quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

CEM ANOS DA OBRA-PRIMA DE EINSTEIN

Artigo que escrevi hoje no Observador:


A ONU, ao designar 2015 como o Ano Internacional da Luz, referiu que nesse ano é o centenário da teoria da relatividade geral de Einstein. A teoria da relatividade restrita, cujo centenário foi celebrado em 2005, uniu o espaço ao tempo e a matéria à energia. Pois a teoria da relatividade geral, a obra-prima de Einstein, relaciona o espaço-tempo com a matéria-energia. A força de gravitação universal, que Newton tinha proposto no século XVII para explicar a atração de uma maçã ou da Lua pela Terra, ficou explicada: a matéria-energia de um astro como a Terra encurva o espaço-tempo à volta. Num verdadeiro prodígio do cérebro humano, Einstein juntou, em 1915, o espaço, o tempo, a matéria e a energia uma só equação. E todo o cosmos está ali, desde o Big Bang aos buracos negros.
E o que é que a teoria tem a ver com a luz? Pois Einstein, que para a relatividade restrita tinha partido da invariância da velocidade da luz, para a relatividade geral partiu da hipótese de a luz curvar nas vizinhanças de um astro de grande massa, portanto com muita matéria e energia. Supondo que a luz vai sempre pelo caminho mais curto, se ela encurva é porque o espaço e o tempo são curvos, isto é, porque a matéria e a energia “dobram” o espaço-tempo. Desde há um século que muitas provas se acumularam em favor de Einstein. A primeira foi a observação do eclipse do Sol em 1919 na ilha, então portuguesa, do Príncipe. O Príncipe foi o princípio da fama mundial do sábio. O jornal “O Século” titulou de forma poética: “A luz pesa”.
A física prossegue hoje em dia. Os físicos estão a tentar subir para os ombros de Einstein tal como este subiu para os ombros de Newton para ver mais longe. Não é fácil, mas valerá a pena. O casamento da teoria da relatividade geral, que descreve a estrutura do cosmos, com a teoria quântica, que descreve a luz, é uma tarefa que valerá um Nobel. Um? Devia valer vários!

2 comentários:

  1. E espero que a efeméride sirva de pretexto para os média portugueses divulgaram, com qualidade, a história da ciência. Bom ano. Luís Monteiro

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