domingo, 17 de abril de 2016

ARMAS: FÍSICO, DIVULGADOR, INSTALADOR, MÚSICO E ESCRITOR



Nascido em 1985 na cidade da Horta, nos Açores, Jácome Armas  é um físico actualmente pós doc na Universidade de Bruxelas, que trabalha na relação entre propriedades de buracos negros e as de alguns sólidos elásticos e fluidos viscosos.  Antes foi pós-doc na Universidade de Berna (a cidade onde viveu Einstein), após o doutoramento em Física Teórica na Universidade de Copenhaga, no famoso Instituto Niels Bohr  sobre  electroelasticidade a partir da gravidade. Antes ainda tinha feito o curso de Engenharia Física na Universidade de Aveiro e um mestrado na Universidade de Cambridge.
Portanto, um percurso brilhante de um dos jovens cientistas portugueses (já conta com vários artigos em revistas de impacto). Tem-se distinguido na comunicação de  ciência  (recebeu, por exemplo, o prémio Genius de comunicação de ciência, atribuído pela associação dinamarquesa de jornalistas de ciência), e fundou o Science and Cocktails, uma conjunto de conferências públicas onde a ciência surge  misturadas com arte e... cocktails. Prepara um livro sobre entrevistas com especialistas em gravidade quântica, um dos temas de fronteira da física contemporânea.

Mas Armas é também um artista. É o autor de várias instalações e de desenho de som. E é músico no grupo  açoriano “O Experimentar Na M’incomoda”.

Como se fosse pouco, é autor de  “Conjunto Homem” (Companhia das Ilhas, 2014) um  livrinho de escrita literária de inspiração filosófica sobre temas de ciência (estruturado como um tema científico, com Lemas e Exemplos) que ganhou o 2.º prémio no concurso açoriano Labjovem 2009 e que esteve patente na feira do Livro de Frankfurt.  A obra trata o confronto entre o racionalismo e o newage e é apenas o primeiro volume de uma trilogia. A Companhia das Ilhas é uma editora açoriana que tem publicado, na ficção, autores como António Cabrita e Valério Romão, na poesia, Luís Carlos Patraquim e Nuno Costa Santos, e, no teatro, Jaime Rocha e Tiago Rodrigues (não o ministro, obviamente, mas o director do Teatro Nacional).


Para dar o sabor da escrita de Armas, deixo o início deste seu livro.  Só foram editados 100 exemplares  e eu tenho um!

“Da Natureza para o Homem
Caro Homem, disse a Natureza, sabias que o teu maior erro foi teres inventado o espelho?
(E o Homem sentiu-se estúpido, não sabia.)

Mas não, disse a Natureza.
 (E o Homem sentiu-se ainda mais estúpido: tinha sido enganado).

Então a Natureza disse: o teu maior erro foi teres coberto o Mundo com espelhos Agora, sem te aperceberes, sempre que olhas pela janela e tentas pintar o que vês, acabas por pintar-te a ti próprio. No fim ainda levantas o quadro e dizes: O Mundo.
 (O Homem ouviu, calou-se e saiu convencido de que ia provar à Natureza que era capaz de ver o Mundo e todas as suas cores.
(Até hoje o Homem falhou).”

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