estas experiências foram realizadas em mais de 50 jardins-escolas e escolas portuguesas, num projecto da Sociedade Portuguesa de Física. Este é o primeiro de uma série de 10 livros.

5-MÁXIMO FERREIRA, “O Pequeno Livro da Astronomia”, Bizâncio, 2001

Este é um trabalho dedicado a quem sente algum fascínio pela contemplação do céu.  Com este livro  de um dos mais conhecidos divulgadores da astronomia em Portugal o leitor poderá sentir-se em plena intimidade com galáxias, estrelas e planetas, pela simples razão de saber que eles são constituídos pelos mesmos elementos que existem nas plantas ou nos animais. Sentirá o conforto de conhecer  melhor a Ursa Maior ou a Cassiopeia e recordar algumas das histórias de que elas foram personagens principais. Encontrará deuses, animais ou figuras lendárias nos céus, mas sempre com os pés bem assentes na Terra.

6- JOÃO MAGUEIJO, “Mais rápido do que a luz. Uma biografia de uma especulação científica”,  Gradiva, 2003.

“Mais Rápido Que a Luz”  é a história de como uma ideia herege de um jovem físico  pretendeu  destronar Einstein e a mudar para sempre o nosso modo de ver o mundo.  A  luz propaga-se a uma velocidade fixa, que é uma das constantes da Natureza. Esta ideia foi consagrada por Einstein na sua teoria da relatividade restrita e é um dos pilares da física moderna. E se não for correcta? O físico João Magueijo, especialista em Astrofísica em Londres,propôs uma especulação extraordinária:  a velocidade da luz foi maior no universo primordial. A sua teoria da velocidade da luz variável resolve alguns dos problemas mais difíceis da cosmologia. A teoria pode além disso ter consequências fabulosas quanto a viagens espaciais, buracos negros, dilatação do tempo e teoria das cordas. Este livro é sobre as ideias e o seu lugar no mundo.

7- MANUEL PAIVA, “Como respiram os astronautas”, Gradiva, 2004

“Como Respiram os Astronautas” é um convite, da autoria de um professor de Física e divulgador da física emigrado na Bélgica (prémio Ciência Viva),  para passear nos bastidores da aventura que é a investigação cientifica, na companhia do autor – físico que estuda o funcionamento do corpo humano -  e dos exploradores dos tempos modernos que são os astronautas. A aventura passa-se no meio interdisciplinar da Física Biomédica que está hoje a revolucionar a Medicina. Além do mais, o autor tenta demonstrar que a riqueza de um país está na matéria cinzenta da nova geração, que só pode ser valorizada pela dedicação e competência dos professores que a instruem, apoiada por uma população cientificamente culta.

8-LUÍS MIGUEL BERNARDO, “História da Luz e das Cores”, Universidade do Porto, 3 vols., 2005

 “Histórias da Luz e das Cores”, da autoria de um físico e historiador de ciência, conta  a fascinante história o nosso conhecimento da luz e das cores desde a Antiguidade até aos nossos dias.  Algumas das concepções sobre a luz e as cores que os nossos antepassados elaborara não têm hoje valor científico; mas outras vieram a constituir os pilares em que assenta o conhecimento científico moderno. Não foram esquecidos nestes três volumes os desenvolvimentos tecnológicos mais modernos relativos à óptica: os laseres, as fibras ópticas, as telecomunicações, etc.

9-A.M. GALOPIM DE CARVALHO, “Como Bola Colorida. A Terra, património da Humanidade", Âncora, 2007

A geologia mostra-nos a Terra como um sistema dinâmico, auto-regulado, harmonioso e frágil no contexto dos processos naturais, mas que começa a dar sinais preocupantes de rotura, em resposta às agressões decorrentes da sociedade do desenvolvimento e do consumo. Ensina-nos que estamos entre os mais recentes elementos de uma longa e complexa cadeia de inter-relações desde sempre existentes entre a litosfera, a hidrosfera, a atmosfera e a biosfera, num dinamismo alimentado por duas fontes de energia: o calor interno do planeta e a luz que nos chega do Sol. Galopim de Carvalho, geólogo e divulgador da geologia (prémio Ciência Viva), guia-nos numa viagem pelas maravilhas da Terra.

10- NUNO CRATO, “Passeio aleatório pela ciência do dia-a-dia”, Gradiva, 2007

Este é um livro para curiosos escrito por um curioso, professor de matemática e divulgador da matemática. Um livro sobre a ciência que atravessa o nosso dia-a-dia, a ciência em que não reparamos ou que temos dificuldade em perceber. Com clareza e  simplicidade, mas também com o rigor de um profissional da ciência, o autor guia-nos pelo mundo da cultura científica, num passeio tanto mais interessante quanto aparentemente aleatório. Fica-se a saber como Tales mediu a altura da grande pirâmide e qual era o mistério das pontes de Königsberg. Fala-se da quadratura do círculo e das lentes dos faróis. Explica-se o contributo dos Descobrimentos para o sucesso do Tabasco. Discute-se o funcionamento do marégrafo de Cascais e de onde vem a tecnologia bluetooth. Explica-se o mito da maçã de Newton e a origem do sinal @...

