quarta-feira, 30 de março de 2016

O Ano da Luz em Portugal


Artigo de Carlos Fiolhais e Pedro Pombo (Comissão Nacional do 2015 Ano Internacional da Luz) que está a sair naGazeta de Física especial dedicada à luz (na imagem, espectáculo de luz no Pavilhão do Conhecimento, integrado na Conferência Light: From the Earth to the Stars):

O Ano Internacional da Luz (AIL2015) foi anunciado em Portugal em Setembro de 2014 na Conferência Nacional de Física realizada no Instituto Superior Técnico, que contou com a presença do Comissário internacional e Presidente da Sociedade Europeia de Física, John Dudley. Após ter sido criada uma Comissão Nacional que reúne representantes das Sociedades Portuguesas de Física, de Química e de Óptica, da Ordem dos Biólogos, da UNESCO e da Agência Ciência Viva, o AIL2015 foi inaugurado em Portugal, em Março de 2015, com uma palestra do Coordenador da Comissão Nacional sobre a história do nosso conhecimento da luz e um espectacular show de luz da responsabilidade da Fábrica Ciência Viva em Aveiro, na mais antiga escola secundária portuguesa, a Escola Básica e Secundária Passos Manuel, em Lisboa.

Foi  um ano em que por todo o país se sucedeu um sem número de actividades (ver ail2015.org), das quais, dada a exiguidade de espaço, só aqui podem ser reportadas algumas, digamos alguns highlights, resultado de uma selecção que corre o risco de ser injusta. De resto, no passado dia 15 de Dezembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, na abertura da conferência internacional Haja Luz – Diálogos em Volta da Luz, que contou com a presença de Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, e apresentação inicial de Jorge Calado,  foi anunciado que o Ano Internacional da Luz, à semelhança do que se passou noutros países, ia ser prolongado por mais seis meses em 2016. As actividades vão continuar e o relatório final terá, por isso, de aguardar.

Foi decidido, com a ajuda da Agência Ciência Viva, colocar o foco do AIL2015 em actividades escolares. As conferências nas escolas do quadro do programa Haja Luz nas Escolas foram até agora cerca de uma centena em todo o país, envolvendo mais de 5000 alunos. O programa inclui ainda workshops de formação de professores (centrados no uso pedagógico de kits de luz: foram oferecidos cerca de uma centena desses kits), em colaboração com alguns dos Centros Ciência Viva espalhados pelo país: realcem-se acções de formação como a Photonics Explorer realizada em Lisboa (coorganizada pelo Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear - Instituto Superior Técnico, Sociedade Portuguesa de Física e Agência Ciência Viva), Porto (organizada pela Universidade do Porto), Aveiro e Ponta Delgada (ambas organizadas pela Universidade de Aveiro), que envolveram mais de 175 professores. Também logo no início do ano, a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro realizou uma ação de formação nacional sobre luz, envolvendo mais de 500 professores de 10 cidades nacionais. Outra acção de formação em Lisboa na área da biologia foi realizada pela Ordem dos Biólogos e pela Agência Ciência Viva. As escolas básicas e secunsdárias, para além de receberem iniciativas do Haja Luz nas Escolas, estão a organizar várias iniciativas autónomas e a colaborar em diversos projectos com outras entidades.

Decorreram várias exposições sobre a luz. A Comissão Nacional promoveu uma exposição itinerante Janelas de Luz sobre hologramas, da autoria da Fábrica Centro Ciência Viva da Universidade de Aveiro, que foi inaugurada em Aveiro e que já passou pela Guarda, Covilhã (com um total de 2000 visitantes até agora), e que viajará para o Lousal, Lagos, Faro, Estremoz, Coimbra e Porto. No Porto abriu a 15 de Dezembro no Museu Nacional Soares dos Reis a exposição Lux Mirabilis, que mostra instrumentos científicos e objectos artísticos dos acervos do Museu da Ciência da Universidade do Porto e daquele museu nacional. Em Lisboa estiveram duas exposições luminosas, muito perto uma da outra: A Luz de Lisboa, num torreão do Terreiro do Paço, e Na Luz/ Dentro do Vidro, na Galeria Millennium, na Rua Augusta, a primeira com a colaboração do Museu da Cidade de Lisboa e a segunda da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. A Festa do Avante na Quinta da Atalaia, Setúbal, incluiu uma exposição e uma palestra sobre a luz. Em Óbidos, no âmbito do Festival literário Fólio e em vários concelhos limítrofes, esteve uma exposição de cartoons internacionais sobre a luz, organizado pelo Museu da Imprensa do Porto. Em Coimbra esteve no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra a exposição Visões – o interior do olho humano, da responsabilidade do Centro Cirúrgico de Coimbra, para além da sua mostra permanente Segredos da Luz e da Matéria.

