terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

"Junta o dinheirinho"

Este é um comentário ao texto "Poupança, mothafucka!" de Ricardo Araújo Pereira, de alguém que se identifica como mãe:
"Se ouvisse as miúdas todas da escola da minha filha a cantar isso ["A dança da poupança"] em coro e a debater quem sabia melhor a letra (porque há lá umas partes que não são percetíveis à primeira) já não dizia que essa música não atrai as crianças... Eu, que a acho profundamente irritante aos ouvidos e tenho de gramar com um "não mudes mãe, não mudes" quando ela passa na rádio, estou perfeitamente convencida do seu sucesso junto da "malta nova"... Como o dinheiro ainda é meu e a música em causa não me seduz, a "malta nova" lá de casa não vai ter conta poupança no banco publicitado..."
Enganosamente integradas na "Educação para a cidadania", com a legitimação da Direcção Geral da Educação, e a alegre concordância de directores, professores e pais, este tipo de "actividades divertidas" chega às crianças, formatando-as, desde cedo, em função de interesses óbvios de grupos particulares.

A educação escolar deixa de ser educação e passa a ser doutrinamento descarado.

Como é possível que o Estado e as escolas, que deviam pugnar pelos mais elevados níveis de educação possível, permitam que "canções" como esta, com a chance de um bando que, enfim, toda a gente sabe em que apuros está, chegue às nossas crianças!?

Quem é que é que disse que poupança não é coisa se criança?
Quem é que é teve essa ideia errada, atrasada?
Até parece uma piada, mas é feia.
A poupança é p’á criança, bébé.
E quem te dá a dica é aqui o sempre em pé.
Chama-se Silver MC, já domino o ABC,
Por isso vou rimar para aprenderes a poupar.
Sente o beat.  
Sente o balanço.
Entra na dança.         
É a dança da poupança.
Sente o beat.  
Escuta e vê.
Entra na poupança.
Com o Silver MC
Faz como eu faço.
Este é o primeiro passo:
Junta o dinheirinho
Pode ser poucochinho.
E depois?
O que é que vais fazer?
Continuar? Sim! A poupar? Sim!
Fácil! É o segredo p´a render.
A poupança tem swag.
Qual o passo que se segue?
Não parar. Nem pensar em parar.
Não parar. Nem pensar em parar.
Sente o beat.  
Sente o balanço.
Entra na dança.         
É a dança da poupança.
Sente o beat.  
Escuta e vê.
Entra na poupança.
Com o Silver MC
Teah! Silver MC está na casa.
Tu até podes ser uma criança
Mas já tens o feeling da poupança.
Tens o flow e a batida.
E agora também tens uma conta p´ra vida.
É p’a estudar, é p’a brincar, é p’a comprar
É p´ra isso que começas a poupar.
Sabes bem: o futuro é amanhã.
Silver MC é o meu nome. Hã?
O que acontece a seguir?

E continua o refrão...

3 comentários:

  1. O meu filho, quando andava no 2º ciclo e chegava a altura das notas, de final de período ou de ano), dizia sempre: o meu problema “são as educações”. Não tinha problemas com o Português, a Matemática, as Ciências, a Língua Estrangeira…, o problema eram as "educações" que, pelos vistos continuam a multiplicar-se e a fazer inchar os horários escolares para desesperos de muitos dos nossos jovens. Da minha experiência de pai e professor, mas também de alguma reflexão e estudo, há muito que conclui que nem todas as actividades, nem todas as aprendizagens, nem todas as vivências, que a escola obrigatoriamente deve proporcionar aos jovens, devem ser transformadas em disciplinas. Em muitas áreas é mesmo contraproducente, funcionando mais como vacina, como antídoto do efeito ou aprendizagem pretendida, quando não à própria escola.

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  2. Quais as "actividades, as aprendizagens, as vivências" que não devem ser transformadas em disciplinas?


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    1. Defendo que a resposta ao meu comentário anterior, por parte do Professor Fernando Caldeia, seria um tema interessante de debater.

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