quarta-feira, 1 de julho de 2015

Conferência sobre o Futuro da Fundação Francisco Manuel dos Santos na Casa da Música

Texto recebido há já alguns dias de Augusto Kuettner Magalhães:

Finalmente a Fundação Francisco Manuel dos Santos organizou - e muito bem - a sua Conferência anual, fora de Lisboa. Foi no Porto e na Casa da Música.  
Pontualmente às 9h00 do dia 12 de Junho começou a Conferência O Futuro Chegou Cedo Demais? – Admirável Mundo Novo. José Alberto Carvalho referiu a evolução tecnológica que tem ocorrido desde sempre. O ser humano está sempre entre o zero e infinito.
1) Nuno Garoupa fez as apresentações da Conferência, pela primeira vez fora de Lisboa. Pedro Magalhães explicou o tema: “ Vamos hoje prever o futuro, e se calhar vamos falhar”; “ O esforço de prever o futuro, pelos exemplos anteriores, não é fácil”; “ Mas prever o futuro é útil  hoje para tomarmos as decisões certas”.
2) Manuela Veloso – Mais uma portuguesa nos EUA , leader mundial na sua especialidade,  na Carnegie Mellon University. Criadora dos CoBots, robôs colaborativos e autónomos que interagem com humanos. Ela falou enquanto mostrava vídeos sobre:
 - Autonomia humana nos robôs.
- Robôs dentro de um edifício sabem localizar-se. Os robôs terão sempre mais limitações que os humanos e precisarão de ajuda destes. O robô, quando não sabe automaticamente, liga-se à internet para pedir informações. E como não tem braços – no caso em questão – pede a humanos que o ajudem.
- Coexistência entre robôs e humanos.
3) David Brin e Evgeny Morozov: Moderador: Gonçalo Almeida Ribeiro
David Brin – Há muito a fazer quanto ao lixo que produzimos,  ao clima que estamos a modificar,  e às revoluções que estão a acontecer em vários locais. Há câmaras que nos filmam por todo o lado, controladas sempre por alguém. Sempre que houve algum progresso, previu-se que o ser humano o poderia aproveitar e controlar.  Aconteceu com livros, rádio, televisão.  Porém hoje tudo parece ser excessivo. Só a total transparência nos pode ajudar a aguentar a actual “onda”.
Evgeny Morozov   Como viver numa sociedade digital? As tecnologias mais avançadas são controladas por empresas privadas americanas. Estas plataformas são-nos úteis, mas não sabemos analisar bem os seus conteúdos. Muitas empresas vivem de publicidade, facultando-lhes nós informação ao navegar nas suas plataformas. Quando não estamos dentro puxam-nos para dentro. Como criar um mundo, com todas estas tecnologias, mas que também beneficia as pessoas? Temos que desenhar processos tecnológicos que não sejam controlados por empresas ou Estados. Não podemos estar dependentes das empresas tecnológicas americanas. A Europa tem que se tornar mais presente neste panorama.
4) Ellen Jorgensen e Pedro Lima; Moderador: Diogo Queiroz Andrade
Ellen Jorgensen - A engenharia genérica está por todo o lado. Há laboratórios em todo o lado nos EUA e na Europa e espera-se que tenham o necessário controlo. Os estudantes já no ensino mais elementar começam a aprender genética. Pode-se “mexer” no ambiente desde que isso não prejudique ninguém.
Pedro Lima  Vivemos no admirável mundo dos robôs. Alguns robôs industriais são inspirados pela Biologia.  Os robôs sociais conseguem entrar em interacção com pessoas. O fito tem sido tentar fazer robôs mais humanos, pelo que há necessidade de trabalhar entre a Ciências Sociais e a Robótica. Os robôs em hospitais podem servir para  animar crianças doentes.
O almoço foi num espaço reservado para o efeito na Garagem da Casa da Musica. O almoço estava incluído no valor não exagerado pago para assistir à Conferência. No fim do almoço encontrei-me, por mero acaso, com o Carlos Fiolhais, que conhecia do online por ler os seus textos no Público e por contribuir por vezes para o seu blogue Rerum Natura. E assinou-me com uma dedicatória o seu ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos organizadora desta Conferencia, A Ciência Em Portugal. Ao tomarmos um café na Casa da Música, passámos de amigos virtuais a amigos reais, algo que me tem vindo a acontecer.
 A Introdução à tarde foi novamente de José Alberto de Carvalho, sobre a percepção da tecnologia que nos rodeia e  o modo como ela  está a mudar as nossas vidas.

