quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Portugal: quem és tu?



Informação recebida do Fernando Alvim (imagem: cartoon de João Abel Manta):

Entre vídeos e participações presenciais, terão sido mais de 92 ideias que durante este fim-de-semana foram reveladas no Pavilhão do Conhecimento, no decorrer da 2ª edição, do “Portugal, Quem És Tu?”, uma ideia de Fernando Alvim que se iniciou no ano passado, com o na altura baptizado de "Portugal é Agora".

Na Página do evento poderão ver todas as participações: www.facebook.com/portugalquemestu

Eis o resumo das 92 ideias dadas no encontro deste fim-de-semana do "Portugal, Quem És Tu?" :

1 - Fernando Alvim
Ideia #1: Modernizar o sistema de voto, criando a possibilidade de votar através do Cartão de Cidadão, em qualquer lado, diminuindo a abstenção causada pela obrigação de votar na freguesia de residência.
Ideia #2:Criar um grupo de10 pessoas criativas que durante 2 anos viagem pelo mundo para recolher ideias para implementar em Portugal: produtos, ideias, serviços.

2 - Patrícia Reis (escritora)
Portugal não precisa de mais soldados do ciberespaço. Ao vociferar na Internet ninguém se lê, ninguém se ouve. É preciso que os portugueses saibam o que querem que Portugal seja. E se o país aprender a ser mais feliz, também ajuda.

3 - Sebastião Bugalho (estudante)
Deixou um apelo à solidariedade na liberdade de expressão. E lembrou vários exemplos para sublinhar a importância de Portugal no mundo em relação à Alemanha, desde a literatura até ao Benfica ter mais sócios que o Bayern.

4 - Cátia Domingues (mensagem lida pelo Alvim)
Um dos grandes problemas, principalmente moral, é sermos portugueses. Ser português é esquisito. Deixemos de ser portugueses para sermos swaggers.

5 - Filipa Leal (escritora)
Fez a defesa dos leitores de poesia, que, segundo ela, vivem num inferno. “Têm que estar sempre a ler romances, para não parecerem ignorantes. Ser leitor de poesia não é um defeito.”

6 - Inês Fonseca Santos (escritora e jornalista)
Leu um texto poético sobre o 25 de Abril, que incluiu um final erótico, e lembrando o quão longe ele ia no tempo, já com rugas no rosto.

7 - Rui Ramos (investigador)
“Vivemos demasiado tempo em regimes autocráticos, que nos convenceram do que é ser português, mas temos uma grande diversidade. Portugal não tem que ter um desígnio, mas sim tantos quantos os seus habitantes. E nunca será como cada um de nós gostaria que fosse.”

8 - Fred Gomes (designer)
Para ele, Portugal é o gajo que não o deixa ser o menino da lágrima, tal como ele pensava ser quando tinha 5 anos, que planeia mais do que faz, mas também é o sítio em que ele espera que se distribuam croissants.

9 - Pedro Santa Clara (professor universitário)
Deu como exemplo Espanha, que mudou a forma como as pessoas se tratam. Cá ainda são poucas as empresas em que as pessoas se tratam por tu. “Até mudarmos todos juntos, ficamos pelo Portugal, quem é vossa excelência?”

10 - Jorge Teixeira (publicitário)
Uma receita para o país: entender que é difícil ser português num mundo em que não se controlam os valores da sociedade e em que não há um modelo de um Portugal perfeito. Deixamos de ter fronteiras ao estarmos cada vez mais conectados com o mundo.

11 - Dalila Pinto de Almeida (headhunter)
Considerou os portugueses desenrascados e com capacidade de improviso, mas raramente fazem bem à primeira. Especialistas no “logo se vê”, “é complicado”, “vamos fazer uma directa”, coisas que temos que mudar. E finalizou com um pedido, deixem de andar na rua a olhar para o chão.

12 - Viriato Teles (jornalista)
Citou um estudo finlandês que defende que o PIB colapsa nas regiões em que o órgão sexual excede a média de 16 cm, o que causa um drama nos países ricos. Como tal, devemos internacionalizar o artesanato das Caldas, um produto de carácter universal.

13 - Mariana a miserável (ilustradora)
Apresentou em vídeo “Uma ideia para Portugal”, onde ofereceu uma solução para a nossa tristeza, que pode ser aplicada à porta das repartições das finanças, segurança social, em todo o lado.

