domingo, 26 de abril de 2015

EM LOUVOR DO PROF. VICTOR GIL


Num processo cujos contornos ficaram algo confusos mesmo para os observadores mais atentos, o Prof. Victor Gil foi há poucos dias substituído na direcção do Exploratório Infante D. Henrique, o mais antigo centro Ciência Viva de Coimbra e certamente o primeiro do país. Ainda me lembro bem do Centro de Iniciação Científica que começou, com o seu impulso, na forma de uma exposição na Universidade de Coimbra, mostrando actividades de descoberta científica para os mais jovens que procuravam emular o que de melhor se fazia lá fora, em centros como o Palais de la Découverte em Paris ou o Exploratorium de São Francisco. E lembro-me também bem como esse Centro de Iniciação cresceu quando se transformou em 1995 - há vinte anos, ainda não existia a Agência Ciência Viva para a  Promoção da Cultura Científica e Tecnológica  nem a rede de centros Ciência Viva espalhados pelo país - no Exploratório Infante D. Henrique, no piso de baixo da Casa Municipal da Cultura de Coimbra. A certa altura, em 1998,  tomou o nome de centro Ciência Viva, tendo sido visitado pelo ministro José Mariano Gago que admirou muito a capacidade bem manifesta de criação de módulos científicos. Gago, que defendia o ensino experimental da ciência, logo percebeu que havia ali um pólo com capacidades notáveis nesse domínio. E o Exploratório revelou também desde muito cedo capacidade para a concepção de brinquedos científicos.

Vi crescer a ideia seminal, original a arrojada, de Victor Gil, que era a alma do empreendimento, tendo colaborado com ele em tudo o que me pediu. Muitas crianças e jovens passaram por aquele sítio adjacente ao Jardim de Santa Cruz e era sempre uma surpresa agradável para quem lá ia a primeira vez. Eu próprio lá levei vários convidados, que ficavam admirados com o espaço numa época em que os outros centros Ciência Viva quase não existiam.

Não demorou a verificar-se que eram necessárias instalações mais amplas e funcionais. Foi isso que foi conseguido em 2009 no Parque Verde do Mondego, muito perto da zona de intervenção do Polis, graças a importantes fundos europeus, sempre  com a ajuda da Câmara Municipal e o amparo da Câmara Municipal, para além da Agência Ciência Viva, que não era associada da instituição sem fins lucrativos e de utilidade pública que estava e está por detrás do Exploratório. O foco expositivo era o corpo humano, mas havia actividades multidisciplinares em áreas fora da biologia e da medicina. Lembro-me de uma outra visita, realizada pelo ministro Mariano Gago, num lindo dia onde festejámos a cultura científica num terraço do Exploratório, com os olhos no Mondego.  Não eram apenas jovens que ali passaram a concorrer em muito maior número do que no Jardim de Santa Cruz, eram também menos jovens (quer dizer, jovens há mais tempo) atraídos pelas "Lojas do Saber", dinamizadas  pelo professor de Física jubilado João José Pedroso de Lima (que não era só um espaço para oradores mais seniores prova-o o facto de eu lá ter proferido uma palestra sobre história da Medicina no ano do Vesálio).

Mais recentemente e ainda com a ajuda de fundos europeus  foi erguido um novo edifício, que ainda não pude oportunidade de visitar. Nem eu nem o público geral, pois o espaço tarda, por motivos que de todo desconheço e que  lamento, a não abrir para o usufruto de todos. Infelizmente este é um problema nacional repetido: faz-se uma obra pública envolvendo avultados meios e esta tarda a abrir.

Tenho tido parcerias com o Prof. Victor Gil, até há poucos dias director do Exploratório de Coimbra, quer na divulgação científica no quadro da rede de Centros Ciência Viva quer na autoria de manuais escolares de Físico-Química, não serei a pessoa mais independente para falar dele. Mas não será essa condição que me impede de publicamente dar expressão da viva admiração pelos seus mais de vinte anos de dedicação quase plena e sempre incansável à causa da cultura e da divulgação científica. Entre nós, poucos dedicaram tanto tempo e tanto empenho a essa causa como ele. A sua porfiada acção será decerto inspiração e exemplo para quem lhe sucede.

Obrigado, Prof. Victor Gil!

1 comentário:

  1. Em 2012, a convite do Prof. Victor Gil, fui ao Exploratório conversar, com professores, sobre Poesia e Ciência, um tema que lhe é muito grato.. Poesia e Ciência. Implicações para a educação formal e não formal em Ciência, é o título de uma belíssima publicação de que é co-autor e que muito gentilmente me ofereceu. Foi com enorme entusiasmo e carinho que me guiou através do Exploratório.
    Obrigada Prof. Victor Gil

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