11- HENRIQUE LEITÃO, “Chamo-me…Pedro Nunes”, Didáctica, 2010

Pedro Nunes foi um matemático muito famoso durante a sua vida, no século XVI;  e há até quem diga que fui o mais importante português de todos os tempos. Este livro para jovens, da autoriam de um distinto historiador de ciência português (prémio Pessoa) é uma biografia de Pedro Nunes que permite saber quais foram as descobertas mais importantes que ele fez.

12- JORGE CALADO, “Haja Luz! Uma história da Química através de tudo”,  IST Press, 2011

"Haja Luz!”, de um professor de Química, crítico de arte e de fotografia e escritor de ciência (prémio Universidade de Lisboa),  é uma história heterodoxa, onde a química vem entrelaçada não só com as outras ciências mas também com a literatura, a música, as artes visuais, o cinema, a filosofia, etc. Aqui, o químico Humphry Davy aparece de braço dado com o poeta Samuel T. Coleridge, Richard Wagner partilha a divisão do trabalho com Adam Smith, e a pintura de René Magritte é invocada a propósito de Louis Pasteur; Marilyn Monroe fica associada ao carbono, Jules Verne e Jacques Offenbach celebram o oxigénio, e Sebastião Salgado fotografa a alquimia sufocante do enxofre. E tudo começa com Joseph Haydn, e a sua oratória, ‘A Criação’. A química resulta de uma curiosidade básica: saber de que é que são feitas as coisas. Nesta fascinante digressão histórica, desde a época áurea dos Gregos até aos dias de hoje, Jorge Calado mostra como a química moderna deriva do conhecimento do fogo da combustão e do raio do relâmpago, isto é, da energia. A química é construída por homens e mulheres, novas e velhas, com gostos e desgostos. A história da química faz-se com elas, e Jorge Calado dá sentido à narrativa enquadrando as invenções e descobertas químicas nas disputas, guerras e conquistas sociais e políticas

13-JOÃO LOBO ANTUNES, “Egas Moniz : uma biografia”, Gradiva, 2011.

Esta é a primeira biografia de uma das mais fascinantes personalidades médicas do século XX, a quem se devem duas contribuições científicas fundamentais: a angiografia, uma técnica que permite a visualização dos vasos cerebrais, e a psicocirurgia, o primeiro tratamento cirúrgico de certas doenças psiquiátricas, agora ressuscitada em consequência de progressos tecnológicos recentes. Egas Moniz, o nosso único Prémio Nobel em Ciências, nasceu em 1874 em Avanca e formou-se na Universidade de Coimbra.  Em 1911 transferiu-se para a Universidade de Lisboa. Até 1919 foi um político activo, chegando a Ministro de Negócios Estrangeiros e chefiando a delegação portuguesa à Conferência de Versalhes no final da Grande Guerra. Esta é uma narrativa objectiva e crítica, para a qual o autor, professor de Medicina, neurocirurgião e escritor (prémio Pessoa), dispôs de numerosos documentos e cartas inéditos e do testemunho de colaboradores e familiares de Egas Moniz. Revela um político, um diplomata, um homem das letras e do mundo, um clínico de sucesso e um cientista improvável.

14-JORGE BUESCU, “Casamentos e outros desencontros”,  Gradiva, 2011.

A matemática não é um assunto árido, encerrado, um instrumento de tortura para alunos? Ela  é acima de tudo uma extraordinária aventura intelectual – empolgante, dinâmica, fervilhante de ideias e em permanente construção. Há hoje mais matemáticos activos do que em toda a História da Humanidade no seu conjunto. A matemática vive hoje uma verdadeira Idade do Ouro. Como é que funciona o Google? Como é que um resultado abstruso em teoria de grupos pode inspirar um físico a explicar o universo nos intervalos em que não faz surf no Hawai? Qual é a melhor altura para deixar de procurar a mulher dos seus sonhos e assentar? É possível organizar um conjunto de casamentos por forma a que ninguém tenha tentações de casos extra-matrimoniais? Estes são alguns exemplos das questões abordadas neste livro, da autoria de um matemático e divulgador da matemática,  que, em dúzia e meia de curtos ensaios, explica de uma forma divertida mas rigorosa como é que uma abordagem matemática ao mundo enriquece a nossa compreensão do seu funcionamento.

15- CARLOS FIOLHAIS  e DAVID MARÇAL, ”Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência”, Gradiva, 2012.

Este livro, da autoria de dois divulgadores científicos (um físico e outro bioquímico),  conta histórias de falsa ciência. Abundam as aldrabices científicas na Internet, de que o vídeo que mostrava milho a transformar-se em pipocas devido à radiação de telemóveis é um bom exemplo. Também há muitas tretas nos media, a começar logo pelos horóscopos. As prateleiras de supermercado estão recheadas de falsas promessas de medicina preventiva, das quais o escândalo do «iogurtegate» é uma das mais delirantes. Mas, pasme-se, a falsa ciência também é praticada e ensinada nalgumas escolas. E está bem mais presente do que julga na saúde. Nem as revistas científicas e as universidades escapam, pois também aí se encontra uma boa colecção de fraudes que mais cedo ou mais tarde acabam por ser descobertas. Não há lugares seguros. A única segurança terá de estar no leitor: uma atitude crítica poderá evitar-lhe contratempos e poupar dinheiro. A ciência assenta na observação, na experiência e na correcção de erros, e não nas palavras de pretensas autoridades que nunca aceitam ser corrigidas. Não se deixe enganar!