14 - Bárbara Rosa (Jurista)
Lembrou Miguel Torga: “ Somos uma sociedade pacífica de revoltados.” E falou de alguns podres da nossa sociedade, como a Justiça, a educação e a segurança social. “Temos uma Justiça cara e morosa, que só por isso é uma injustiça.”

15 - Miguel Januário (±MAISMENOS±)
Andou pelas ruas do Porto a pedir ao povo que dissesse o que lhe ia na alma. Foram do típico “no tempo do Dr. Oliveira Salazar isto não se passava assim” a “deitar uma bomba no Passos Coelho”, com silêncios, cantorias e guitarradas pelo meio.

16 - Filipa Martins (escritora)
Tem o secreto desejo de deitar Portugal no divã. O país passa por uma profunda crise dos 40, que fez com que pagasse jantares caros a mulheres alemãs, onde se comeu espuma de cozido à portuguesa. Temos de abraçar quem somos e talvez um dia consigamos ultrapassar esta crise dos 40.

17 - Vitor Sobral (cozinheiro)
Exemplificou o que ensinámos na cozinha dos países por onde passámos, adaptando técnicas aos produtos disponíveis. Mas temos grande dificuldade em mostrar o que somos, enquanto a cozinha anglo-saxónica se espalha cada vez mais com a TV, apesar de ser bastante inferior à nossa.

18 - José Gameiro (psiquiatra)
Defendeu que somos um povo que usa em demasia o nim e que temos dificuldade em sermos frontais e dizer que sim e que não. É muito importante dizer não a alguém, sobretudo porque essa falta de clarificação muitas vezes deixa as pessoas em espera.

19 - Rui Oliveira Marques (jornalista)
Constatou que somos o país dos ajustes directos. Dos boys e das girls. Da Expo 98 e da Parque Expo. Do projecto de Frank Gehry para o Parque Mayer. Isto num país em que a cidadania portuguesa está à venda e polícias copiam nos exames. “É tudo legal, tudo normal e no fim pagamos todos nós”.

20 - Paula Cordeiro (investigadora)
Ausência de nitidez para vermos quem realmente somos. Não respeitamos os outros, abandonamos os idosos, somos paternalistas, pedimos emprego ao primo. A nossa imagem é de alguém que está parado no passeio à espera de ajuda para passar para o outro lado.

21 - Pedro Rolo Duarte (jornalista)
Partilhou histórias onde as pessoas mentiram, como nos estudos de mercado para o lançamento da Visão ou quando toda a gente na rua lhe dizia que só via a RTP2. Contou ainda que na Austrália, onde o filho estudou, a educação é integrada na sociedade, melhorando notas a quem é útil, por exemplo, como nadador-salvador.

22 - Sandra Fisher-Martins (fundadora da Português Claro)
Falou das pessoas que todos os dias são prejudicadas por não perceberem o que lhes dizem, porque são vítimas do Apartheid da informação, como as pessoas que não percebem as cartas das Finanças ou o que os médicos lhes dizem.

23 - Carla Carvalho Dias (autora e public-speaker)
Começou pelos Descobrimentos e terminou na alma lusitana, concluindo entretanto que com os nossos quadros a trabalharem lá fora e o sucesso internacional de empresas portuguesas, no estrangeiro percebem que cá trabalhamos bem. E isso só não é valorizado porque cá as coisas estão mal.

24 - João Gata (tech blogger)
Defende que Portugal é o melhor país do mundo e quem lá vive não o entende. Temos os melhores, mas continuamos a achar que o que vem de fora é que é bom. Maltratamos os velhos, a cultura e o saber. E sugeriu termos um jornal gratuito sobre os portugueses que se distinguem.

25 - Joana Lobo Antunes (investigadora)
“Andam a ser pagos pelo Estado para terem uma boa vida e serem estudantes a vida toda. As pessoas acham que os cientistas fazem coisas que não interessam para nada”. Explicou quem são e o que fazem: a maior parte são mulheres e há muitas jovens e bonitas. “É preciso melhorar a comunicação dos cientistas”.

26 - Jaime Jorge (empresário)
No final do curso, analisava software e foi trabalhar para Londres, mas voltou passados 8 meses. Esteve nos Estados Unidos e cerca de 70% dos e-mails que enviava acabavam numa reunião, porque lá acreditam que podem todos sair a ganhar. E apelou ao empreendorismo.

