domingo, 31 de julho de 2016

A ciência quer-se sem limitações: Porto Biomedical Journal

Post convidado de Jorge Félix Cardoso:

Há cerca de duas semanas o website Vox lançou os resultados de um inquérito, realizado junto da comunidade científica, que pretendia saber quais os maiores desafios que a ciência enfrenta. Entre os sete problemas elencados estão dois que, para mim, se revestem de uma extrema importância: há demasiadas barreiras no acesso à ciência, e comunicação da ciência é geralmente muito pobre. Estes são problemas que têm um impacto social enorme, pois excluem da informação científica mais atualizada aqueles que, apesar de terem interesse, não têm possibilidades financeiras ou culturais para lhe aceder.

O conhecimento é um bem universal e, como tal, não deve ser vedado a ninguém. Foi essa a filosofia que levou à criação da Porto Biomedical Journal (PBJ), uma revista biomédica generalista que pretende alterar o paradigma da publicação científica e da divulgação do conhecimento.

Enquanto revista científica, a PBJ adopta o formato diamond open-access. Para aqueles que não estão familiarizados com a terminologia, isto significa que tanto os leitores como os investigadores não têm qualquer custo para participar neste processo de transmissão do conhecimento. A submissão, a publicação e a leitura são atividades gratuitas para todos - só assim faz sentido divulgar o conhecimento, colocando fasquias apenas relativamente à qualidade dos trabalhos e não à capacidade financeira de quem publica e lê.

Como projeto, a PBJ é muito mais que uma revista. O nosso ideal de Ciência livre inspira-nos a trabalhar também em dois outros eixos: a divulgação científica e a pedagogia, áreas extremamente importantes para a evolução da nossa sociedade. Relativamente à divulgação, está já em preparação um projeto com a Câmara do Porto para levar a ciência à população, e o objetivo é alargar o âmbito a todo o país. A pedagogia funcionará, numa primeira instância, aliada a instituições científicas de renome no país, promovendo a educação junto de diferentes faixas etárias e setores da sociedade.

A ciência portuguesa é um exemplo de perseverança e de optimização dos (parcos) recursos de que dispõe. Após tamanha pressão evolutiva, podemos afirmar que sobrevivem instituições com recursos humanos capazes de ombrear com as maiores instituições a nível mundial. Para que se cumpra este potencial, é necessário um veículo que atraia reconhecimento e, consequentemente, mais recursos. Enquanto projeto, a PBJ quer ter uma escala internacional sem nunca esquecer as suas origens, pelo que se dispõe a ser o veículo que amplifica a boa ciência nacional junto de um público mais alargado.

Contando com a ajuda de toda a comunidade científica, este será certamente um projeto a acompanhar nos próximos anos. É um projeto que surge de necessidades concretas e que dá as respostas justas. Tal como disse Henri Poincaré, “On fait la science avec des faits, comme on fait une maison avec des pierres; mais une accumulation de faits n'est pas plus une science qu'un tas de pierres n'est une maison.”. É hora de ligar os factos e de disponibilizar os resultados. Porto Biomedical Journal: where Science meets Knowledge.

O projeto pode ser acompanhado através da plataforma ScienceDirect (http://www.sciencedirect.com/science/journal/24448664), do seu site (portobiomedicaljournal.com) ou, numa vertente mais social, através do seu Facebook (http://www.facebook.com/portobiomedicaljournal)

Referências:


Jorge Félix Cardoso: (PBJ)



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