segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O meu ensaio sobre Pseudociência


Já está disponível o meu novo livro "Pseudociência", publicado na Colecção Ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Já aqui transcrevemos as primeiras páginas, acrescento agora mais acerca do livro e temas que são abordados.

O que é a pseudociência?
É tudo o que se faz passar por ciência sem o ser. 

O que é a validade científica?
A validade científica não se baseia em figuras de autoridade (médicos, cientistas da NASA, especialistas, gurús) nem no uso abusivo de linguagem científica (pulseiras com um holograma quântico, iogurtes com bactérias especiais, etc.). A ciência assenta em provas e a validade científica concretiza-se com experiência ou observações passíveis de serem reproduzidas por outras pessoas, de modo a que possam ser confirmadas ou refutadas de modo independente.

De que trata o livro?
Na primeira parte, intitulada “De que estamos a falar”, procura-se definir pseudociência e chamar a atenção para os exemplos que estão por todo o lado (na internet, nos jornais, nos supermercados, nas farmácias, etc).

Na segunda parte, intitulada “Manual de Aldrabices” são apresentadas várias das estratégias habituais da pseudociência (figuras de autoridade, uso abusivo de linguagem científica, teorias da conspiração, síndrome do génio solitário, tática da controvérsia, publicidade enganosa, etc.) e apresentados exemplos (homeopatia, acupuntura, lei da regulação das terapias alternativas, movimentos anti-vacinas, medicina quântica, alimentos geneticamente modificados, alterações climáticas, iogurtes com probióticos, ensaios clínicos escondidos). 

Na última parte, intitulada "Luz ao fundo do túnel" são propostas algumas ferramentas que visam ajudar o leitor a melhor distinguir ciência de pseudociência (mas sem prometer nenhum milagre, o única antídoto contra a pseudociência é a cultura científica).

Sabia que os remédio homeopático são só água e açúcar?
O único efeito que os remédios homeopáticos têm é o placebo, ou seja a sensação de melhoras subjectiva e transitória que sentimos simplesmente porque somos alvo de atenção médica. Os preparados homeopáticos são obtidos através de diluições sucessivas, de tal modo que no final não sobra nada, a não ser água, que depois é vertida para cima de um comprimido de açúcar. Os homeopatas dizem que não faz mal e que água tem uma espécie de memória das moléculas que teve dissolvidas. Essa memória não existe. Caso contrário, já imaginou os traumas de uma molécula de água depois de saltar de um autoclismo?

Sabia que é um erro regular o exercício da profissão de homeopata?
No dia 8 de Outubro de 2014 foi publicado em Diário da Republica uma portaria (207-C/2014) que regula o exercício da homeopatia. Regular uma medicina que não funciona é equivalente a regular a amestração de dragões, incluindo práticas de bem-estar animal.

Sabia que a Danone foi condenada por publicidade enganosa em vários países?
Já reparou que nunca mais lhe disseram que o iogurte Activia “regula o trânsito intestinal”? E que essa afirmação foi substituída por um gesto largo à volta da barriga e pela expressão “barrigas felizes”?

Sabia que não vacinar os filhos é uma moda egoísta, anti-social e irresponsável?
Os movimentos anti-vacinas são tão antigos como as vacinas e, paradoxalmente, resultam do sucesso das vacinas: se não há praticamente casos de uma determinada doença porque haveremos de nos vacinar? Os movimentos recentes têm origem numa possível associação entre a vacina tríplice e o autismo, proposta num artigo científico publicado em 1999 e da autoria do médico inglês Andrew Wakefield. Esse artigo era uma fraude, com dados falsificados, Wakefield  foi desacreditado e impedido de exercer medicina.

19 comentários:

  1. É tão fácil registar a Realidade, não é? Contra a mundividência científica não haverá tribunal de recurso. Mas tal como as religiões que acabam por morrer esvaídas em sangue se lhes pedirmos simplesmente que nos mostrem, também a ciência vacilará se lhe fizermos o mesmo pedido: mostre-nos ( ou descreva-nos ) o tijolo básico que estrutura a Realidade.

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  2. Validade cientifica e pseudociência são coisas bem diferentes.
    Segundo o seu muito arcaico critério (e certamente que não deixará de citar profusamente os diversos autores neopositivistas onde verteu - no limite do plágio (mal conseguido) - o seu critério) toda a ciência teórica é pseudociência. Durante anos a partícula de Higgs era pseudociência para si, tal como os monopolos magnéticos, etc. Aliás, digo-lhe mais, para si - segundo o seu critério, que nada tem de seu e é uma vulgaridade infantil em epistemologia - a economia, boa parte das ciências sociais e até a teoria da evolução é pseudociência.

    Livro de supermercado.