27 - Catarina Horta (directora de recusos humanos)
Como somos competentes, bons em muitas áreas, sugere que nos devemos focar naquilo em que somos bons, pois se nos centrarmos no que somos maus, não vamos conseguir ter sucesso. Termina com uma ideia: “Vamos tentar clonar o talento”.

28 - Sérgio Luís de Carvalho (historiador)
Defendeu que a palavra que melhor nos define é o desenrascanço. O que não é uma opção, é uma necessidade porque somos péssimos a planear. Mas acabamos por conseguir tudo o que queremos, mesmo construir uma ponte levadiça no deserto do Saara sem materiais para isso.

29 - Miguel Szymanski (jornalista)
A partir de Frankfurt conta que, apesar de estar fora há um ano e meio, não há um dia em que não tenha saudades. Partilhou a experiência do regresso a Portugal depois de uma ausência de seis meses, onde ficou marcado pela simpatia, empatia e afabilidade, que identifica como herança da cultura árabe: “somos mouros”.

30 - Alexandra Ferreira (jornalista)
Levantou a questão: quem queremos ser? Diz que precisamos da Banca, dos políticos e do capital, mas em bom, e que o caminho terá de ser o da participação de todos, que deveria até passar por um programa político dos portugueses para os portugueses.

31 - David Dinis (director do Observador)
O Observador começou há dois anos, quando três pessoas o desafiaram e pensou “está tudo doido”. Mais tarde um formador norte-americano perguntou-lhe o que estava a fazer no papel, se os leitores já lá não estavam. “O mais importante foi perceber que há pessoas do outro lado, só no digital é possível falar com os leitores em tempo real”.

32 - Ana Alcobia (marketeer)
Diz que somos o último país na lista da União Europeia em termos de natalidade e comparou essa situação a uma marca sem consumidores. É preciso criar condições para que as mulheres possam ser mães mais cedo e aumentar a média de filhos por mulher.

33 - Pedro Policarpo (economista)
Há dois grupos que querem emigrar para cá, os que têm fundos para vistos gold e os que só conseguem entrar ilegalmente. Podíamos dar cidadania a todos, desde que queiram trabalhar e viver em comunidade. Até porque já recebemos alimentos de todo o mundo, mas as pessoas não conseguem viajar com tanta facilidade. Chamou-lhe cidadania global.

34 - Tiago Mesquita (O menor criativo do mundo)
Defende que precisamos apenas de algumas coisas para tornar o país melhor, como resgatar os valores de antigamente, que basicamente é lembrarmo-nos da educação que nos deram, e fazer as coisas com amor.

35 - Miriam Aço (professora)
Assumiu que quando nascemos portugueses temos o peso da história e de várias matrizes identitárias. Somos um povo que acumulou viagens, acontecimentos e culturas que nos permitiu congregar conhecimentos para chegarmos a uma estrutura de múltiplas características.

36 - Sailors for the Sea
“Portugal é mar. E se 97% do planeta é mar, quem são os outros 3%?”. Um vídeo que apresenta a associação Sailors for the Sea, que está em Portugal há dois meses, os seus projectos e parceiros.

37 - Nuno Ramos de Almeida (jornalista)
Citou uma definição sobre a morte presente no manual de sinistralidade de pesados de mercadorias e comparou-a a situações vividas por alguns portugueses, desde os que os são obrigados a emigrar aos graves contrastes sociais.

38 - Ana Pinto Coelho (conselheira em adições)
Mostra como o país pode progredir através da educação: todas as crianças deviam aprender mandarim, vai ser importante para comunicarmos com o outro lado do mundo; ser ensinadas a fazer meditação uma vez por dia na escola, para conseguirem estar bem com elas próprias; aprender a olhar para os outros de um modo mais cívico, saber ouvir com abertura.

39 - Paulo Neto Leite (empresário)
“Sou um positivista crónico e um apaixonado pela nova geração”, foi assim que se apresentou. Deixou duas ideias: devemos deixar os jovens errar e explicou que não há bons e maus roubos, há apenas roubos. Se somos educados a achar que baixar música ilegalmente é um “roubo bom” estamos a fomentar a corrupção.

40 - Reginaldo Almeida (professor)
Elegeu como tema o voluntariado laboral. Uma vez por mês, os funcionários de empresas de serviços seriam voluntários, por exemplo em ONGs, o que lhes daria também outras competências. Explicou também como aplicar o conceito em universidades, na concessão de crédito através de Business Angels e como alternativa a entrevistas de emprego.

