quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A que se deve o facto de sermos o país que mais subiu no PISA?

Desde o início deste século que os sistemas de ensino do vasto espaço que é a OCDE e do espaço mais restrito que é a UE se têm concentrado cada vez mais na preparação dos alunos para mostrarem resultados nos programas internacionais de avaliação, nomeadamente o PISA e o TIMSS.

Os currículos são aferidos pelas opções que dão forma a esses programas: tem valor o que eles medem, perde valor o que não medem. As políticas educativas são julgadas pelos resultados e mudam-se em função disso mesmo. 

Estas evidências e outras levam-me a ter cada vez menos simpatia por tais programas. 

Posto isto, não posso deixar de registar a subida dos resultados académicos dos nossos alunos - em ciências, matemática e língua materna - que foram divulgados na passada semana, do TIMSS, e nesta semana, no PISA.

A que se deve isso? A que se deve o facto de sermos o país que mais subiu no PISA? 

Não certamente apenas e só às políticas e às mudanças curriculares, que é o que sobressai nas notícias nacionais e internacionais, mas também, e talvez sobretudo, ao trabalho dos professores que, muitas vezes em condições adversas, não desistem de ensinar.

4 comentários:

  1. http://tempoderecordar-edmartinho.blogspot.pt/2016/12/aos-professores-o-que-e-dos-professores.html
    Aprecio muito os seus "apontamentos".

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  2. Os estudos do PISA apontam as causas (em função das variáveis que são medidas), não há surpresas. É só ler os documentos. Claro que andamos num mundo em que a verdade não conta e cada um diz o que quer dizer. A reportagem do jornal espanhol ABC é realmente inenarrável. Dizer que "... la eficaz reválida externa a los alumnos y de la adecuación de los profesores a unas cotas de objetivos predeterminadas. ... Sólo así se explica que el país vecino, tradicional inquilino del furgón de cola en el sector, haya experimentado una mejora considerable en todos los indicadores del sistema" é mesmo de uma ignorância estonteante. Nem estes alunos avaliados no PISA tiveram Metas Curriculares nem tiveram mais exames do que os que já existiam antes (9º ano apenas). Não se devia inventar, está tudo nos relatórios do PISA...

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  3. Senhor Professora Helena Damião:
    E caros leitores do blogue, também.
    Como é evidente, as melhorias, que vêm desde há pelo menos década e meia, ficam a dever-se a vários factores:
    - À forte aposta do Estado na Educação nos últimos 20 anos, depois de outra aposta anterior, a escolaridade obrigatória até ao 9.º ano, esta nos anos 80. Por muito desperdício que possa ter havido, a despesa em Educação cresceu muito, para valores próximos da média europeia e da OCDE, e isso só poderia ter efeitos positivos;
    - À pressão mediática sobre a Escola;
    - Ao empenho das famílias;
    - À melhoria da formação dos professores;
    - Ao empenho dos professores (que são essenciais);
    E as melhorias só não foram maiores porque a Escola foi eleita como palco de uma luta político-partidária sem quartel: em que se quis, à força, resultados de curto prazo. E, também, de uma luta ideológica sem quartel e sem fronteiras.
    Isto quando se trata, precisamente, de uma área em que (e vou usar uma metáfora agrícola) é preciso semear, tratar bem, e com serenidade, as plantinhas, para se colher frutos a médio e a longo prazo. E, de preferência, sem ventos fortes, muitas tempestades, tornados, secas violentas, etc.
    A notícia do jornal conservador ABC é a melhor prova da luta ideológica geral, de que a luta político-partidária é o seu instrumento no terreno.
    Estes resultados do PISA (tal como os anteriores do TIMSS) deixaram, internamente, bastante atarantados os defensores de que na Escola nada se aprende, de que os alunos são cada vez mais ignorantes, isto é, os anti-eduquêses: que tiveram como Papa o senhor Guilherme Valente e como mestre de cerimónias o senhor Crato (o que queria fazer implodir o Ministério da Educação).
    Ainda bem que veio um órgão externo, «independente», um jornal espanhol da sua área ideológica, atribuir-lhes os louros pela sua acção de implosão, pelas medidas que tomaram para reconduzir o rebanho educativo para o bom caminho.
    Acontece que, só muito marginalmente, os alunos que fizeram as provas purificadoras que o senhor Crato instituiu (exames e metas) foram submetidos a este PISA.
    A realidade às vezes teima em encaixar-se nas concepções ideológicas: é muito teimosa, a realidade.
    Outra vertente mais soft desta disfunção operativa entre a realidade e as convicções é a manifestada pela autora do post: desvalorizando este instrumento de avaliação comparativa internacional.
    Só que aqui surge mais outro problema, outra disfunção operativa: a justificação que este sector político-ideológico apresentou para tomar as medidas que tomou era, precisamente, os nossos maus resultados no PISA e no TIMSS.
    Em que ficamos, Prof.ª Helena Damião?
    Em que ficamos, senhor Crato? Já se esqueceu do que disse no Plano Inclinado? Ao jornalista Mário Crespo?
    Decidam-se, estes resultados do PISA contam ou não contam?
    Se não contam, tudo bem: é preciso arranjar outros instrumentos, tratem já de criar uns de vos dêem os resultados que pretendem.
    Mas se contam, de certeza que não contaram com a vossa «boa acção», que se manifestou, especialmente, em favor dos colégios privados com contrato de associação (redundantes em muitos sítios onde havia escolas de qualidade, p. ex. Grupo GPS nas Caldas da Rainha e em Coimbra), a quem deram milhões em prejuízo da Escola Pública estatal (o vosso alvo a abater). E em prejuízo dos alunos mais fracos, que precisam de mais ajuda, que os senhores quiseram escorraçar da Escola aos 12 anos, empurrando-os para as profissões.

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