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    1. Essa para o Marçal vai direitinha para junto das pseudociências, ali entre a Biologia e as ciência cognitivas, pois nenhuma cumpre com a pseudaepistemologia de Marçal: "A ciência assenta em provas e a validade científica concretiza-se com experiência ou observações passíveis de serem reproduzidas por outras pessoas". Já o velhinho Popper nos tinha explicado que ciência alguma assenta em provas ou há teoria validadas (ao contrário da pseudociência - curiosamente), mas o que fazer? O Marçal não precisa de andar a ler quem andou a trabalhar toda a vida sobre o problema da demarcação. Ao Marçal basta-lhe uma mesa de café e umas posta de pescada e já está. Ele basta-se a toda humanidade. Quem precisa de um Lakatos ou de um Kuhn quanto temos Marçal?! E ele nem precisa justificar o que diz ou mostrar alguma coisa. Basta dizer e já está. Enfim, uma comédia.

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    2. "A propósito, a psicanálise não é uma ciência: é quanto muito um processo médico, e talvez mais semelhante a coisa de curandeiros. Possui uma teoria sobre o que causa as doenças e outras coisas - muitos «espíritos», etc." [the feynman lectures]

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    3. O Feynman é um excelente autor para o assunto, pois estudou-o profundamente...e produziu umas tiradas soltas como resultado. Para não ir ao patético livro sobre o carácter das leis físicas, podemos bem notar o seu grande saber da epistemologia quando por um lado afirma que algo é um processo médico e por outro que possui uma teoria sobre a causa das doenças. É não saber realmente o que é uma teoria. De fazer rir alunos de primeiro ano.

      Já, por exemplo, o Popper andou cuidadosamente a tentar mostrar a razão por que a psicanálise não é ciência, é melhor ignorar. Temos o Marçal que numa linha resolve isso, pá!

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  3. Pois, existe aqui alguma confusão entre "pseudociência"; "fraude científica", "má ciência" e "incultura científica". São coisas bem diferentes, mas para o marçal vai tudo para o mesmo saco.

    Por outro lado, Biologia, Geologia, Sociologia, Psicologia, Matemática, Informática e até parte da Física, são pseudociência....Ciência para o Marçal é apenas parte da Física e parte da Química. Não é um ensaio particularmente brilhante.

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    1. pelo que li, a confusão parece estar na sua cabeça. Se leu o mesmo livro e é isso que retira da leitura... weird

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    2. Invejo-o pois não tenho tempo de ler maus livros. Li apenas os excertos que aqui aparecem. E para qualquer pessoa que saiba ler e já tenha pegado num livro sobre o assunto é "weird" (que em português se escreve "estranho" e é estranho que utilize uma palavra inglesa quando tem a portuguesa à disposição) que não perceba logo que "homeopatia", o tal caso da Danone, ou um debate antigo sobre a teoria-M é ou não ciência, só para exemplos rápidos, não fazem parte todas por igual do saco "pseudociência". Uma "aldrabice" não é o mesmo de algo que não tem validade científica (que acontece frequentemente em ciência) e estas não são o mesmo de uma teoria que não é falsificável....Mas naturalmente, se nunca leu nada a sério, talvez não perceba estas subtilezas e vá tudo à marçelada. É como achar que aprendeu física ao ler um mau livro de divulgação científica.

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  4. Parabéns pelo lançamento de um livro que esperamos que venha iluminar algum do folclore habitual do submundo da pseudociencia, com reflexoes oportunas e pertinentes.

    Nao é novidade para ninguém que desde tempos imemoriais o Homem necessitou de encontrar simbologias e significados em fenómenos que nao entende para assim dar algum sentido à sua propria exstencia, mesmo que à custa de teorias totalmente irracionais, ilógicas e baseadas em mitos que se vao perpetuando desde os tempo do homem de Neandertal até aos dias de hoje, polidos por discursos carismáticos e oportunistas que teem em vista o poder e a dominaçao dos que sao suficientemente crédulos para seguir qualquer pseudo-misticismo que se lhe atravesse no caminho.

    O sofrimento humano e a sua capacidade de abstracçao para lidar com ele sao o campo de cultura ideal para que os vendedores de promessas normalizem no inconsciente colectivo conceitos tao absurdos como a astrologia, o destino nas cartas, o significado das cores ou os poderes milagrosos da água com açucar (sem entrar no fértil campo da crença em algo mistico e transcendete como as religioes).

    Felizmente, o uso da inteligencia, da razao, da lógica, e excusado será dizer, da ciencia, lembra-nos que nao somos mais do que um acaso do Universo, entre milhoes de astros que se transformam continuamente, indiferentes à nossa presença. E esta borbulha na qual vivemos, este “pale blue dot”, nao tem nenhum tipo de significado místico mais além dos que o Homem sempre inventou. Nao tem que ser uma verdade dura, a Natureza é suficientemente perfeita para nao necesitar de simbologias e explicaçoes sobrenaturais.
    E como já alguém disse:
    «Nunca ouviste passar o vento.
    O vento só fala do vento.
    O que lhe ouviste foi mentira,
    E a mentira está em ti.»