41 - Hugo Veiga (publicitário)
Trouxe um vídeo para dizer que Portugal perdeu um colhão. Os gregos partiram a loiça toda com a intervenção da troika e nós devíamos ter mostrado que o povo é quem mais ordena. E deu exemplos de como pensamos: “estamos a ganhar 1-0 ao Luxemburgo? Está bom, depois se for preciso ganhar à Alemanha logo jogamos a todo o gás.”

42 - Catarina Guerra Barosa (editora)
Leu um texto poético acompanhado de fotografias a mostrar que Portugal é luz, é sombra, é pobreza, é silêncio, é Deus, é sorte e céu, é medo, é fingir tão sinceramente, é turismo, é um cabo que nos atormenta. Concluiu que devíamos embrulhar bem o que somos e explicar aos turistas.

43 - Joana Barrios (actriz)
Começou pelo Verão dos seus doze anos, quando o pai lhe propôs ganhar uns trocos a inventariar os livros de uma estante, o que a levou a Pessoa. Seguiu para a história de uma mulher maravilhosa, que queria o divórcio e sabia de cor o Comunhão de Bens, de Ágata. E terminou com saudades de uma aldeia alentejana, a comparar Nel Monteiro, na fase kuduro, com Pessoa, concluindo que a língua portuguesa é a sua pátria.

44 - Joana Stichini Vilela (jornalista e autora dos livros Lx60 e Lx70)
Falou sobre o que aprendeu na pesquisa para os seus livros sobre as décadas de 60 e 70. “As histórias mais extraordinárias são as reais e os seus protagonistas muitas vezes estão perto de nós. Histórias que podiam ser ficção.” Afirmou que vale a pena ser jornalista por um dia, pegar em fotografias e fazer perguntas aos nossos avós.

45 - Pedro Marques Lopes (empresário e comentador)
Leu uma carta publicada em 1912 no jornal O Luso, da comunidade portuguesa no Havai, de um cabo-verdiano negro que queria casar com uma branca, e contou que em 1973, também nos EUA, um branco e uma negra tiveram de mudar de Estado para estarem juntos. E falou das suas origens e de ter familiares em todo o mundo, para exemplificar como são os portugueses.

46 - Paulo Baldaia (director da TSF)
Pegou na frase de D. Manuel Clemente “Os portugueses subsistem apesar de Portugal” e transformou-a em “Portugal subsiste apesar dos portugueses”. Para não ofender ninguém, nem generalizar, caracterizou os portugueses através de si próprio. E concluiu que Portugal é o país quase perfeito, para ser mais feliz só precisa de ser mais solidário.

47 - Miguel Pina Martins (empresário Science4you)
“Portugal é muito bom, tal como os portugueses.” Começou com esta afirmação e contou que quando abriu a Science4you no Reino Unido precisou de esperar três meses para abrir a empresa, um mês e meio para ter Internet no escritório, o que em Portugal é num instante.

48 - Eric Boschman (sommelier)
Vem da Bélgica, mas quando cá está adora andar estrada fora sem destino e parar em pequenas povoações. Diz que os portugueses são cidadãos do mundo que falam português e que vivemos num país pacífico, onde se come e bebe bem, sem os problemas de integração de França, Holanda e Bélgica. E é preciso provar a nossa comida e o nosso vinho para compreender o país.

49 - Hugo Brito (chef de cozinha)
Sugeriu que os estágios dos chefs fossem remunerados e apelou a que facilitassem o acesso a livros de culinária, em vez de fazerem edições de luxo, e a que se criasse um selo para que produtores e restaurantes tivessem um benefício fiscal ao usarem produtos nacionais para preservarem a gastronomia portuguesa.


50 - Emanuel Pimenta (músico, arquitecto e artista)
Trouxe-nos um vídeo com imagens sobrepostas entre futebol, nomeadamente os golos de Cristiano Ronaldo à Suécia no playoff de apuramento para o Mundial de 2014, e excertos de telejornais

51 - Sara Maia (artista)
Constatou que nasceu numa geração que vive uma transição, a comunicação transformou-se e as fronteiras deixaram de fazer sentido. “Quando viajo e estou com amigos de outros países não sinto grande diferença por ser portuguesa, mas temos uma qualidade que é rirmo-nos de nós próprios, uma ferramenta que é essencial para a vida”.

