domingo, 7 de dezembro de 2014

O medo, como convém, volta regulamente às cabeças das pessoas

O "medo", é uma impressão difusa mas bem real. Instala-se nas pessoas sem elas darem conta e passa a acompanhá-las em todos os momentos da sua vida. Não é preciso fazer mais nada para que a liberdade esmoreça. E, com ela, naturalmente, a democracia.

A visão de Maria José Morgado sobre o medo (aqui). Refere-se, em concreto, a Portugal, mas penso que, infelizmente, deixando de lado outros cantos do mundo que não conheço, podemos generalizar a sua visão ao Ocidente. Leia-se Jacques Brazun (por exemplo, "Ascenção e Queda do Ocidente", Gradiva) e perceber-se-á melhor o que esta magistrada diz:



E, porque as palavras escritas têm mais força, destaco:
"O medo voltou. A corrupção instalou-se. As pessoas têm medo de ficar sem reforma. As pessoas têm medo de não encontrar emprego. As pessoas têm medo de não conseguir sobreviver a todas as privações que têm. As pessoas têm medo de ser despedidas. As pessoas têm medo de serem mal classificadas pelos chefes. A sociedade portuguesa está dominada pelo medo. Não há nenhuma espécie de liberdade. Mais, não há liberdade até naqueles que têm o dever de julgar. Aquilo que eu estou a dizer é um fenómeno difuso que está na cabeça das pessoas. Essas coisas funcionam na cabeça das pessoas de forma contraditória e com grandes dilemas."

2 comentários:

  1. Não gosto do quê intitula-se "medo" e, percebo professora Helena Damião, bem pouco resulta o conforto a certeza perante o temor de quando (questões deste nível) a palavra escrita, elegem o significado último em humana esperança.

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  2. Não podia estar mais de acordo.
    Um cidadão não é livre se não tiver o seu sustento assegurado, uma almofada patrimonial para as necessidades, leis que o protejam e a justiça a funcionar devidamente. Hora, hoje em dia, a maioria vive a crédito, emprego não há e investir num negócio não é fácil também, portanto há que baixar a cabeça e ter cuidado com o que se diz. Para além de tudo a Lei da Selva é predominante.
    E isto traz-me à ideia o que se tem passado com a próxima municipalização do ensino, as pessoas pouco se manifestam e nem querem falar do assunto como se não fossem ser trucidadas pelo mecanismo por isso.
    A municipalização do ensino tem um mecanismos que são autênticas bombas atómicas e a pior não é as Câmara ficarem com os tais 13.500€ por cada professor necessário que dispensem.

    Para além de não garantir oportunidades de igualdade para todos, devido aos municípios poderem alterar os currículos até 25% ( equivalente a três - 3- disciplinas /ano de escolaridade) isto vai arrastar para a "mobilidade" uma enorme massa de professores. Basta mexer 45, 50, ou mesmo 60m em determinadas disciplinas anualmente para já ser um caos de gente sem horário, quanto mais cerca de oito (8) horas. Isto para não falar que muitos vão andar qual caixeiro-viajante de agrupamento em agrupamento sem pouso certo.
    É o maior e mais despudorado assalto à Educação e uma forma encapotada de diminuir os salários da classe: o MEC manda embora os mais velhos e as CM contratam outros ao mais baixo salário que puderem e provavelmente a recibo verde ou outra estratégia semelhante.

    Quando acordarmos nem vamos reconhecer o país. Estou tão cansada deste meu Portugal!

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