O Ano chamou-se da Luz e das Tecnologias da Luz. Na Feira do Património 2015 realizada em Coimbra uma empresa de luz, o atelier OCubo, fez uma fantástica apresentação de luz no Mosteiro de Santa-Clara-a-Velha, em Coimbra, que acresceu ao show que tinha apresentado antes nas fachadas do Paço das Escolas da Universidade de Coimbra, a que assistiram mais de 30 mil pessoas, no quadro da celebração dos 725 anos da Universidade de Coimbra, e ao festival de luz Lumina, realizado em Setembro em Cascais. Houve outros espectáculos de luz em Aveiro, Lousada, Barreiro, Oeiras e Lisboa. Também houve espectáculos de luz da autoria de por outras empresas, por exemplo em Almeida, Sintra e  Lisboa. No Porto abriu uma instalação de Luz, Porto Light Experience, perto da Estação de São Bento, promovida pelo Lighting Living Lab de Águeda e que ganhou um prémio no concurso internacional Happy LED Life.

As Câmaras Municipais organizaram ou apoiaram várias actividades luminosas, como o evento que congregou várias empresas industriais associadas à luz (Lighting Living Lab), patrocinado pelo município de Águeda, que culminou na inauguração de iluminação pública inteligente, e o festival Cultura e Luz, em Almeida. O mesmo se passou com associações e ordens profissionais: a Ordem dos Engenheiros realizou uma conferência na sua sede em Lisboa e outro no Funchal (na “Casa da Luz”), além de ter editado um número especial da sua revista Ingenium, quase todo ele devotado ao tema da luz.

Tiveram lugar numerosas conferências sobre luz, além das que já foram referidas, designadamente na Faculdade de Ciências e no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, e na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, sobre vários aspectos da ciência e tecnologia da luz, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, sobre luz e museus (Lights on), na Universidade do Minho, em Braga, sobre luz e media (Comunicação e Luz), na Madeira, sobre luz e estratégias educativas (Hands-on Science 2015), na Universidade de Évora, sobre luz, arte e ciência (Colours 2015), duas na Universidade de Coimbra, uma sobre interdisciplinaridade e outra  sobre sustentabilidade (intituladas respectivamente Visões da Luz  e  À Volta da Luz), no Instituto Português de Qualidade, no Monte da Caparica, em Almada, sobre metrologia, e no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva de Lisboa (Light, from the Earth to the Stars), com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, na qual foi prestada uma justíssima homenagem a José Mariano Gago e na qual falou o físico espanhol do CERN Álvaro de Rujula. Logo no início da rentrée tiveram lugar dois eventos internacionais: conferências científicas na Figueira da Foz (Colloquium Spectroscopicum  Internationale) e em Faro (International Conference on Advanced Laser Technologies). E outras conferências houve em Novembro em torno da Teoria da Relatividade Geral.  A 10 de Novembro, Dia Mundial da Conferência pela Paz e Desenvolvimento, a Comissão Nacional da UNESCO realizou no Pavilhão do Conhecimento uma conferência sobre o AIL2015 e sobre o Ano Internacional dos Solos, que é simultâneo do Ano da Luz. Mas merece especial relevo a conferência sobre luz, centrada na radiação cósmica de fundo e no Telescópio Espacial James Webb, que foi proferida no Teatro Rivoli do Porto pelo cientista da NASA e Prémio Nobel da Física John Mather, no quadro do Festival do Pensamento organizado pelo saudoso Paulo Cunha e Silva, vereador da cultura da Câmara Municipal do Porto, e à qual assistiram mais de 600 pessoas. No quadro internacional, os signatários fizeram uma apresentação sobre a história da luz, acompanhada de experiências interactivas, no Encuentro Ibérico de Enseñanza de la Física, que teve lugar em Julho em Gijon, Espanha.

Realizaram-se outras sessões sobre luz por todo o país: na Biblioteca de Viana do Castelo (Mundos de Luz), sobre a luz nos livros, na Faculdade de Nutrição e Ciências da Alimentação da Universidade do Porto (Dia da Faculdade), sobre luz e saúde, na Academia Portuguesa de Medicina e na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (também Dia da Faculdade), sobre luz e medicina, etc., no Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra e na  Fábrica Ciência Viva da Universidade de Aveiro (Noite Europeia dos Investigadores). No Rómulo teve lugar uma série intitulada À luz da ciência. Muito intensas têm sido as atividades no Ano da Luz da Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, no Monte da Caparica, dirigida por José Moura, que procuraram juntar ciência e arte, acrescendo às palestras e debates pequenas exposições. Destaque particular para a Noite da Luz, que mobilizou muita gente do campus.

Houve celebração da luz em forma teatral (peça Luz estreada pela Marionet no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra) e cinema (Let there be light, uma curta-metragem sobre o “fim da luz” realizada por Laura Seixas, que foi apresentada na Conferência Internacional na Gulbenkian).

A luz de dia vem-nos do Sol e de noite vem-nos dos outros astros. Salientem-se, portanto, as várias actividades de astronomia realizadas no Verão, entre as quais uma  na aldeia da Luz, Reserva de Escuridão do Alqueva, onde esteve uma exposição de fotografia astronómica de Miguel Claro, e outra, a Astrofesta, em Castro Verde,  congregando astrónomos amadores de todo o país, bem como outras realizadas em diversos locais de Portugal ao longo de todo o ano (designadamente no Observatório Astronómico de Lisboa, onde se realizou o ciclo de palestras mensais Noites de Ciências, Noites de Luz, e ainda a muito original Noite de Estrelas e Pirilampos, em Azeitão, na Serra da Arrábida.