52 - Ivan Barroso (historiador de videojogos)
Explicou o que era a indústria dos videojogos, a mais lucrativa no mundo do entretenimento, e as suas várias componentes, desde a comunicação social às comunidades gaming. Seguiu-se uma análise da situação nacional e à facilidade que existe para exportar o produto português.

53 - Gil Costa (investigador)
Referiu que uma das características dos portugueses é esperar. Somos um povo de espera, esperamos por várias coisas. O tempo que esperamos está relacionado com a confiança e a tomada das nossas decisões.

54 - João Gomes de Almeida (publicitário)
Deu-nos uma ideia do que é Portugal: o grande problema do país é sermos mauzinhos. Mauzão era o Petit, do Benfica, mau é o Artur, também do Benfica. Nós somos mauzinhos, sempre a atacar gratuitamente os outros, especialmente se tiverem sucesso. Não é preciso bajular, basta respeitar.

55 - Ana Faria (mãe de 3 Marias, fisicamente em Bruxelas mas de alma e coração em Portugal)
Enviou um vídeo desde Bruxelas, de onde diz estar de alma e coração com Portugal, e recolheu o testemunho de emigrantes portugueses na capital belga que definiam o país em pouco mais do que uma palavra. Organiza conferências sob o lema “Portugal faz bem” e lançou um desafio aos portugueses: escrevermos uma história com final feliz.

56 - Marisa Moura (jornalista)
“Portugal tem dez milhões de habitantes e o importante é que cada um deles saiba o que é, o que quer ser e seja coerente entre o que pensa, diz e faz”. Afirmou que temos problemas na gestão das emoções, além de que só estamos atrás dos Estados Unidos em prevalência de doença mental. E deixou alguns pedidos, nomeadamente que cada um se foque e se conheça a si próprio.

57 - John Wolf (escritor)
Olha para o legado multicultural português e questiona: por que não existe um Macau Town ou um África Town? Diz que as dicotomias nacionais têm de migrar para um conceito de sociedade civil forte e deixou sugestões como podermos transferir crédito no Sistema Nacional de Saúde para outras pessoas.

58 - José de Pina (argumentista, humorista)
Assumiu a sua intervenção como um coffee-break, aproveitando logo para sugerir um aumento da produtividade nas empresas, juntando a ida ao wc, café e cigarro, tudo ao mesmo tempo. Não trata por tu quem lhe saca impostos, Portugal é aquele amigo chato que está sempre a pedir um cigarro e dinheiro emprestado. Mas conhecemo-lo desde que nascemos, temos que levar com ele. E isto foi só o início.

59 - Xana Alves (produtora)
Tem duas vantagens para analisar os portugueses: uma mãe cabeleireira e filhos. Compara os portugueses aos adolescentes porque estão contra as regras que lhes são impostas, querem mudar o mundo mas não saem do sofá e nunca assumem a culpa. Terminou com um vídeo de Herman José em que ele define Portugal e disse que não quer ser uma pessoa que não f$%# nem sai de cima.

60 - MAR-Margarida Rodrigues (ilustradora e psicóloga)
Veio na condição de variável parasita e fez uma metáfora sexual sobre o comportamento de Portugal ao longo da sua história, passando pelas visitas que ele fez ao Mundo durante os Descobrimentos e caminhando até aos dias de hoje. E como boa achista, deu o seu palpite, sem conseguir ver um final feliz para a história. Deixou isso para nós.

61 - Miguel Somsen (jornalista)
Pensou em trazer um semáforo uma vez que se preocupa com a sinalização em Lisboa, mas não gosta dos mesmos e defende que deveriam estar sempre amarelos porque estando intermitentes apelam à atenção dos condutores, que assim reduzem automaticamente a velocidade e ficam mais cautelosos.

62 - Sofia Costa Quintas (consultora)
“Fomos pioneiros da globalização, empreendedores visionários. Com um mapa em branco, tivemos essa ousadia, que está no nosso ADN. Onde está esse espírito empreendedor? Ensinaram-nos a pensar pequeno, hoje num instante podemos estar a vender algo para todo o mundo.” A sua experiência nos Estados Unidos levou-a a analisar como os empreendedores são vistos por lá: as pessoas caem e levantam-se, aprendem com isso. A certeza do sucesso não existe.

