segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A Criação do Homem — Duas narrativas

1. Ovídio, poeta latino nascido a 43 a.C., em Sulmona, um vale dos Apeninos.

                      A criação do homem

Faltava ainda um ser mais sublime que estes, mais capaz
de conter uma alta inteligência, que pudesse reger os outros.
Nasceu então o homem. Este, ou o fez de semente divina
aquele artífice do universo, a origem do mundo melhor;
ou então a terra recente, separada há pouco do alto éter,
talvez ainda contivesse sementes do céu, seu parente, terra
que o filho de Jápeto, misturando com água da chuva,
moldou à imagem dos deuses que governam tudo.
E se os outros animais, dobrados para baixo, olham o chão,
conferiu ao homem uma cara virada para cima, e instruiu-o
a olhar para o céu e a erguer o rosto erecto para os astros.
Deste modo, o que há pouco era terra em bruto e sem forma
transformou-se e assumiu formas de homens jamais vistas.

Metamorfoses, I, 76-88 (trad. de Paulo Farmhouse Alberto, Livros Cotovia, 2007)

2. A descrição bíblica:

Quando o Senhor Deus fez a terra e os céus, não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar. Mas da terra elevava-se um vapor que regava toda a sua superfície. O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo.
(Génesis, 2, 5-7) 

1 comentário:

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