domingo, 12 de outubro de 2014

Tantos erros em tão pouco tempo!

A ameaça directa da European Science Foundation - ESF à astrofísica espanhola que referiu os erros (muito graves) da ESF na "avaliação" (entre aspas, porque de avaliação só tem o nome) que fez a mando da Fundação para a Ciência e Tecnologia - FCT está a criar uma onda de indignação no mundo científico internacional.  O post do David Marçal sobre o assunto está a ter um número enorme de acessos, a maior parte dos quais internacionais. Neste momento, com apenas um dia e meio de exposição, já é o 5.º post mais visto de sempre do De Rerum Natura, com 4000 acessos.

Eis uma carta aberta ao Dr. Worms, dirigente da ESF, escrita pelo Dr. Dave Fernig, bioquímico em Liverpool:

An open letter to Dr Worms, ESF


E eis um comentário do Dr. Thiago Carvalho, do Instituto Gulbenkian de Ciência:

 "The ESF fiasco is the tip of an iceberg..."


Depois desta tentativa de censura aos cientistas a ESF perdeu completamente a face. E a FCT também, porque foi a FCT que se lembrou de ir buscar uma associação não só sem experiência no assunto mas acima de tudo sem a idoneidade necessária. Estamos todos hoje esclarecidos sobre a qualidade da organização a que o governo PSD-CDS encomendou a avaliação a ciência nacional, no que não passou de um gesto político-partidário para justificar a sua política de redução da ciência e dos cientistas. É preciso dizê-lo: o governo de direita organizou uma avaliação defeituosa, inquinada logo à partida por uma ordem secreta dada à ESF, com a finalidade de eliminar metade da ciência portuguesa, porque a direita quer menos e pior ciência. Está a tentar destruir o nosso sistema científico que, apesar de ter falhas e de poder ser melhorado, era algo de que nos podíamos orgulhar, em comparação com outros sectores. Demorou muito tempo a ser construído e beneficiava de um apoio alargado dos vários partidos do espectro político. Está a tentar separar em vez de unir a comunidade científica, aproveitando-se de uma maioria política fugaz.

A contratação da ESF foi, está hoje bastante claro, um erro grave. A dramática diminuição das bolsas de doutoramento e de pós-doutoramento foi outro. A concretização de cortes continuados e cegos no ensino superior foi outro. E a diminuição dos esforços em prol da cultura científica foi outro ainda. Tantos erros em tão pouco tempo!  Não sei se os cientistas portugueses vão aceitar as desculpas do ministro Nuno Crato se e quando ele reconhecer  os seus vários erros na gestão da ciência em Portugal:  

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