63 - António de Castro Caeiro (professor)
Há muitas representações de Portugal, a geográfica e a vista a partir das casas e das famílias em que cada um de nós nasceu. Há o Portugal dos que cá vivem e dos que cá vêm. E lembrou que foi em Portugal que os portugueses viveram as suas primeiras vezes na vida.

64 - Felisbela Lopes (professora)
Caracterizou Portugal como um país centralizado, com os pólos de decisão praticamente todos na capital e poucas elites políticas, económicas, culturais, é um grupo circunscrito de pessoas. E apontou o dedo ao Ensino, desde o básico às universidades, que não preparam para a cidadania e debate público.

65 - Vítor Belanciano (jornalista e crítico cultural)
“Quanto mais brasileiros ou africanos formos, mais europeus somos.” A questão de nos compararmos com os outros mostra um pouco a nossa pequenez. Afirmou que a sua geração sempre viveu com a ideia de que o país era pequeno para eles, mas gosta de Portugal assim: um país mais ou menos, com imensas fragilidades mas também com imensas potencialidades.

66 - Carlos Oliveira Santos (professor)
Apresentou o jugaad, com várias fotos, desde pessoas que levam tudo e mais alguma coisa numa bicicleta a uma forma de aquecer bebés prematuros onde não existem incubadoras, evitando que se juntem aos 20 milhões que morrem por ano. Vem do hindu e significa algo como desenrasca, dar um jeitinho. Cá temos nos reformados sem dinheiro que cortam medicamentos ao meio, nas hortas que se fazem por aí, no LX Factory, ou num concurso de design com bambu na Coreia do Sul, onde uma portuguesa ganhou 5 mil dólares. Portugal tem que ser cada vez mais jugaad.

67 - Richard Towers (escritor)
Criou um livro com o formato de Portugal, no seguimento de outros livros-objecto, e leu um texto sobre quem somos que tinha excertos como “um português é um ser especial e faz questão de o provar. É capaz daquilo e de muito mais, só não tem tempo para o fazer.”

68 - Samuel Pimenta (escritor)
Disse que Portugal é ele. Tem 24 anos, vive no Ribatejo, na casa que o pai construiu com as próprias mãos e foi na região que aconteceram os eventos marcantes da sua vida, positivos e negativos. Desempregado, pensou sair do país, mas não se sente capaz de caminhar sem olhar para trás. E espera nunca ter que ser capaz. “Somos um país feito de pessoas, não de instituições e burocracias, quando o percebermos seremos capazes de construir um país com as nossas próprias mãos.”

69 - André Barata (filósofo)
Portugal não é uma ideia, uma representação, um estado de espírito ou uma patologia. Talvez seja isto tudo, mas é uma condição social. Pode ser uma história, mas é um conjunto de factos. E acima de tudo é um enorme triângulo com três arestas: desconfiança, desigualdade e corrupção. Por isso sugeriu apagar o “des” nas duas primeiras palavras e eliminar a corrupção para podermos contar uma história a partir daí.

70 - Catarina Carreiras (designer)
Criou o Studio AH—HA no final de 2011, com a Carolina Cantante. O objectivo foi um autêntico vá para fora cá dentro, ter clientes estrangeiros a partir de Lisboa. Enviou um vídeo desde Itália, onde estava com um cliente e nele explicou as suas regras de ouro.

71 - Nuno Galopim (jornalista)
A música serve como um cartão de visita para alguns países: associamos Björk e Sigur Rós à Islândia, a França tem os Air e os Daft Punk, e nós? Há alguns exemplos, mas ouve muitas vezes o “tentámos, mas não deu”. Em 1994, os Underground Sound of Lisbon passaram em discotecas de todo o mundo, mas a maioria não deixa o negro do triste destino do fado. Por isso insiste no verbo fazer, porque os mais chatos acabam por conseguir.

72 - Luís Figueiredo (guionista)
Recolheu os dados que teria um perfil de Portugal no Facebook e decidiu partilhá-los connosco. Onde já viveu, habilitações, família, likes, numa relação com, filmes preferidos, passou pelos itens todos e arrancou daí para o acerca do perfil, onde colocou Portugal a descrever-se, culminando com “posso voltar a ser um país do caraças”.