Foram várias as edições de livros. Saíram na Gradiva os livros Uma Biografia da Luz, de José Tito Mendonça, QED, de Richard Feynman (reedição), Cosmicomix, de Amedeo Balbi e Rossano Piccioni (banda desenhada sobre o Big Bang), e Histórias da Física em Portugal no século XX (eds. Teresa Pena e Gonçalo Figueira). Saiu no Centro Atlântico Dark Sky – Alqueva, com fotos astronómicas de Miguel Claro feitas na Reserva do Alqueva. Foi editado pelo Museu da Imprensa, no Porto, o catálogo sobre os cartoons de luz que estiveram em Óbidos (no Facebook também houve uma galeria de cartoons intitulada iLuz2015, de onde saiu uma t-shirt). A Tinta da China editou A Luz dos Livros, de António Leal, fotografias de pin-hole feitas na Biblioteca de José Pacheco Pereira, na Marmeleira. E a ISTpress publicou a 3.ª edição de Haja Luz, de Jorge Calado. A Relógio d’Água republicou A Luz de Newton da escritora Hélia Correia (prémio Camões 2015).

Os media acompanharam o AIL2015. Nos jornais, o Público dedicou o seu número de aniversário aos cem anos da teoria da relatividade geral de Einstein e publicou, na sua revista dominical, uma série sobre diferentes aspectos científicos e artísticos da luz (A Luz como meio e limite). Outros jornais, como o semanário Sol, publicaram reportagens sobre o AIL2015. A agência de notícias Lusa divulgou o conceito do AIL2015 e alguns dos eventos. A imprensa regional esteve muito atenta ao AIL2015, através do programa Ciência na Imprensa Regional, dinamizado por António Piedade. A RTP passou um spot sobre o ano da luz, preparado pela Fábrica Ciência Viva de Aveiro (que já antes tinha feito os posters do AIL2015). E foram transmitidos programas sobre a luz na RTP2, em particular Sociedade Civil, e na rádio, em particular na Antena 2. A Gazeta de Matemática publicou um número especial sobre o AIL2015. O Boletim da Sociedade Portuguesa de Química publicou alguns artigos sobre a luz. O presente número da Gazeta de Física é todo ele dedicado ao tema da luz. A revista Rua Larga, da Universidade de Coimbra, dedicou um número à luz. Revistas de iluminação técnica como o boletim da Aura Light e a revista digital do Light Living Lab dedicaram artigos ao Ano da Luz.

Houve concursos de fotografia e cinema, designadamente o concurso Luz em Flash, organizado pela Comissão Nacional do AIL2015 (ao qual concorreram cerca de 500 fotografias de participantes vindos de 15 distritos nacionais) e o concurso também de fotografia organizado pela Ordem dos Engenheiros. A Associação Portuguesa da Indústria de Ourivesaria promoveu o seu 7.º Concurso de Ourivesaria, dedicado este ano ao tema da Luz e a Sociedade Portuguesa de Óptica e Fotónica, em parceria com a Associação Hands-on Science, organizou o concurso Feira de Ciência À Descoberta da Luz, dedicado às escolas e a alunos de todos os níveis de ensino. Finalmente, os CTT – Correios de Portugal realizaram uma emissão onde se destacaram as duas comemorações mundiais deste ano: o Ano Internacional da Luz e o Ano Internacional dos Solos (a edição foi distinguida em Itália).

Patrocinaram estas iniciativas o Ministério da Educação e Ciência, através da Fundação para a Ciência e Tecnologia, a Agência Nacional para a Cultura Científica – Ciência Viva e a Fundação Calouste Gulbenkian (apoio centrado na conferência na sua sede), para além de várias outras entidades, algumas das quais  atrás mencionadas.



Em conclusão: o ano de 2015 foi muito iluminado em Portugal. As actividades foram muito variadas e descentralizadas, tendo chegado no total, de uma forma ou de outra, a milhões de portugueses. Prevemos que 2016 continue a ser um ano iluminado com a celebração que se prolonga até ao final do mês de Junho. Se a abertura foi em Lisboa, o fecho do AIL2015 será a 21 de Junho na Casa da Música no Porto, reflectindo o carácter nacional do conjunto de actividades.