5) Tyler Cowen; Comentador: Filipe Santos; Comentador: José Carlos Caldeira; Moderador: Pedro Magalhães.
Tyler Cowen - O mundo do trabalho vai mudar e muito. Mas a produtividade não tem aumentado à mesma velocidade. Pode trabalhar-se contra a tecnologia? Claro que quem for contra, vai perder! Por exemplo, a Uber, que virá mais cedo ou mais tarde a substituir os actuais táxis. O Uber está a avançar na China e vai progredir em todo o lado,  goste-se ou não.
Todos os sectores estão a ser influenciados pelas tecnologias. Marketing e persuasão serão ainda mais relevantes no futuro. Como cativar a atenção das pessoas?
A auto-aprendizagem revelar-se-á muito proveitosa no tempo próximo.
Filipe Santos – Cada pessoa tem de trabalhar o seu talento e se, se for muito bom no que faz, pode conseguir ganhar muito. Para isso importa descobrir cedo o talento de cada um, em criança, e praticar-se esse talento. É necessário comunicar aquilo que se faz, para valorizar o talento individual.
Há outras formas de fazer andar a economia, que hoje estão a prejudicar a economia institucionalizada,  mas que virão a entrar no sistema. Por exemplo, se estou fora posso arrendar o meu quarto, e não é ocupado um quarto de hotel. Contudo, com o tempo tudo entrará no sistema. E a economia como um todo voltará a crescer.
José Carlos Caldeira – Deu o exemplo da fotografia. Começou por profissionais mas foi passando para as pessoas de posse de máquinas pessoais, e cada um passou a ser o seu próprio fotógrafo. Com a digitalização, a fotografia ainda mais se modificou. Com as impressoras individuais, imprime-se agora em casa. Com a “cloud” já nem se imprimem as fotografias.
Estamos a assistir ao aparecimento de pequenas “produções” nos centros das cidades, que ficam mais próximas dos locais de consumo e do consumidor.
A impressão 3D está em grande desenvolvimento, juntando o consumidor ao produtor.

6) Andrew Chadwick, Francesca Bria, Mário Campolargo; Moderador: Ana Neves
Andrew Chadwick - Alguns no mundo digital defendem que os antigos média deixarão de existir e que o online vencerá. Porém, nada será assim tão linear… Os antigos média aproximar-se-ão dos actuais. São já hoje interdependentes. As notícias nas televisões nomeadamente nas eleições, são comentadas no online, no momento. O público e os jornalistas, hoje, interagem ao momento, face a notícias actuais. Haverá readaptações, de todos.
Francesca Bria – As tecnologias possibilitam novas formas de fazer política no século XXI. Os jovens perderam a confiança na política e nos políticos, que confundem com corrupção. A crise veio ajudar a sedimentar esta ideia. O “Podemos" em Espanha apareceu no digital, mas depois surgiu também no mundo real como um partido político.
Em Itália há paralelismo no real e no online. Na Islândia conseguiu-se rever a Constituição, com muitas opiniões vinda do online, mas nem todas foram aceites pelos membros eleitos do Parlamento. Algo de novo está a acontecer e a fortalecer-se. E espera-se que a tecnologia consiga colaborar com a democracia.
Mário Campolargo - Estávamos habituados a viver num mundo offline e vamos passar a viver mais online.  Estaremos permanentemente online.
Pelas 17h30 dei por terminada a minha assistência a esta interessante Conferência, ficando um orador e a síntese de fora. Estão de parabéns, todos os que organizaram esta Conferência muito bem conseguida, muito pontual – algo tão raro aqui e agora.

Espero o próximo encontro em Braga.

Augusto Küttner de Magalhães
14 de Junho de 2015

2 comentários:

  1. O Homem ainda só arranjou problemas na face da Terra e já está armado em sábio criador. Irónico e aterrador. Começa a fazer falta um desdoutoramento.

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