sábado, 14 de maio de 2016

"Isso é o que tu dizes!"

Na sequência do texto Designação, precisa-se, um extracto de um artigo do filósofo espanhol Fernando Savater, recentemente publicado no jornal El país on line.
Diz-se constantemente que o ensino deve ser "crítico". Nada de memória, nada de encher a cabeça de informações (encontram-se na internet!), nada de o professor falar do estrado e de os alunos tomarem notas em silêncio, nada de disciplinas sem relação com a vida quotidiana (como matemática, história ou gramática) e nada de supor que um é que sabe e os outros não. 
A crítica antes de tudo! A aprendizagem deve ser crítica, mais crítica do que aprendizagem! 
E o que é que se deve aprender? Pois, aprender a aprender, a ser crítico com o que se pretende ensinar. 
Quando o professor antiquado profere como irrefutável qualquer declaração antiquada como, por exemplo, "Paris é a capital de França", o aluno deve replicar com um certeiro "Isso é o que tu dizes!" Será desconcertante… 
Abracei esta rebeldia até me dar conta de que os críticos mais contundentes são aqueles que melhor aprenderam aquilo que criticam. 
Por mais plácido que seja o seu humor, os que sabem aritmética não suportam que se diga que dois mais dois são cinco. E têm as suas razões. 
São precisamente essas razões que devem ser ensinadas na escola, porque são elas que dão suporte e sentido ao espírito crítico, que não é simples ânsia de contradição. 

1 comentário:

  1. Chame-lhe engenharia social. Uma aprendizagem crítica, implica que se faça o telhado antes das paredes. Ainda antes de sabermos o objectivo, recebemos logo um jorro ideológico. Depois admirem-se do crescimento do nacionalismo conservador.

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1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.