Colóquio sobre História da Química no século XVIII


História da Química em torno de Vicente Seabra


Programa

Dia 1 de Abril

09h:30 - Abertura do Colóquio
09h:45 - Sebastião Formosinho, Augusto Correia Cardoso (FCTUC), “Episódios da Vida Universitária de Vicente Seabra e a Academia das Ciências”
10h:15 - Rui Pita, Victoria Bell (FFUC), “O ensino farmacêutico e a química na reforma pombalina da Universidade (1772)”
10h:45 - Ana Cristina Araújo (FLUC), “Repulsa olfativa e exame químico: o contributo de Vicente Seabra da Silva Teles para a reforma dos cemitérios”
11h:15 - Pausa para café
11h:30 - Guilhermina Mota (FLUC), “O Visconde de Vila Maior e a Exposição de Paris de 1855”
12h:00 - Carlos Fiolhais (FCTUC), “Portugueses na Royal Society no tempo de Vicente Seabra”
12h:30 - Almoço
14h:00 - Bernardo Herold (UTL-UL), “As origens da nomenclatura química portuguesa”
14h:30 - Isabel Marília Peres (CQE-UL, ES José Saramago), “Conversas sobre Química em Portugal no século XIX: a contribuição do Visconde de Vilarinho de São Romão”
15h:00 - Pedro Mendes Moreira (ESAC), “Vicente Seabra: uma incursão na agricultura”
15h:30 - Ana Carneiro (UNL), “Vicente Coelho de Seabra: elementos da química de um livro”
16h:00 - Pausa para café
16h:30 - Maria Paula Diogo (UNL), “O Abade Correia da Serra: estratégias de circulação de conhecimentos”
17h:00 - Wellington Silva Filho (UL), “Galenismo e Iatroquímica na Farmácia portuguesa dos fins do século XVIII”
17h:30 - Juracy Lucena Junior (UEPB, Brasil), “Fatos comuns das Histórias de Portugal, do Brasil e da Química”

Dia 2 de Abril
09h:30 - Amorim da Costa (FCTUC), “As experiências de Domingos Vandelli (1735-1816) com “globos volantes”, em 1784, no Laboratorio Chymico”
10h:30 -  Pausa para café
10h:45 -  João Paulo André (UM), “Um século de publicações da SPQ: Da Revista de Chimica Pura e Applicada à ChemPubSoc Europe”
11h:15 - João Oliveira (UA), “Sopradores de vidro e cientistas: o elo esquecido”
11h:45 - Pedro Casaleiro (Museu da Ciência, UC), O acervo de química na exposição do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
12h:15 - Café e visita guiada ao Museu da Ciência
13h:00 – Encerramento do Colóquio.


Curso de Formação
O colóquio funcionará em paralelo como um Curso de Formação destinado a Professores do Grupo 510 dos Ensinos Básico (3º Ciclo) e Secundário coordenado pelos CFAE Minerva e Nova Ágora.
http://cfagora.pt/adm/inscricoes/inscricao_PD_2013.php
www.cfae-minerva.edu.pt/

Curso de Formação “História da Química em torno de Vicente Seabra”
Registo: CCPFC/ACC-86272/16
Número de Créditos: 0.5
Válida até: 07-03-2019

O curso de formação tem início antes do colóquio e o seu termo após o encerramento do colóquio:
09h:00 -09h:30  (sexta feira) - Apresentação e funcionamento do curso de formação.
18h:00 - 19h:30 (sexta feira) – Visita guiada à guiada à UC e espaços envolventes, incluindo aspectos históricos, científicos e pedagógicos.

13h:00 – 13h:30 (sábado) - Considerações finais sobre a avaliação dos formandos.

CORRUPÇÃO NA UNIVERSIDADE

Endogamia, omertá e corrupção universitária (Andrés Betancor, Catedrático de Direito Administrativo, Universidade Pompeu Fabra, Barcelona):

MUSEU NACIONAL MACHADO DE CASTRO NO FACEBOOK

O Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra tem uma muito interessante página no Facebook. mantenha-se a par de tudo o que por ali se vai passando: aqui.

A CIÊNCIA E A CRISE ECONÓMICA


PLACEBO; UM EFEITO MISTERIOSO

Hoje começa no Porto o 11.º Encontro da Fundação Bial, desta vez dedicado ao efeito placebo, um assunto ainda misterioso em medicina e farmácia. Ver aqui.

O PRÉ-ESCOLAR FAZ A DIFERENÇA?


Sim, faz. Ver aqui.http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2016-03-26-O-pre-escolar-faz-a-diferenca-

O ANO DA LUZ CONTINUA


Rankings por áreas das Universidades portuguesas

Segundo o QS World University Rankings na área da Física e Astronomia a Universidade de Coiimbra está no Top350. As Universidades de Coimbra e de Lisboa (esta juntando a Faculdade de Ciências e o Técnico) são as únicas universidades portuguesas no top nessa área. Esta posição contrasta de forma gritante com a intenção da anterior direcção da Fundação para a Ciência e Tecnologia  - FCT, conluiada com a European Science Foundation (ESF), de acabar com a investigação em Física em Coimbra. Curiosamente o chefe do painel da "avaliação" para todas as ciências exactas é de uma Universidade britânica, a Open University, sem lugar nos rankings. Isto é, como alguém disse na altura, a FCT mandou vir vir árbitros da 3.ª divisão inglesa arbitrar jogos da 1.ª divisão portuguesa. Já agora em Direito, a Universidade de Coimbra aparece no Top200, sendo considerada a melhor universidade portuguesa nessa área. Mais uma vez em claro contraste com a avaliação da FCT-ESF.

Esclareça-se que uma parte importante deste ranking assenta na informação bibliométrica. Como se sabe a FCT e a ESF ignoraram na prática essa informação, apesar de dizerem que era uma peça essencial do processo. Para além da informação bibliométrica do Scopus e SCI, está a ganhar cada vez mais adeptos a informação do Google Scholar. Uma consulta a qualquer uma delas, ou a todas em conjunto,mostra a falta de profissionalismo (para não dizer mesmo de ética) dos anteriores dirigentes da FCT.

