sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O DONO DISTO TUDO


Leia-se hoje no Público artigo de Teresa Firmino sobre o absurdo das quotas da FCT na "avaliação" das unidades de ciência nacionais: aqui.

Quando saírem as classificações, a maioria dos investigadores portugueses, quer tenham ou não sido devidamente reconhecidos neste simulacro de avaliação, não perdoarão ao ministro da Educação pelo défice de investimento na ciência: a actual gestão da FCT pretende diminuir de forma drástica a ciência nacional. Nuno Crato, com o alto patrocínio de Pedro Passos Coelho, mandou executar a "poda" de António Coutinho, que nos meios científicos já é conhecido, justa ou injustamente, por "o dono disto tudo".

12 comentários:

  1. Como o Prof. António Coutinho pensa "fora da caixa", ele é que é o mau.

    Rui Silva

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    1. António Coutinho, pelo menos no que diz respeito a esta avaliação e do que foi possível ver nas duas inenarráveis aparições que fez no programa de Medina Carreira e no artigo que publicou no Expresso, não pensa fora de caixa nenhuma.

      Tal como foi descrito em

      http://dererummundi.blogspot.pt/2014/08/our-mutual-friends-sobre-mediocridade-e.html

      Coutinho limitou-se a utilizar argumentos que foram brandidos no Reino Unido por um político não-cientista e que foram esmagados (e nalguns casos ridicularizados) pela comunidade científica britânica na altura.

      É esse o programa deste governo para a ciência.

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    2. No Reino Unido tal como aqui, a comunidade cientifica está a julgar em causa própria, logo á partida não tem credibilidade .
      Tenham lá paciência mas esse trabalho tem que ser feito por alguém de fora.
      Para quem está de fora é confrangedor ( e coloca mal a própria comunidade cientifica) ver o que estão a fazer a António Coutinho pelo facto de este ter opinião própria diferente do mainstream cientifico.
      Já li algures até, que ele não tinha competência para avaliar coisa nenhuma porque era médico...

      cumps

      Rui Silva

      cumps

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    3. Rui Silva, a quem se refere quando diz que "para quem está de fora é confrangedor (...) ver o que estão a fazer a António Coutinho (...)"? Eu estou de fora, trabalho noutro pais, nao tenciono voltar nos proximos anos a trabalhar em Portugal (eventualmente nao me importaria de passar o resto da vida onde estou), nao tenho qualquer interesse pessoal no que se passou com a recente avaliacao da FCT, e considero confrangedor que exista quem defenda esta vergonha! Eu, e todos os meus colegas (nao portugueses e que nunca trabalharam ou estiveram ligados a Portugal), que ficam muito confusos quando sabem que grupos portugueses internacionalmente reputados, foram avaliados com um "bom" ou mesmo "suficiente" por investigadores de grupos com metade da qualidade destes. O que e' que voce encontra de sensato nesta avaliacao?

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    4. Refiro-me ao simples contribuinte.

      cumps

      Rui SIlva

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    5. E António Coutinho, com interesses em duas das unidades (privadas) que estão a ser avaliadas, está a julgar em causa de quem? Paira independentemente e de forma etérea sobre todas as unidades e tem uma opinião independente?

      E como classificar o seu comportamento quando cita a Noruega e a Alemanha como dois países onde a ESF fez avaliações semelhantes à que está a fazer em Portugal?

      E Robert May, que foi um dos cientistas a trabalhar no Reino Unido que atacou de forma mais violenta a posição semelhante à de Coutinho, classificando-a de facto de "stupid", e que tem um CV vastamente superior ao que AC alguma vez sequer pensou ter, também está a julgar em causa própria?

      E o editor de ciência do TImes, também estava a julgar em causa própria?

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    6. Caro anónimo,

      O seu comentário só vem confirmar o que eu penso sobre António Coutinho.
      Apesar de estar a ser avaliado não "destrata" o seu avaliador. Ao contrario de muitos que ao serem avaliados tentam desvalorizar o avaliador.

      Já agora qual é o mal das unidades privadas ?

      Em relação Robert May : Não vamos transformar isto num campeonato de CV's. Mas comparar a nossa situação á Britânica é para rir.


      cumps

      Rui Silva

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    7. Não é fácil perceber se é excesso de ingenuidade ou se por trás do pseudónimo de Rui Silva se esconde ... António Coutinho.

      Não se dá conta que o que está a comentar é precisamente a afirmação que António Coutinho é uma das eminências pardas por trás da manobra que é esta pseudo-avaliação? (tente adivinhar quem é a outra; sugestão: alguém cujo nome ainda não apareceu em lado nenhum associado a esta avaliação, que não é cientista, mas que tem bastante poder no seio de um dos partidos do governo hoje em dia).

