quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Natália Correia – Acender Chamas Digo Fazer Poemas.


Romântica, noturna, antifascista e anticomunista, lasciva, comunicadora ímpar, mordaz e verrinosa, Natália Correia destacou-se na poesia com os livros: Dimensão Encontrada, Mátria e Sonetos Românticos.
No livro com a sua poesia completa (O Sol Nas Noites E O Luar Nos Dias), encontrei dois poemas, até então inéditos, inspirados na ciência. O primeiro vai desde a grandeza e a doçura da ciência até à pequenez e ao amargor da mesma. Enquanto o segundo transmite-nos, através do movimento relativo, a imagem que a poetisa teve do país antes da revolução dos cravos.

1-Da Claridade À Negra Ciência

Uma laranja cai
E o chão impede
Que ela infinitamente caia.
Impedimento
Ou o vento
De uma ciência
Que já foi gaya
E agora é triste-
Mente astronómica.
Raios partam
A bomba atómica!


2-Comboio

Aqui (movente ou parada?)
Vou contra a vida que foge
Nos campos que à desfilada
Vão ao invés do que corre.

Que deus me ilude ou me mente?
Porquê na hora fugaz
Eu julgo que vou para a frente
Se tudo avança para trás?

Acaso regressa o tempo
Ao que era antes do mal
Nas árvores que recuam
À floresta inicial?

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