HISTÓRIA DA FÍSICA EM PORTUGAL

O que diz José Guerreiro Murta no livro "Educação Científica" (Sá da Costa, 1931) sobre a Física em Portugal? Que é a disciplina científica mais pobre do país.

"É este o ramo da história da Ciência Portuguesa que mais pobre de sábios se apresenta, tanton nos séculos passados como no actual. No entanto, há ainda alguns nomes dignos de registo:

Lacerda Lobo, João Jacinto de Magalhães, Parada Leitão, Fonseca Benevides e Almeida Lima"..

São só 5 nomes, número que contrasta com os 13 da Matemática e com os 20 da Química!


GOOGLE ACADÉMICO: PERFIS ACTIVOS POR INSTITUIÇÃO

O ranking de citações por cada instituição poder ser visto clicando aqui:



Universidade de Lisboa (1967 perfis activos)
Universidade do Porto 
(1102)
Universidade de Coimbra (814)
Universidade Nova de Lisboa (740)
Universidade de Aveiro (739)
Universidade do Minho (725)
ISCTE (271)
UAlgarve (232)
UBeira Interior (192)
IPolitécnico do Porto (165)
UÉvora (140)
UTAD (135)
IPLisboa (124)
UAçores (106)
IPCoimbra (102)
Instituto Gulbenkian (86)
IPBragança (78)
IPLeiria (76)
UCatólica (63)
UMadeira (54)
IPCastelo Branco (49)
Fundação Champalimaud (48)
ULusófona (43)
IPViseu (37)
UF.Pessoa (37)
IPSetúbal (36)
LNEG (28)
IPViana do Castelo (25)
LNEC (25)
IPGuarda (22)
ULusíada (22)
IPTomar (19)
IPCA (17)
UAutónoma (12)
IPBeja (11)
IPSantarém (9)
IPPortalegre (9)
UPortucalense (8)

Os telemóveis são uma inevitabilidade na escola?

Imagem retirada daqui
Abaixo pode ler-se a tradução e adaptação realizada por Joana Branco de um um texto intitulado Como lidar com o uso de telemóveis em sala de aula, assinado por Ben Johnson e publicado num sítio designado por Edutopia (aqui).

O seu conteúdo é bastante paradoxal, mas traduz bem o que se vai dizendo sobre a presença dos telemóveis na escola: provocam distracção, isso é certo, mas se foram tirados aos alunos eles ficam num tal estado de ansiedade que acabam por perturbar a aula; o esforço para um professor tirar um telemóvel é tal que não valerá a pena incomodar-se. E, claro, depois, há os pedagogos que afirmam tratar-se de uma excelente "ferramenta educativa". Importa pensar nisto tudo: no modo como se aprende (a nossa capacidade de aprendizagem não vai além da resolução de uma tarefa de cada vez); no modo como nos relacionamos ("encafuados" em nós ou dando alguma atenção aos outros e ao conhecimento que nos podem proporcionar), à função e ao papel do professor (tolerar tudo o que a sociedade decide impor-lhe ou assumir o dever de educar) e, sobretudo, na função da escola (temos claro qual ela seja?).
Quando questiono os alunos sobre a dependência dos seus telemóveis, invariavelmente, respondem-me “o telemóvel é a minha vida”. 
Tenho dificuldade em entendê-lo, mas talvez esta adição seja comparável, nas gerações mais velhas, à dependência do walkman
Os alunos usam convenientemente os telemóveis para se “desligar” do que não lhes interessa. Alguns argumentam que estudam melhor com música, e não adianta argumentar que, na verdade, o cérebro não consegue focar-se em mais do que uma tarefa em simultâneo. Existem, inclusivamente, no mercado, camisolas com capuz com auriculares embutidos, de modo a que os alunos possam “barricar-se” do mundo, com poucas chances de serem detetados.  
O Frenesim das Sms 
[Enquanto professor] está cansado de ver os alunos a trocar mensagens entre si estando sentados lado a lado? LOL. E o que dizer do aluno astuto que consegue tirar apontamentos enquanto responde a mensagens sob a secretária? Está frustrado pela linguagem incorreta e os erros ortográficos que ressaltam dos trabalhos académicos?
Sabia que o número médio de sms entre jovens é de cinco mil por mês? Alguns alunos suplantam mesmo este número. 
Acatando a Realidade 
Os telemóveis nos estabelecimentos de ensino são uma inevitabilidade. Assim sendo, os professores devem abraçá-la ou aplicar, no seu extremo, a política de “se vejo um telemóvel, fico com ele!”? Como pode um professor controlar dezenas de alunos? Vale a pena o aborrecimento que tal certamente acarreta? 
Não há respostas fáceis a tamanha celeuma. O que quer que se decida é um desafio. Talvez o melhor a fazer seja cada professor desenvolver as suas próprias regras de utilização do telemóvel. Caso o docente opte pela permissão do seu uso, os alunos terão de entender de antemão que tal deverá apenas cumprir um propósito educativo, tendo de se sujeitar a constantes vigilâncias (o que também se aplica aos tablets). 
Optando por uma tolerância 0 
Estabelecer que não se permite o uso dos telemóveis requer, primeiramente, um conhecimento dos órgãos de gestão. Serão também inevitáveis as constantes advertências, aliadas à necessidade de conduzir a aula de modo ativo, para que os alunos não caiam na tentação de dar uma olhadela nos visores dos dispositivos.
A verdade é que o uso de telemóveis pode tornar-se num verdadeiro problema de indisciplina e de gestão de aula se as regras não forem devidamente esclarecidas desde o primeiro dia.

