sábado, 6 de dezembro de 2014

Disse uma pessoa com-abrigo...

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP/Getty Images
Reproduzida no Expresso on line: aqui

Ontem, dia 5 de Dezembro, o jornalista Daniel Ribeiro, correspondente em Paris, publicou um artigo no Expresso on line que importa muito ler (aqui).

Conta ele que a câmara de Marselha obriga todas as pessoas sem-abrigo a identificarem-se da maneira que se percebe na fotografia acima. Cada uma deve ter colada à roupa e em sítio bem visível um triângulo onde consta o seu nome e as doenças de que padece.

"É um simples cartão de socorro e permite aos bombeiros e aos médicos agir com eficácia para salvarem a vida destas pessoas, dificilmente identificáveis sem esse cartão", explica candidamente e, presumo, bastante surpreendida, uma pessoa com-abrigo e com um cargo importante na câmara, quando lhe pediram que explicasse a medida.

A explicação que deu não destoa muito de outras que se vão ouvindo (e, mais do que isso, se vão impondo) neste tempo em que a eficácia, a eficiência, a rentabilidade, a produção, a economia financeira... comandam o mundo. Para dizer a verdade, não a estranhei. O que (ainda) estranhei foi não a ter estranhado.

Acho que isto diz muito do pensamento contemporâneo, que é, afinal, ancestral e, vez em quando, emerge. Se não formos capazes de lhe resistir ele há-de conduzir-nos, de novo, a caminhos que já conhecemos.

6 comentários:

  1. Parece-me mais uma estrela de três pontas do que outra coisa.

    ResponderEliminar
  2. Estão a ser ultrapassados limites de decência e de moralidade. Não basta que seja legal, ou lícito.
    A democracia, nos seus princípios, embalou o senso comum na confiança de que o que é legal é ético-moral. Assim devia ser, mas não é.
    A memória histórica está sobrepujada desta perversão ao abrigo dos princípios.
    Gosto do título Disse uma pessoa com-abrigo....
    Por essa ordem de ideias, os sem-abrigo têm o direito de obrigar as pessoas com abrigo a fazer o mesmo. Se o problema desta sociedade em que vivemos são as pessoas que só estorvam e dão prejuízo, vamos ter de começar por quem faz as leis e as impõe aos outros, ao abrigo dos princípios do Estado-de-direito democrático, porque o nosso tempo está saturado, nós estamos fartos, de péssimos exemplos de criminalidade da grossa.

    ResponderEliminar
  3. O Ministro das Finanças alemão não sugeriu uma vez que os países com deficit deviam ter a respectiva bandeira a meia haste nas cerimónias onde ela aparece?
    Só faltou dizer que os cidadãos desses países deviam trazer um autocolante com a estrela.

    ResponderEliminar
  4. Se aos sem abrigo se impõe esta marca, então propõe-se: uma marca a dizer "fui eu que fiz as leis sociais que nos regem"; "eu sou responsável pelo estado da economia nacional"; "eu fui governador do banco que nos levou à falência"... etc. Que ESSES tragam a marca daquilo que fazem, e andem pela rua, a pé, para que todos vejam... e não os vejam só na TV a entrar nos carros... Este mundo está louco... Tem de vir um outro Dilúvio universal, ou algo no género, para limpar tudo e começar de novo...

    ResponderEliminar
  5. Aterrador !!!! Mas quem ainda não sabe da Agenda da Elite mundial e dos projectos científico totalitários da Europa?
    O horror está aqui - Este é só um pequeno exemplo:

    Transhumanist Wants Brain Implants in People to "Prevent Rape and Violent Crime"
    https://www.youtube.com/watch?v=nD9IdHb

    ResponderEliminar
  6. E já agora uma marca aos eleitores que votaram nas pessoa que fizeram as leis sociais( seja lá isso o que seja).

    cumps

    Rui Silva

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.