sábado, 24 de janeiro de 2015

Letra de imprensa em vez de caligrafia tradicional

Em finais de Novembro passado, a propósito de um texto que publiquei, um leitor do De Rerum Natura dava conta, em comentário, que a Finlândia decidiu acabar com a iniciação à caligrafia.

Explorei as notícias que correram mundo (por exemplo, aqui) e que davam conta de que o papel seria, num futuro muito próximo, substituído pelas teclas; as crianças, desde que entrassem na escola escreveriam nos seus computadores.

Nos argumentos nada de novo: o mundo mudou, é, agora, tecnológico e, portanto, há que preparar os mais jovens para a realidade concreta com a qual têm de lidar no presente e, sobretudo, no futuro. Quando o país que todos os outros invejam em matéria de educação o diz, há que concordar.

Mas parece que os jornalistas exageraram um pouco: a responsável pelo Instituto Nacional de Educacão Finlandês veio, logo de seguida, em Dezembro, esclarecer que tinha havido um mal-entendido.

A verdade será esta: a escrita manual, a que se reconhecem vantagens cognitivas - desenvolvimento da memória, por exemplo -, não acaba, mas as crianças deixarão de perder tempo com a difícil e demorada caligrafía tradicional, aprenderão o traço da letra de imprensa, que é muito mais fácil e rápido de executar. O tempo ganho será usado na aprendizagem da escrita no computador, pois é esta que mais valor tem na vida laboral. Os alunos têm, pois, de ser precisos e eficazes nesta destreza.

Se a caligrafia tradicional não se usa em mais lado nenhum a não ser na escola porque é que deve ser aprendida? Eis a pergunta que a referida senhora deixou no ar e à qual não sei responder. Vou procurar quem saiba e do que conseguir apurar darei conta aos leitores.

4 comentários:

  1. A caligrafia "de máquina" NÄO é mais rápida que a caligrafia tradicional.
    Quanto muito pode ser mais facilmente legível, porque há gente que gatafunha.

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  2. Fui eu esse leitor do Rerum Natura:25 de janeiro de 2015 às 12:53

    De facto, a Finlândia é hoje uma terra de (des)ilusões, onde a dissonância cognitiva e a lavagem cerebral socialista têm conseguido proezas assustadoras e cientificistas. A caligrafia tradicional não se usa? Ai não?
    Quer dizer, o mal-entendido pode ser traduzido do seguinte modo, ainda não vamos acabar já com a aprendizagem da caligrafia, vamos esquecê-la, através do uso da letra de imprensa, bem mais quadrada e inexpressiva. Um dia virá em que já ninguém se lembrará da caligrafia tradicional e será a hora de dizer que a letra de imprensa não se justifica. Ou seja, o desenvolvimento do cérebro e da habilidae manual que se lixe.

    O saber não ocupa lugar
    http://algolminima.blogspot.pt/2015/01/o-saber-nao-ocupa-lugar.html

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  3. Parece que o assunto nem mereceria ser comentado. Mas aprender a escrever é como aprender a contar. Uma e outra actividade são imprescindíveis para o desenvolvimento físico (ao nível do movimento e habilidade da mão) e mental da criança.

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  4. Quanto à rapidez da escrita, basta experimentar.
    Pela minha parte, não tenho dúvidas de que escrever com minúsculas "caligrafia tradicional" é um processo muito mais agilizado porque a forma das letras é adequada a que se escreva uma palavra sem levantar a esferográfica. Já a letra de imprensa obriga a que se interrompa a escrita de cada vez que se escreve uma letra, processo muito mais cansativo e moroso. E se forem maiúsculas de imprensa, a coisa piora, porque até para escrever uma letra, em casos como o T, pode ser preciso levantar a esferográfica.
    De resto, penso que a invenção da caligrafia manuscrita tradicional foi um feito genial, pelas razões apontadas, ou seja, para responder à necessidade de encadear o ato de escrever sem as referidas interrupções.
    Talvez haja conhecimento histórico sobre isso. Fico curioso.

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