NOSTALGIA DA LUZ

Documentário que já chegou a Portugal.

terça-feira, 29 de março de 2016

CIÊNCIA EM PORTUGAL EM 1931


Comprei recentemente num alfarrabista o livro "Educação Científica", n.º 6 da colecção "Estudar é Saber", da Livraria Sá da Costa, da autoria de José Guerreiro Murta, professor do Liceu de D. João de Castro, com prefácio datado de 8 de Dezembro de 1931.

Ilustrativo da grande mudança de tempos desde então é o capítulo "Os Sábios devem casar?" O autor, após citar várias autoridades  antigas (Sócrates, Sócrates, Miguel Ângelo), que defendem o celibato dos sábios, opina que o sábio deve casar. Mas, para o Dr. Murta, "a maioria das mulheres não lhe podem servir. A sua escolha não pode ser norteada pelo critério vulgar". Depois de partilhar a opinião de Molière ("Je n'aime pas les femmes docteurs; les femmes docteurs ne son pas de mon goût"), escreve: "convém que a mulher  do especialista esteja à altura de compreender a sua paixão pela ciência e de bom grado renuncie aos prazeres fúteis da vida mundana, sentindo até deleite, e uma espécie de orgulho, em passar junto de seu marido, num ambiente de trabalho, as horas que as suas amigas dedicam ao espelho e ao chás. Esta simpática dedicação dará ao sábio alento e conforto espiritual nas lides mais agrestes das suas investigações científicas". E acrescenta: "Na Inglaterra, na França e nos países do Norte abunda este tipo de mulheres", subeentendendo-se que não as há em Portugal.  O autor é claro:  "De psicologia, de gostos, de tendências e sentimentos quase iguais aos seus, a mulher do sábio deve ser dotada de um grande espírito de sacrifício." Imagine-se agora se o autor pudesse vir cá hoje e verificar que a maior parte dos cientistas são mulheres!

O livro termina assinalando a falta de sábios em Portugal:

"Todos os países têm contribuído mais ou menos com a sua quota parte para o progresso científico. Portugal, apesar da sua pequenez, tem também juntado algumas pedras a esse grandioso monumento - a  Ciência". Os Portugueses, mais poetas do que sábios, mais fantasistas e sentimentais do que experimentadores realistas, têm brilhado mais no capo literário do que no campo científico."

Entre as excepções que confirmam a regra, o Dr. Murta enumera alguns cientistas lusitanos numa ordem que não é explicada. É curioso reparar naqueles que não têm sido lembrados de 1931 para cá e aqueles cuja memória persiste:

- Pedro Nunes*
- Correia da Serra*
- Avelar Brotero*
- Carlos Ribeiro*
- Ferreira Lapa
- Silvestre Bernardo Lima
- Ferreira da Silva*
- Pereira Coutinho
- Carlos França
- Aníbal de Betencourt
- Leite de Vasconcelos
- Gomes Teixeira*
- Estêvão Pereira da Silva
- Egas Moniz*
- Ildefonso Gomes
- Mark Atias*
- Joaquim de Carvalho
- Mendes Correia*

* Nomes referidos na minha "História da Ciência em Portugal" (Arranha-Céus, 2014).

O DEPUTADO DA NAÇÂO


Jesuits. Builders of Globalization


The Portuguese Post (CTT)  have just issued an edition on stamps on the Jesuits, which emphasizes the role of Portuguese  jesuits in the globalization process. In  the image Father António Bieira, who lived between Brazil and Portugal. Below, the text, in the brochure which goes with the edition. A beautiful "coffee-table" book book is due soon:

The arrival of the Society of Jesus in Portugal, in 1540, was one of the most significant events in Portuguese culture. In parallel with intercontinental missionary efforts, within just a few decades the Order, founded by Ignatius of Loyola, created a network of secondary education institutions, called colleges, and universities (it established the second Portuguese university, in Évora, in 1559). The Jesuits created the first education network in Portuguese history, based on a new teaching methodology and with links to learning institutions governed along the same lines in various parts of the world. The Jesuit colleges in Portugal, numbering thirty by the time the Society was expelled by the Marquis of Pombal, were spread across the major Portuguese cities, including Madeira and Azores and overseas Portuguese territories. When the Jesuits returned following that expulsion, and the others that followed, the Society's commitment to education, culture, and science continued to leave its mark on Portuguese history. An example is the Colégio de São Fiel, which was founded in the 19th century and attended by the first Portuguese Nobel prizewinner, Egas Moniz. It was also the founding site of the journal Brotéria, which is still being published today.

