quarta-feira, 24 de junho de 2015

A cerveja e a Europa do século XXI

"Os casos de sucesso de portugueses no estrangeiro multiplicam-se de dia para dia", assim começa a notícia de um jornal online, onde se conta o de dois jovens empreendedores, com formação superior, que "viram" uma oportunidade de negócio ainda não explorada no mercado internacional: fabricar a "cerveja do século XXI".

Imigrantes ilegais retidos na Líbia quando tentavam ir para a Itália pelo Mediterrâneo (aqui)
Comecei por ouvir parte de uma entrevista na rádio a um desses jovens. Muito entusiamado contava que, com um amigo de infância, teve a ideia fabricar uma cerveja diferente de todas as outras. E o que poderia fazer mesmo a diferença numa cerveja? O mel e o ouro! Sobretudo, o ouro.

Esta declaração não fez estremecer os entrevistadores da rádio e do jornal. Ambos continuaram a perguntar e o jovem a explicar que era uma cerveja destinada aos mercados internacionais de luxo, que tem de ser feita na Bélgica, porque, como se sabe, é a casa-mãe da cerveja, que o fabrico artesanal passa por umas tantas etapas... que o ouro usado é ser 24 quilates, "o grau máximo de pureza do ouro alimentar"... Sim, há clientes, muitíssimos por todo o mundo: Europa, Ásia, Américas...

Esta é, tal como a cerveja, a Europa do século XXI: um sítio onde não se acha estranho (nem os jornalistas que se formaram para estranhar) que quem tenha o dinheiro não lhe baste mostrar o ouro: tem de o ingerir.

O simbolismo é fortíssimo, admitamos!

Nota: A imagem que ilustra o texto não tem nada (ou, terá tudo?) a ver com ele, razão porque o escolhi.

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