quinta-feira, 30 de abril de 2015

Para quê saber alguma coisa se há o Google!?

O meu silêncio neste blogue em matéria de educação deve-se muito a coisas como a que consta na notícia que reproduzo de seguida (os destaques a azul são meus):
Está instalada a polémica no Reino Unido. O líder da Oxford, Cambridge e RSA Examinations (OCR), um dos organismos responsáveis pelas classificações e qualificações dos estudantes britânicos, considera que o Google devia poder ser usado pelos alunos durante os exames. Mark Dawe defende que os alunos deveriam ter a possibilidade de usar o motor de busca durante alguns momentos, à semelhança do que acontece já com as máquinas calculadoras (...) os professores devem avaliar a forma como os alunos interpretam as respostas e não tanto a forma como as obtêm. Mark Dawe considera que o ensino já é muito baseado na Internet, pelo que parte do conhecimento dos alunos já vem deste meio de comunicação (...). Mark Dawe considera que em alguns exames seria permitido, enquanto noutros isso não seria possível. No entanto as críticas não tardaram e de acordo com os meios de comunicação britânicos foram já algumas as personalidades que vieram criticar a ideia e a postura descontraída do líder da OCR (...)
http://tek.sapo.pt/noticias/internet/especialista_britanico_diz_que_o_google_devia_1439617.html
Que comentários se podem fazer a declarações como esta, de um especialista em pedagogia (será)?
Pelo desconcerto que lhe é inerente, nenhum!

Contudo, não se trata de um caso isolado, mas, sim, de um padrão. Um padrão que se impôs e agora se revela e alastra. Está presente em todos os sistemas educativos ocidentais. Para acabar com eles, digo eu.

3 comentários:

  1. Senhora Professora Helena Damião, a ideia de Mark Dawe é não perder tempo. Devo dizer-lhe que um ilustre matemático português, o professor A. Mira Fernandes tinha a mesma ideia pedagógica, detestava exames, e por isso dizia frequentemente "deve haver poucos países onde as pessoas saibam tão pouco e percam tanto tempo a tentar saber o que os outros sabem".
    É para mim evidente que sobre isto a senhora professora Helena Damião, já ultrapassou o limite onde não é possível voltar atrás, jamais a senhora mudará a sua opinião acerca da utilidade dos exames como forma de aprendizagem. Utilidade que é um mal necessário como certamente nos estará a dizer Mark Dawe.

    Cumprimentos,

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    1. Engana-se, prezado Leitor Ildefonso Dias. O mundo não se divide entre as pessoas que defendem os exames escolares e as que não os defendem. Além disso, os exames não são úteis "como fora de aprendizagem" são úteis como forma de verificar a aquisição de certas aprendizagens com o fim de tomar decisões. Não têm uma função pedagógica, têm uma função social de verificação e regulação.
      Por outro lado o que está aqui em causa é a confusão entre a aprendizagem (o desenvolvimento de capacidades humanas com base em conhecimento substancial), que requer ensino, e as visitas que os alunos podem fazer a um suporte indiferenciado.
      Cordialmente,
      MHD

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  2. Penso que a Manuela Moura Guedes também devia permitir os concorrentes do quem quer ser milionário poderem consultar o Google.

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