The Order of Saint Ignatius had a significant influence on Portuguese culture and society, educating figures who would leave behind significant works in various fields and help mould a true Portuguese identity. Five of these figures are highlighted below.

Saint Francis Xavier is particularly worthy of mention. Originally from Navarre, he became the first great missionary to the East during the time of the Padroado Português do Oriente (Portuguese Patronage of the East), and he is venerated in both Portugal and Asia. Xavier was a leader who attracted a multitude of followers. The great "Apostle of the Indies", as he was known, was fundamental in spreading Christianity to Asia and, notably, was a pioneer in the evangelisation of Japan. A founding member of the Order, he was central to the construction of an institution whose mission was global right from the outset.

Saint John de Brito was a 17th century missionary and martyr who lived in the Indian subcontinent. He developed a method of evangelisation that was based on acculturation, meaning he sought to adapt the Christian message to the local culture. Today there is a notable college in Lisbon that bears his name.

Father António Vieira also rose to prominence in the 17th century, in the New World. Dividing his time between the jungle and the court, he built bridges between the European and Amerindian civilisations. He became the great missionary of the Americas, his sublime preaching skills attracting large crowds. He also left a vast body of work of great literary value, with ideas ahead of his time. These works have just been published in 30 volumes by Círculo de Leitores. As well as elevating the Portuguese language to a level of perfection never before seen in prose (Fernando Pessoa had no doubts in bestowing him with the status of “Emperor of the Portuguese Language”), his prophecies, his political, social, and ecclesial reform projects, and his protests against the excesses of the Inquisition and the slave trade, continue to resonate even today.

A notable figure of more recent times is Father Manuel Antunes, director of Brotéria and professor at School of Humanities of the University of Lisbon, whose extraordinary classes were attended by thousands of students over the years. Considered one of the foremost Portuguese thinkers of the 20th century, he left behind a vast and varied body of work, which was recently collected and published in 14 volumes by the Gulbenkian Foundation. In his essays, he debated with great contemporary thinkers, modernising the language of culture in a manner that was both clear and profound. After the 1974 revolution, his book Repensar Portugal (Rethinking Portugal) made him an educator for the new Portuguese democracy.

Lastly, the late Father Luís Archer, also director of Brotéria and professor at the School of Science and Technology of the New University of Lisbon, who was a leading figure in Portuguese science. He was a pioneer in the teaching and research of molecular genetics and genetic engineering. He set up and directed the first Gulbenkian laboratory in this field, having educated generations of scientists. He chaired the National Ethics Committee for several years and wrote notable works on bioethics. His complete works are being published by the Gulbenkian Foundation.



José Eduardo Franco and Carlos Fiolhais

Jesuítas, Construtores da Globalização




No dia 18 de Março, os CTT - Correios de Portugal lançaram uma emissão filatélica dedicada aos «Jesuítas, construtores da globalização». É uma emissão de quatro selos e um bloco filatélico, com trabalho gráfico de Design&etc. Em breve sairá um livro dos CTT com o mesmo título da autoria de José Eduardo Franco e Carlos Fiolhais. Transcrevo o texto da pagela que acompanha a edição filatélica.

A entrada da Companhia de Jesus em Portugal, em 1540, constituiu um dos eventos mais assinaláveis da nossa cultura. Em paralelo com o esforço missionário intercontinental, a Ordem fundada por Inácio de Loyola ergueu entre nós, em poucas décadas, uma rede de instituições de ensino secundário, chamadas colégios, e universidades (criou a segunda universidade portuguesa, em Évora, em 1559). Com base numa metodologia de ensino nova, os Jesuítas criaram a primeira rede de ensino da nossa história que se ligava com instituições de ensino regidas pelo mesmo método em diversas partes do mundo. Os colégios portugueses dos Jesuítas, que chegaram a ser trinta antes da expulsão da Companhia pelo Marquês de Pombal, estavam distribuídos pelas mais importantes cidades do país, passando pelas ilhas e pelo mundo ultramarino português. Com o regresso dos Jesuítas, após as expulsão e outras que se seguiram, a aposta da Companhia na educação, na cultura e na ciência continuou a deixar marcas na história portuguesa. Refira-se o Colégio de São Fiel, fundado no século XIX, onde se formou o primeiro Nobel português, Egas Moniz, e se fundou a revista Brotéria, que continua a ser publicada.

A Ordem de Santo Inácio exerceu uma forte influência na cultura e da sociedade portuguesas, formando figuras que deixaram obra relevante em várias áreas e que contribuíram para a modelação da identidade portuguesa. Destacamos cinco dessas figuras.

Merece relevo maior São Francisco Xavier, de origem navarra, que se tornou, no Padroado Português, no primeiro grande missionário do Oriente,  muito venerado em Portugal e no Oriente. Xavier foi um líder que moveu atrás de si multidões. O grande “missionário da Índia”, nome por que ficou conhecido, foi fundamental no desbravamento de caminhos para implantar a cristianização na Ásia, sendo de realçar o seu pioneirismo na evangelização do Japão. Membro fundador da Ordem, foi o grande construtor de uma instituição que se afirmou desde o início como global.

