quarta-feira, 15 de outubro de 2014

ESF BACKS OFF FOR NOW BUT KEEPS THE THREAT ON SPANISH RESEARCHER


Almost a week has passed since European Science Foundation threatened spanish researcher Amayo Morto-Martins with a lawsuit because of her opinion, published in Nature:

"Portugal may now have to close half of its research units because of a flawed evaluation process supported by the European Science Foundation."

Now ESF started to respond to journalist inquiries about the lawsuit. In a reply sent to Dan Vergano, National Geographic Senior Writer-Editor, an ESF spokesperson wrote:

"It is not the intention of the European Science Foundation to undertake legal proceedings against any individual at this stage.

This declaration is profoundly disturbing. While seeking to alleviate the pressure on itself, ESF keeps the options open and sustains the threat. For all we know, this can means that “at this stage" they are preparing the lawsuit,

ESF should already have apologized for this contemptible behavior and engaged in public debate about the evaluation that is conducting on all research units in Portugal. No such thing happened. ESF seems to miss the difference between denial and  actual refutal. Although it denies the flaws in the the evaluation process and makes unsubstantiated allegations of "high quality standards", it doesn’t refute any specific issues (see here and here) raised by a huge number of researchers. Instead, it threatens with a lawsuit. By now it’s not a mistake. It’s a consistent intimidation stratagey.

8 comentários:

  1. Eu já previ isto há talvez mais de um ano e vou aqui dizer o que pensei. A Europa não está interessada em subsidiar pequenos grupos de investigação, que na prática se limitam a publicar artigos que, na verdade, pouco inovam porque pouco arriscam e assim pouco contribuem para o progresso do conhecimento. A Europa prefere concentrar os fundos nos grandes centros de investigação, quer porque são mais profícuos, quer porque assim é muito mais fácil gerir os apoios.
    O que foi decidido não é reduzir os centros portugueses a metade, é acabar com o apoio a todos, salvo algum excepcional; a forma de o fazer é reduzir a metade todos os anos - tempo de semivida de 1 ano, portanto.
    Se pensarmos que Portugal não passa agora de uma espécie de autarquia à escala da Europa, a coisa compreende-se; os investigadores portugueses irão trabalhar para os grandes centros, tal como agora os investigadores do interior têm de ir para as grandes cidades portugueses. Só mudou a escala.
    Porém, há outra maneira de ver as coisas. Eu tenho ideias para contrariar este projeto, penso que os centros locais são indispensáveis e penso que se se juntar esforços, há solução para o problema (contestar a medida não vai resolver nada); se alguém quiser discutir o assunto, terei todo o prazer. alf.g.oliveira@gmail.com

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    1. Sugiro que veja o que está a acontecer com o caso limite de distribuição de fundos apenas por um projecto considerado o "melhor". Pode começar por aqui:

      http://news.sciencemag.org/brain-behavior/2014/07/updated-european-neuroscientists-revolt-against-e-u-s-human-brain-project

      Quanto à avaliação, não é possível que seja credível quando se misturam dois critérios, um absoluto (o que foi publicitado) e outro relativo (os 50%).

      É possível fazer ou um ou outro - possível não quer dizer desejável. Mas os dois em simultâneo não são compatíveis.

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    2. O que eu expus não é a minha opinião sobre como a ciência deve ser feita. Eu penso algo muito diferente. É o que pensam os decisores, com a sua visão cheia de lógica mas sem sabedoria. E o exemplo que dá traduz perfeitamente a mina interpretação do pensamento dos decisores.
      Não há dois critérios, há um objectivo - o relativo (50%) - e um critério para preencher este objectivo.
      É por isso que eu penso que a contestação que se está a fazer não vai resultar, porque está a contestar o critério quando devia contestar e denunciar o objetivo; pior: ao ignorar o objetivo vai passar a imagem de que os investigadores portugueses são incompetentes e, como qq mau aluno, reclamam da avaliação.

