domingo, 8 de março de 2015

Mulheres notáveis

No Dia Internacional da Mulher recordo aqui apenas dois nomes de mulheres que, em períodos bem distantes da História, foram marcantes pela forma como se destacaram em relação ao seu tempo, quer no domínio das Ciências quer no das Humanidades:

Hipátia (século IV) (na imagem). Natural de Alexandria, é considerada um marco na história da Matemática, que começou por aprender com o pai, o matemático Teão de Alexandria, e mais tarde, em Atenas para onde foi estudar. Regressou a Alexandria e ensinou no Museu ao lado daqueles que haviam sido os seus mestres. Rapidamente se distinguiu pelo seu talento, pelo seu saber, pelo dom da palavra (estudou retórica, como era habitual na época), qualidades a que se acrescentava a sua beleza física. Vivendo numa época de lutas entre paganismo e cristianismo, teve um fim trágico.

Infanta D. Maria (1521-1577). Filha do rei D. Manuel I, inteligente e culta, foi uma grande humanista, uma mulher dedicada às letras e às artes. No seu paço, reuniam-se as mulheres mais cultas da época, todas com o mesmo interesse pelas humanidades e pelas artes.

Estávamos, em Portugal, em plena época do Renascimento. No reinado de D. Manuel e no de D. João III os estudos da cultura clássica e da Antiguidade greco-latina expandiam-se por todo o reino, a Portugal chegavam grandes humanistas europeus, grandes nomes portugueses foram ensinar para Espanha e para França.

Conta-se que a Infanta D. Maria conhecia cinco línguas e que, tendo escrito uma carta ao Papa, este teve que chamar um arabista para lha traduzir. Chamaram-lhe a “sempre-noiva”, visto que, sendo repetidas vezes escolhida para desposar herdeiros do trono, com nenhum chegou a casar, talvez por interesses régios, de quem não queria ver a sua fortuna sair de Portugal. Teria sido a sucessora de D. Sebastião (depois do desatre de Alcácer-Quibir), se não tivesse morrido pouco antes. Retratada por pintores célebres, tanto portugueses como estrangeiros, é assim descrita por um dos seus muitos admiradores:
“Formosura suavissima, bem revelada na alvura da pelle, no azul celeste dos olhos vividos, e na côr loira dos cabellos que por de sobra uma ligeira coifa, alevantando-se em arredondada frisa até ás fonts, segundo a moda do tempo, lhe coroavam de ouro a espaçosa e ampla fronte, onde o talento espontaneo evidentemente se expandia.”
(in Carolina Michaelis de Vasconcelos, A Infanta D. Maria de Portugal e as suas damas, INCM, 1994).
A educação das mulheres era defendida pelos grandes estudiosos da época, pois que, diziam, só de mulheres com uma sólida instrução nas letras e nas artes poderiam nascer homens de carácter forte e inteligentes.

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