São João de Brito foi, ainda no século XVII, um missionário mártir no subcontinente indiano, após ter desenvolvido uma evangelização aculturacionista, isto é, uma missionação que procurava um intercâmbio entre a mensagem cristã e a cultura local. Existe hoje um Lisboa um colégio de referência com o seu nome.

No Novo Mundo, afirmou-se no século XVII o Padre António Vieira, que, vivendo entre a selva e a corte, ergueu uma ponte entre as civilizações europeia e ameríndia. Tornou-se o grande missionário da América, um pregador exímio que fez transbordar auditórios e que deixou uma vasta obra de grande valor literário e contendo pensamento avançado para a época, que acaba de ser publicada no Círculo de Leitores em 30 volumes. Além de ter elevado a língua portuguesa a uma perfeição nunca antes alcançada em prosa (Fernando Pessoa não teve dúvidas em elevá-lo ao estatuto de “Imperador da Língua Portuguesa”), as suas profecias, os seus projectos de reforma política, social e eclesial, os seus protestos contra os excessos da Inquisição e dos esclavagistas continuam hoje a ser uma lição.

Nos tempos mais recentes cumpre destacar a figura do Padre Manuel Antunes, director da Brotéria e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, por cujas extraordinárias aulas passaram milhares de alunos. Considerado um dos maiores pensadores do século XX português, deixou uma obra imensa e variada que foi há poucos anos reunida e publicada em 14 volumes pela Fundação Gulbenkian. Dialogou nos seus ensaios com os grandes pensadores contemporâneos, actualizando a linguagem da cultura de uma forma tão diáfana como profunda. No pós 25 de Abril, o seu livro Repensar Portugal tornou-o um pedagogo da nossa democracia.

Por último, recentemente falecido, Luís Archer, também director da Brotéria e  professor da Universidade Nova de Lisboa, é um nome maior da ciência nacional. Foi um dos pioneiros do ensino e da investigação em Genética Molecular e em Engenharia Genética.  Organizou e dirigiu o primeiro laboratório da Gulbenkian nesta área, tendo formado gerações de cientistas. Durante muitos anos presidiu ao Conselho Nacional de Ética, tendo escrito obras de referência em bioética. A sua obra completa está a ser publicada  pela Fundação Gulbenkian. 


José Eduardo Franco e Carlos Fiolhais

Minha entrevista ao Saber Viver Lisboa TV

Minha entrevista a Daniela Gonçalbves epublicada em www.sabervivertv.wordpress.com e no seu canal homólogo, no YouTube. 

LINKS NO YOUTUBE:







Daniela Gonçalves
Coordenadora - Saber Viver Lisboa TV

segunda-feira, 28 de março de 2016

"Quantum" de Gilles Robain

Estreia em Portugal na sexta-feira à noite no Rivoli do Porto: 
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Uma experiência emocionante, nas palavras de Jobin, que acabou por injetar fisicalidade humana à abstração do espaço e tempo, concebendo uma impressionante escultura de luz.

 “Quantum” é o resultado de uma residência artística no maior laboratório físico de partículas do mundo: o CERN de Genebra, na Suíça. Durante a residência, o coreógrafo suíço Gilles Jobin aprendeu que todos flutuamos no espaço mas que a gravidade foi a força mais fraca do universo – um verdadeiro choque para um bailarino e coreógrafo contemporâneo cujo trabalho se centra, em grande medida, no contacto com o solo.  Sob a bandeira do Bosão de Higgs, o encontro foi uma colisão artística de grande energia. Artistas no meio de cientistas, o coreógrafo e artista visual totalmente imerso num universo de números e abstrações durante meses. Composta por quatro lâmpadas balançando num movimento circular constante, a instalação destaca as principais leis da física e responde a flutuações imperceptíveis, onde os bailarinos e as luzes se fundem num objeto peculiar, misturando dança, artes visuais e ciência num espetáculo imperdível.

 Gilles Jobin ficou conhecido internacionalmente a partir da sua primeira coreografia para três intérpretes “A+B=X”, criado em 1997 em Lausanne, e apresentado dois anos mais tarde no Festival de Montepellier. Mudou-se depois para Londres, onde estreou “Macrocosm” no Place Theater. Em 1999, produziu “Braindance”, tendo sido o espetáculo de abertura da temporada 2000-2001 do Théâtre de la Ville de Paris. As suas direções artísticas mais radicais e o seu reconhecimento internacional fizeram dele o percursor de uma nova geração de coreógrafos europeus, tendo criado e estreado vários espetáculos, de então para cá, nalguns dos mais reconhecidos teatros e locais mundiais. Em 2015 recebeu o Grande Prémio de Dança na Suiça pelo seu contributo ao desenvolvimento da dança contemporânea. Para além das suas próprias produções, criou a sua própria companhia, com sua sede no Studio 44 em Genebra, um espaço pioneiro de reconhecimento da dança contemporânea em dança na Suíça. Um centro de extrema importância para a formação e residência de jovens intérpretes.

(Informação recebida do Rivoli)