73 - Paulo Fernandes (Presidente da Câmara Municipal do Fundão)
Referiu o nosso problema demográfico e falou de vários feitos do seu município como uma barca pública recuperada nas aldeias do Xisto, da aldeia histórica de Castelo Novo, que não tinha Internet e convenceu investidores a pegarem num pavilhão multiusos chamando assim dezenas de informáticos àquele sítio e da cereja do Fundão que se come à espera que alguma coisa aconteça, tal como Bukowski falava das bebidas alcoólicas.

74 - David Almeida (actor)
Está farto de gigantes e tem duas propostas para fazer aos concidadãos e concidadãs. A primeira envolve uma sobretaxa e a segunda não é mais do que o destino em que irá aplicar os fundos provenientes dessa mesma sobretaxa. Estamos com ele!

75 - Miguel Real (escritor)
Há 40 anos sabia dizer o que era Portugal: um país rural, de carácter sebastianista, um país católico que em 1917 até tinha recebido a visita de Nossa Senhora. Hoje não sabe bem o que somos. Se hoje a nossa identidade é urbana, europeia e laica, quer dizer que temos uma identidade vazia, porque se alarga aos restantes países da Europa. A língua, a escola, a família e as Forças Armadas mudaram, portanto só daqui a 40 anos sabe responder ao que somos hoje.

76 - André Pereira (argumentista)
É também jornalista e redactor publicitário, resumindo, está desempregado. Apresentou um texto intitulado Um Problema de Estrume, onde fez desfilar tudo o que Portugal precisa ainda mais. Na realidade, tudo o que de mau aconteceu nos últimos anos, da Casa dos Segredos ao Apito Dourado. “Cristiano Ronaldo ganhou três Bolas de Ouro porque o Blatter, o Platini e o Messi dão cabo da paciência, no caso do Messi também dos rins, a qualquer um”.

77 - Ricardo Salazar (advogado e empresário)
Escreveu a sua intervenção no comboio, depois do Porto e antes de Lisboa. Pensa global e actua local, por isso veio representar o Porto. Falou no medo que a austeridade trouxe ao país e vê no novo Porto uma solução para Portugal: defender e mostrar globalmente aquilo que se faz localmente.

78 - Miguel Cardona (músico)
Primeiro olhou para a imagem do evento e interpretou que a mão eram os portugueses, espremendo o país. Depois imaginou Portugal todo relvado, pente dois e com os ingleses a jogarem golfe. Mesmo no fim do território apanhavam uma onda de 35 metros com o McNamara e surfavam até ao Terreiro do Paço. Mas só quer mesmo que ninguém passe fome.

79 - Nuno Costa Santos (argumentista)
Leu um texto que assume a convicção de que Portugal não é o país onde vive actualmente. “Hoje de manhã foi a gota de água. Vi um automobilista dizer a um pedinte deficiente para ir dar uma volta. Vou emigrar”.

80 - Mariana Melo (editora da revista Code)
Aos 19 fugiu para a Bélgica. Ficou lá onze anos e criou uma revista, distribuída em cinco países. Não sabe bem o que a levou a rejeitar Portugal, mas sentiu o mesmo em outros portugueses que encontrou lá fora. Via-o como retrógrado. Mas começou a sentir saudades do sol, do mar, da luz. Quis proporcionar à filha uma infância como a que teve. Regressou na pior altura, há quatro anos. Podia ter voltado para a Bélgica, mas ficou. E trouxe a revista para ser feita a partir daqui.

81 - NUNO LOBITO (viajante)
Tem 204 países na cabeça. Defende que a falta de auto-estima é um dos nossos enormes problemas. Diz que temos um país lindíssimo, que inclui no top 5. O caminho que sugere é viajarmos, mas para conhecer as culturas e não irmos para resorts. E afirma que devemos ter um objectivo de vida, fazer o que queremos e sermos úteis à sociedade.

82 - Luana Cunha Ferreira (psicóloga clínica)
Explicou que em Portugal os homens são uns coitadinhos. As mulheres eram da casa e do doméstico, os homens do profissional e da rua. Mas não é isso que ela vê.

83 - António Cova (radialista)
O homem da Marrazes FM teve uma intervenção original, desde logo pelo equipamento da rádio, com uns grandes headphones, mas também com piadas: “come-se bem em Marrazes, o que é subjectivo, porque gosto de massa de cotovelinho, bem regada de atum com natas.” Comparou Portugal a um provérbio chinês que dizia que se fores a uma pastelaria buscar um travesseiro, não te preocupes porque não és o último nem o primeiro.

