quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Os professores que queremos nos sistemas de ensino

Michael Young, sociólogo que nos anos de 1960/70 defendeu a multiplicidade de currículos escolares em função dos contextos dos alunos e da sua preparação para a vida, tem, nas últimas décadas, declarado que isso foi um erro. O seu contacto continuado com diversos sistemas educativos fez-lhe perceber várias coisas, uma delas é que o conhecimento que deve prevalecer nesses currículos é aquele a que os jovens não tem acesso em casa, nem conseguem aprender sozinhos, um conhecimento disciplinar especializado que forma o pensamento. Numa entrevista recente explica que por diversas razões não estamos a conseguir fazer valer esse conhecimento, uma delas situa-se na formação de professores:
"... pelo menos na Inglaterra (...) a formação de professores, hoje, é definida principalmente com base em conjuntos de padrões ou competências que focalizam, muito restritamente, a gestão da sala de aula e o desempenho obtido no seu interior. Quaisquer formadores de professores com uma visão mais abrangente foram expulsos do sistema. Portanto, os professores já não estudam filosofia, história ou sociologia enquanto estão em formação. Eu acho isso muito sério, porque essas disciplinas eram uma base da profissão e hoje os estudantes são formados quase como tecnólogos da educação, são preparados para oferecer conjuntos de instruções."

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