sábado, 21 de março de 2015

Ao tempo que não servimos carapauzinhos de escabeche


Joel Costa, que se apresenta como "personagem sem a mínima formação universitária", teve vários programas na Antena 2 da Rádio que deixaram marca (o meu preferido, a que o leitor pode ter acesso aqui, foi Questões de moral). Também escreve teatro e romance num registo singular, clarividente e mordaz.

O mais recente livro - Ao tempo que não servimos carapauzinhos de escabeche - está nas livrarias e será apresentado no próximo dia 27 de Março, em Lisboa.

Uma passagem:

"Já me tinha dito que quem viria a ter parte essencial no magno evento, na reviravolta da ordem natural da vida que tínhamos conhecido até aí, eram os altos traficantes de droga à escala mundial, e mais esses, bem vistas as coisas, do que os banqueiros, e assim até ao dia em que ambas as actividades se confundissem – dia esse que podia ser aquele preciso dia em vias de nascer.
Os altos traficantes de droga estavam a mudar a fisionomia do mundo, da vida, da convivência. A droga estava a chegar ao consumidor com um grau de pureza nunca visto. Só por falar da heroína, já se vendia com um grau de pureza na ordem dos 60%. Era o progresso.
- Então, ouve lá, o progresso é o mais alto nível de alucinação que se possa arranjar? – perguntei.
- Claro que é! A chave dos segredos da vida, a pedra filosofal dos sistemas... A próxima revolução mundial não precisava de tiros. Seria toda feita com dinheiro e drogas, o que iria dar no mesmo e aumentaria exponencialmente o nível de alucinação. Porque o tempo já não produzia revolucionários daqueles do passado, muito teóricos, muito inteligentes. Hoje, no mercado da revolução, já só se encontravam boçais terroristas religiosos.

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