      Por outras palavras, não só AC é parte interessada como está, de facto, a defender a sua criação. Nestas condições, dizer que AC não "destrata o seu avaliador" é hilariante.

      Não se dá conta que a importância do CV de May é que mostra que tem muito menos em jogo que Coutinho? - a propósito, deixou de fora o editor de ciência do Times; deixe-me adivinhar: a imprensa britânica, tal como a portuguesa (Público e Expresso), estão ao serviço dos mediocres que criticam os avaliadores!

      Mas de alguém que não percebe como é que é possivel ter um corte brutal sem ter havido uma subida brutal (comentário a outro post, assinado por Rui Silva), talvez não se possa esperar muito mais do que isto.

      Ricardo Reis

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  2. Rui Silva, como simples contribuinte, parece-me arrogante da sua parte querer falar por todos nós. Parece-me também uma forma infantil de fugir á questão discutida pelo anónimo das 21h33: de facto, há unidades altamente reconhecidas internacionalmente que ficaram mal classificadas por argumentos bastante absurdos! Quer mesmo defender que isto correu tudo muito bem? Quer mesmo defender que esta avaliação foi melhor que as anteriores?

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  3. Caro anonimo das 19:30

    Ser juiz em causa própria já não é arrogância é humildade pois claro!

    Mas eu não digo que esta avaliação é boa ou má. Digo sim que o avaliado não pode ser o avaliador, nem pode escolher o avaliador, ou repetindo-me "não pode ser juiz em causa própria).

    Causa-me espécie como é que uma unidade altamente reconhecida ( e que conta com os nossos melhores cérebros) não consegue financiar-se.O melhor que tem para oferecer aos seus acionistas ( contribuintes) é lamentar-se porque vai acabar o subsidio...

    O problema é mesmo o António Coutinho "com interesses" em entidades privadas. Que é lá isso , ainda alguém percebe que é possível fazer bom trabalho independente do Estado.


    cumps

    Rui Slva

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    1. Não percebe (ou não quer perceber) que os únicos juízes em causa própria aqui são Miguel Seabra, Leonor Parreira, António Coutinho e o quarto mosqueteiro, também com interesses num dos laboratórios privados?

      Não percebe (ou não quer perceber) que foi para resolver o problema de como aumentar o financiamento de algumas (poucas) unidades que foi decidido pelos quatro que era necessário eliminar o financiamento de 50% das unidades?

      Não percebe (ou não quer perceber) que esses laboratórios privados não são assim tão independentes do estado e que todas as manobras realizadas por esta direcção da FCT desde que tomou posse têm tido como finalidade precisamente ir buscar mais fundos a esse mesmo estado, disfarçado-as sob a forma de "avaliações", que estão desenhadas à partida para que essas unidades tenham melhores condições de financiamento?

      Quer melhor prova de tudo isto que o facto de Leonor Parreira, na altura da apresentação do "programa" do governo para a ciência ainda em 2012, ter resumido o que ia acontecer'? Ao dizer que algumas áreas tinham recebido mais financiamento do que mereciam, que os resultados não eram os melhores e que isso iria mudar, a secretária de estado fez a "avaliação" das unidades de investigação. Só faltava operacionalizá-la por forma a que os resultados coincidissem com as "previsões". Ainda em caso de dúvida, uma das áreas referidas como estando a receber mais do que merecia foi a das engenharias. Surpreendentemente (para a secretária de estado), é uma das poucas áreas das universidades portuguesas que aparece no ranking de Xanghai, por exemplo.

      Federico Reis

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  4. Caro Federico Reis,

    Há de haver rankings para tudo. Basta procurar. Há uma discussão que será interminável.
    Se as unidades que se anunciam como independentes e sub-repticiamente não são acho mal. Evidentemente não serei eu a defender isso.
    No entanto meu ponto é, repito:
    Se existirem unidades e investigadores com valor nas unidades deixadas de fora, estes dCaro Federico Reis,

    Há de haver rankings para tudo. Basta procurar. Há uma discussão que será interminável.
    Se as unidades que se anunciam como independentes e sub-repticiamente não são acho mal. Evidentemente não serei eu a defender isso.
    No entanto meu ponto é:

    repito:

    Se existirem unidades e investigadores com valor nas unidades deixadas de fora, estes devem ser capazes de se reinventarem. Serão capazes de provar paradoxalmente que afinal o sistema ao funcionar mal , funcionou bem.
    Pois se funcionasse de forma a não os ter deixado de fora , estes ficariam ato-eterno dependentes do subsidio, pensando que estavam a fazer um grande serviço ao País.
    Isto a bem da ciência em Portugal.

    Espero não ter sido demasiado confuso.

    cumps

    Rui SIlva

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