16- FILIPE DUARTE SANTOS, “Alterações Globais: os desafios e os riscos presentes e futuros”, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2012.

Nos últimos milénios, e especialmente durante os últimos dois séculos, as sociedades humanas, têm provocado alterações significativas no ambiente. As interferências com o sistema terrestre são actualmente tão profundas que ameaçam os processos de que depende a sustentabilidade daquelas sociedades. Este livro, de um físico especialista em mudanças climáticas (prémio Universidade de Lisboa), apresenta uma abordagem integrada que inclui a dimensão humana e as transformações sociais e económicas que contribuem para as alterações globais. Analisa a situação mundial e as perspectivas da sua evolução no quadro da recente crise Ocidental, da convergência económica entre os países em desenvolvimento e os países mais industrializados. O caso de Portugal face às alterações globais é também discutido, devido às particulares implicações deste fenómeno no nosso país.

17- MANUEL SOBRINHO SIMÕES, “Gene, Célula, Ciência, Homem”, Verbo, 2012.

Este livro  reúne os textos mais interessantes de Manuel Sobrinho Simões: o famoso médico do Porto especialista em cancro (prémio Pessoa) escreve  sobre  o cancro, a genética, o ambiente, o Popeye e os superheróis. A estes textos acrescentam-se as suas mais importantes entrevistas, onde a clarividência do seu pensamento é  patente. O autor surpreende o leitor pelo seu olhar clínico mas ao mesmo tempo abrangente com que analisa as mais variadas questões. O livro inclui o texto de aceitação do Prémio Pessoa.

18- MIGUEL CLARO, “Dark Sky: Alqueva o destino das estrelas, a star destination,” Edições  Centro Atlântico, 2015

A Terra está na zona habitável do Sol. Gerou vida inteligente e curiosa, deliciada com o mundo, mas a sua própria evolução retirou-lhe o céu estrelado que a envolveu até há poucas centenas de anos. Para combater a poluição luminosa, culpada por este apagão do céu, foi criada a Reserva Dark Sky Alqueva, no Alentejo, o primeiro destino do mundo certificado como "Destino Turístico Starlight" por parte da Fundação Starlight, apoiada pela UNESCO e pela Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas. Nesta zona é possível observar o céu dos nossos antepassados e a dinâmica celeste que ocorre ao longo de uma noite num registo astrofotográfico. É uma das formas de mostrar e comunicar ao mundo a importância da astronomia, enfatizando a grandiosidade do património arquitectónico, cultural e paisagístico, numa união entre o céu e a terra, uma simbiose perfeita em que, através da expressão fotográfica, "beleza, ciência e arte", caminham lado-a-lado. O belo livro de um astrofotógrafo português consagrado internacionalmente dá exemplos dessa simbiose.

 19- JOSÉ TITO DE MENDONÇA, “Uma biografia da luz: ou a triste história do fotão cansado”, Gradiva, 2015

Este ensaio de um professor de Física especializado em Óptica sobre a natureza e as propriedades da luz, enquadrado no Ano Internacional da Luz, celebrado em 2015, divulga o conhecimento sobre este tema fundamental e apaixonante da física. Podendo ser lido por um público não especializado, interessa também aos especialistas. O autor, professor e investigador de Física, inclui testemunhos sobre a ciência assim como episódios pessoais da sua actividade científica. «A luz é um dos grandes mistérios, perseguido tanto por pintores como por físicos. Mas também os insectos e os místicos são atraídos por ela», escreve. O tema da luz é explorado com recurso a numerosas histórias e a exemplos.

20- JORGE DIAS DE DEUS, “Ciência cosmológica: De onde vimos? Onde estamos? Para onde vamos?”, Gradiva, 2016.

Este livro, da autoria de um professor de Física especializado em Astrofísica, propõe uma viagem até à moderna ciência do Universo. A ciência, como actividade humana socialmente relevante, é relativamente recente. Contudo, a cosmologia, como visão do Universo ligada a construções mágicas e religiosas, é muito antiga. O Universo teve um princípio? Terá um fim? O que se passou desde o início? Como se formou a matéria que hoje vemos? O Universo é infinito ou finito? O que vemos quando olhamos para grandes distâncias? Existirão outros Universos? De início, as respostas foram lendas e mitos, alguns dos quais remontam à pré-história. Na Antiguidade Grega começou a procura da racionalidade. Mas foi com a Revolução Científica, no século XVII, que alcançámos um conhecimento empírico e matemático. No século XX surgiu a moderna cosmologia. Este livro guia-nos, com sabedoria, na história do nosso conhecimento do Cosmos.