segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Leonor Parreira e a partidarização da ciência


Segundo afirmou esta segunda-feira a Secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira a avaliação das unidades de investigação “está a decorrer com tranquilidade e como era suposto”. Depois de várias sociedades científicas terem contestado a avaliação, de esta ter sido salva na Assembleia da República apenas com os votos favoráveis do PSD e do CDS, de ter sido arrasada pelo Conselho dos Laboratórios Associados e pelos 15 reitores do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), de ter sido apresentada uma queixa contra ela no Ministério Público, podemos aceitar que está a decorrer como é suposto, se considerarmos o que é suposto para o actual governo: é suposto tudo ficar pior, não se poupar um tostão e ignorar autisticamente todas as vozes que façam algum sentido, por muitas que elas sejam. Os actuais responsáveis pela ciência em Portugal conseguiram esta coisa extraordinária: partidarizar a ciência. As unidades de investigação não são do PSD e do CDS. Mas esta avaliação é.

12 comentários:

  1. Pode não saber, mas as palavras têm significados (vamos dizer assim, para simplificar).O facto de algo ser suportado por alguns partidos e não por todos (coisa rara e nada recomendável em democracia) não significa que exista partidarização. O corolário da sua confusão mental seria dizer que toda legislação, em todas áreas, está partidarizada, esgotando sequer o seu argumento e matando a palavra para significar os casos onde existe uma regra que concede preferência a um partido. Não ande a repetir sempre os mesmo erros.

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  2. Conceito curioso o autor do post tem de democracia.
    …"Só foi aprovado pela maioria"…
    O que diria se fosse ao contrário?
    A partir de agora a aprovação de leis no parlamento passava a ser feita pela minoria.
    Ou seja, as leis seriam aprovada se uma minoria as desaprovasse.
    Já pensou bem no que acabou de escrever ?

    cumps

    Rui Silva

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    1. Textos pensados por parte do Marçal são como o Chupa-Cabras. Há quem diga que existe, mas ninguém viu.

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    2. Não posso, obviamente, substituir-me ao autor do texto sobre a sua interpretação, mas diria que o que está em causa é o seguinte: enquanto que várias sociedades e instituições de cariz científico criticaram fortemente este processo de avaliação, a discussão pública no parlamento dessa avaliação foi parada politicamente.

      É assim que as coisas funcionam, e quando os partidos da oposição propuseram que se suspendesse a avaliação já sabiam qual seria o resultado,
      pelo que se tratou apenas de marcar presença.

      Mas não deixa de ser verdade que enquanto um conjunto substancial de parceiros científicos se manifestou fortemente contra a avaliação, esta foi apoiada sobretudo politicamente. Este último facto é tanto mais relevante se
      pensarmos que o que está por trás da avaliação (a eliminação de metade dos centros) não foi apresentado explicitamente nem submetido a discussão pública.

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  3. @Rui Silva, talvez porque nos média a expressão, a maioria, é recorrentemente utilizada para designar o conjunto de deputados do grupos parlamentares do PSD e CDS, o que exclui todos os restantes deputados.
    Foi essa a leitura que eu fiz, mas nada melhor que perguntar ao autor do texto o porquê do uso da expressão “Só foi aprovado pela maioria”.

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    1. 1) "media" não leva acento. "media" não é uma média.
      2) É óbvio que se refere à maioria parlamentar. É precisamente essa a asneirada do Marçal. Em democracia é usual e quase recomendável que as decisões sejam "só [aprovadas] pela maioria". E a tal não significa "partidarização", mas democracia parlamentar. Era conveniente saber sobre o que se escreve e conviver melhor com a democracia.E quem está à espera que o próximo governo reveja a avaliação da FCT, o melhor é esperar sentado que vai demorar.

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    2. Caro Cromos do Cosmos,
      Penso que está enganado. Quando nos "media" se referem á maioria, fazem-no porque o PSD e o CDS formaram uma coligação, constituindo assim a maioria dos deputados na AR. Tão simples como isto. Não há lugar aqui, a subentendidos nem subjetividades de interpretação, que imponham um pedido de esclarecimento ao autor. Muito menos sendo a pessoa em causa um intelectual com reconhecida competência.

      cumps

      Rui Silva

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    3. "intelectual com reconhecida competência"

      Poderia indicar-me algumas das obras que o fazem ser "um intelectual com reconhecida competência"? Pessoalmente, nos vinte anos que ando pela academia não conheço ninguém que o reconheça como tal, apenas pelo oposto, ideia que certamente me fará o favor de desfazer.

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    4. Bom, eu disse "reconhecida competência" tendo em conta o doutoramento em bioquímica, autoria de pelo menos um livro com o Prof. Carlos Fiolhais.
      No entanto e uma vez que põe isso em causa e não estando eu á altura de contestar, remeto-me ao silencio.

      cumps

      Rui Silva

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    5. Um doutoramento em Bioquímica e um livro na gradiva com o Fiolhais....realmente, um intelectual!

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  4. 1) "media" não leva acento. "media" não é uma média.

    http://www.priberam.pt/dlpo/m%C3%A9dia

    Por favor, sabe qual é a origem da palavra?


    Quando nos "media" se referem á maioria, fazem-no porque o PSD e o CDS formaram uma coligação, constituindo assim a maioria dos deputados na AR. Tão simples como isto.
    Exactamente, o que exclui "por exclusão de partes" os restantes deputados.

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    1. Sei. É de origem latina. Depois,derivada no inglês "mass media". Por esta razão a palavra não é acentuada. Mas qualquer pessoa com o mínimo de cultura sabe tudo isto. É, naturalmente, é assim que surge no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa. "Mesmo quem diga media, acentuando o e e com valor de plural, não pode usar o acento gráfico, porque está a usar um plural neutro latino, media"

      Mas se quer fazer uso do (des)acordo ortográfico, também conhecido como o português bestial, esteja à vontade.

      A segunda parte do seu comentário, talvez por ser escrito em português maltratado - "exclui "por exclusão"" - não é inteligível. Mas dou-lhe uma ajuda: o que o Marçal queria dizer é que o governo, a "maioria" está partidarizar a política para a Ciência pois não tem o apoio das restantes bancada parlamentares. Infelizmente o argumento é tontinho, pois partidarização não é isso e em democracia parlamentar esse é modo de funcionamento. Ainda pior para o Marçal quando a dita maioria "isolada" é constituída por dois dos cinco partidos com assento parlamentar (os Verdes é apenas uma habilidade).

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