84 - Cristina Basílio (actriz)
Considerou que vivemos numa ilusão de democracia, onde aqueles que elegemos são os nossos piores inimigos, aqueles que devíamos temer. E também é o medo que nos impede de cometer um crime. Só que até para ter medo é preciso ser inteligente para o detectar. E nós temos medo de fantasmas. Estamos dormentes. Um povo assustado. Por isso pediu aos pais para não educarem os filhos no medo, mas em liberdade.

85 - Miguel Vale de Almeida (antropólogo)
É contra a ideia de que os países possam ter personalidade como as pessoas. Defende que temos de deitar fora o peso do passado, que não nos deixa evoluir, e lutar contra a ideia de que podemos ser outra coisa baseados na comparação com alguém.

86 - Rute Sousa Vasco (jornalista)
Diz que somos o país dos heróis do mar, gostamos do tudo ou nada, do é agora ou nunca, o que nos prejudica na continuidade, e deu como exemplos o ultimato inglês de 1891 e o célebre apoio a Timor em 1999. Somos o país do respeitinho é bonito, o que nos dá medo de afrontar, e do temos direito a tudo, surgido após o 25 de Abril, mas esquecemo-nos dos nossos deveres. E somos um povo com ideias, hospitaleiro e com capacidade para dar a volta aos obstáculos.

87 - Susana Lima (cientista)
A capacidade de dizer não, a falta de tempo, um cão, um gato e a Susana.

88 - Paulo Laureano Vinus (enólogo)
Afirmou que somos um país único no meio do vinho. Um país pequeno com uma enorme diversidade, com vinhos diferentes de norte a sul, climas e terras diferentes e um conjunto de castas adaptadas a cada região. Temos vinhos diferentes, nem melhores nem piores, mas únicos, num mundo cada vez mais homogéneo.

89 - Vítor Hugo Cardoso (rapaz bonito aos olhos da sua mãe)
Sugeriu que se acabe com os brandos costumes, está na altura de trocar de portugueses, ir buscar os all-star, a farinheira do cozido, os emigrantes. “Quantos casos de sucesso conhecemos de portugueses que partiram sem nada?”. Até o Diogo Morgado, que cá era visto como um plagiador, lá fora é um vencedor. Há sempre vantagens em atravessar a fronteira, excepto para a Sara Norte.

90 - Jorge Castro Guedes (encenador, actor e dramaturgo)
Deixou um vasto número de perguntas ao país, entre as quais: Portugal, que posso eu fazer por ti? Esta ainda pode ser a minha pátria?

91 - André Dias (membro da organização que meteu uma cunha)
Acha que, sem dúvida, Portugal é um país sem dúvidas. Sugeriu que perguntássemos ao jantar o que acham sobre o BPN. Iremos ter posições completamente opostas, toda elas sem qualquer dúvida. O que não seria grave, caso fosse só ao nível dos nossos jantares. E em relação aos consensos, não temos que ir logo para o consenso da solução, podemos começar pelo consenso da dúvida.

92 - João Taborda da Gama (professor)
Não sabia o que falar, então fez como muitos países e recorreu à exploração infantil e pediu ajuda aos filhos, mas não resultou. Depois provou que somos uma marquise, até na composição da palavra, natural da expressão “o mar quis e”. Somos a marquise da Europa e temos uma relação freudiana com as marquises. Que não são marquises, são varandas por fechar.

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2 comentários:

  1. Não li tudo porque enfadonho. Do que li, pareceu-me muita parra e pouca uva! O que importaria - se é que os cidadãos tivessem voz activa e actuante! - era estabelecer medidas concretas para cada sector da actividade, desde o mar à política. Mas nós, cidadãos, afinal não temos qualquer poder nesta pseudo-democracia. Os partidos tomaram o poder e não temos alternativa: ou votamos nos seus programas (que já sabemos que não cumprem!) e nos homens que nos impõem, os do aparelho, ou nos abstemos, ABSTENÇÃO que tem sido o maior partido nos últimos anos e a que "eles" não ligam nenhuma, chamando aos abstencionistas "preguiçosos". Espero ainda ver um país em que haja realmente uma democracia, deixando de ter uma partidoditadura, como é o regime actual! Nesse país, terei imenso gosto em participar activamente!

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