      É preciso denunciar o objetivo e tomar medidas para que o objetivo não possa ser aplicado no ano seguinte - caso contrário teremos 50% de corte uma e outra vez até à extinção. Alf

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  2. Caro Alf, a ciência é incremental e raramente progride com grandes saltos. Aliás, quando estes ocorrem, partem de uma base de conhecimento sólido cimentada por "pequenos estudos".

    Para mais, quem conhece por dentro os actuais problemas da ciência sabe que os estudos "arriscados" publicados nas "grandes revistas" raramente são replicáveis e frequentemente acabam por ser retractados pelas revistas. Basta pegar na Nature e ver que em cada edição há uma página com correcções e retractações.

    A "ciência de encher o olho" e páginas de jornais é isso mesmo, mas pouco mais. Prefiro um exército de laboriosas formigas às cigarras, que geram prejuízos de milhões. Basta ver a quantidade de estudos clínicos que falham (cada um pode custar milhões de euros) porque testam drogas aparentemente promissoras em testes pré-clínicos, mas que eram falsos-positivos resultantes de enviesamentos não considerados e desenho experimental e análise deficiente.

    Ademais, a dimensão de um centro nada diz sobre a qualidade individual dos seus investigadores. A falta de recursos gera uma espiral alimentada por feedback positivo, na qual pouco dinheiro gera pouca ciência e pouca ciência gera menos dinheiro e assim sucessivamente.

    Acho que a avaliação deveria ter em consideração grupos de investigação, não centros. E deveria ter mais respeito pelos cientistas "medianos" (ainda que não pelos medíocres). As "formiguinhas" que produzem conhecimento de aparente pouco impacto, mas replicável, sólido, fidedigno. As "cigarras" são o cancro da ciência!

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    1. Ainda que concorde que deveria haver mais controlo de qualidade na Ciência em Portugal, associar essa qualidade ao financiamento e tamanho de centro de investigação é uma ideia 100% errada, resultante do típico facilitismo político: é bem mais prático cortar de forma desenfreada, aleatória e injusta do que de facto enfrentar interesses estabelecidos e tentar identificar quem é incompetente.
      Em suma a ESF não deveria ser usada para justificar decisões políticas. Ainda que sendo uma decisão claramente estúpida e injusta, o corte no financiamento não é ilegal nem inconstitucional pelo que o Governo, no mínimo, deveria assumir o custo político das suas decisões políticas.
      Com esta decisão, o Governo tenta criar a ilusão que o trabalho de centenas de bons investigadores portugueses é medíocre transmitindo essa mesma mensagem para o resto da sociedade. Isso sim, e voltando ao tema, deveria ser considerado “slander”

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    2. (Peço desculpa pelo lapso, não era intenção ser resposta a outro comentário, mas um comentário novo, se for possível editar).

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    3. Nuno Franco, peço-lhe que leia a minha resposta ao comentário anterior. Estou inteiramente de acordo consigo e nem sequer olho para a investigação científica em função de resultados. O que eu acho importante é que as pessoas que querem investigar o possam fazer. Os grandes avanços da Conhecimento vêm quase todos de pessoas que investigam porque gostam e que não andam presas a processos de controlo e avaliação; não discordo que estes tenham de existir, mas apenas com a finalidade de eliminar do sistema os apenas querem viver à custa dele e não estão nele movidos pelo entusiasmo do conhecimento. Alf

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    4. Caro Jesus, totalmente de acordo; é por isso que defendo que é preciso denunciar que há um objetivo de redução do financiamento a metade dos centros. Note que não há um objetivo de reduzir a verba, o dinheiro, não é para fazer economias - é uma questão de política de gestão da ciência.

      Ao mesmo tempo que se denuncia essa política, é preciso também aprender a viver com ela; porque ela não é do governo, é europeia. Se não aprendermos, no ano seguinte de novo metade dos centros restantes ficarão sem financiamento.

      portanto, porque não se trata de uma questão de avaliação nem de economia nem é da responsabilidade do governo mas da europa, a contestação que está a ser feita não terá resultados porque ataca os alvos errados. Penso eu de que... Alf

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