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  5. David Marçal está tornar-se boçal e a viver do Passado ou de um cientismo crescente, tornando a própria ciência uma coisa obsoleta em si, pois é sempre a última a Saber. Para sua informação já vi que desconhece como o trabalho de Andrew Wakefield e outros teve recentemente uma confirmação de peso de um cientista do interior do CDC (EUA) confirmando a ocultação e a manipulação de Estudos sobre a relação científica entre a vacina tríplice e autismo. A coisa é bem real e o escândalo não pára. Não crer ver isso é que é 'velho do Restelo':
    http://www.youtube.com/watch?v=4obxwsjSc30

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    1. Caro anónimo, todo o medicamento ou vacina tem os seus efeitos indesejáveis no ser humano, tem reacções adversas que se conhecem e tem também reacções que não se conhecem (nunca leu a bula de um medicamento!) mas tem sobretudo os benefícios para o doente.
      O que o caro anónimo aqui vem tentar convencermos é que nesta relação digamos de custo/beneficio Não devemos ser científicos.
      E como se isso não lhe bastasse vem ofender o Professor David Marçal. É que até a ignorância tem limites!

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    2. Se ainda acredita nisso e nem coloca outras hipóteses? Que fazer!!!!

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  6. Acupuntura nesta lista é ridículo, dou razão ao interveniente anterior - veja este video:
    Sociedade Civil Medicinas Alternativas ou Complementares... Extrato do programa para comentar as declarações da Dr.ª Maria João, Médica Cirurgiã especialista em cancor da mama.
    https://www.youtube.com/watch?v=0eFf2sSjcfQ

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    1. não se descridibiliza toda a acumpuctura. Agora,.. qd se inventam meridianos e energias... lol.

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  7. Alguns destes comentários que poderiam ser apenas cómicos são infelizmente bastante perigosos. Tal como o teólogo do Borges, cujo sistema é infalível, há pessoas que, de barriga cheia num mundo de conforto que a ciência lhes trouxe, aproveitam a abertura ao teste e à revisão da ciência, para discursarem sobre a existência dos elefantes e dos camiões até serem atropeladas. Que estas continuassem a sua análise no inferno não seria de preocupar; o pior são os inocentes que podem arrastar com elas. A principal qualidade da ciência é a possibilidade de os seus resultados poderem estar errados e isso poder ser verificado. Isso não é cientismo; há muitas coisas que não são "científicas" e são muito boas, talvez até melhores do que a ciência. Do que parece tratar este livro é de coisas práticas: se podemos ou não comer uma determinada coisa; se o que nos dizem na publicidade pode ou não ser válido, etc. Não trata de limites nem de demarcações. Não estamos na região entre o verde e o vermelho, estamos mesmo no vermelho sem sombra de dúvida. É que se fossem válidas muitas das coisas que propõem algumas das "pseudociências" referidas no texto, toda a ciência teria de mudar e isso, convenhamos, é um bocado exagerado e despropositado. É normal alguém demonstrar que os resultados anteriores podem estar errados, ou que as conclusões de um trabalho não são válidas. No entanto, dificilmente isso resultará da retórica de charlatães que vendem enganos embrulhados em mistificações cujas "demonstrações" se baseiam em coincidências, testemunhos e falácias. Na opinião deste anónimo que nada tem que ver com o autor do livro, isto não é um problema de demarcação, mas de bom senso mínimo. Mas isso algumas pessoas não parecem ter.

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    1. O que autor diz: "procura-se definir pseudociência". Definir pseudociência é encontrar os limites ou demarcações (que o termo que é utilizado na literatura sobre o assunto; há muita, mas o Marçal ainda não sabe...schiuu) do que é a ciência.

      Já agora, que esta é elementar: ciência alguma verificou (em sentido de verdade e não em lugar comum) hipótese alguma de qualquer uma das suas teorias. Se é coisa que não se passa com as teorias científicas é estas serem verificadas, isso é das pseudociências, que sempre estão certas e verificadas a todo transe.Isto até o Fiolhais sabe e já o escreveu aqui. Se ao menos o Marçal tivesse lido o que Fiolhais escreve...ou o Desidério...mas nem isso.

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  8. Apanhado este o pequenito opúsculo (sem pleonasmo) numa estante envergonhada de supermercado lá se "verifica" que o autor pretende traçar a linha - clara, claro está! -que distingue a ciência da psudociência. E como não percebe que esta linha é a mesma que define a ciência, lá vai ele noutro ponto (como se fosse outra coisa) definir ciência. E sem surpresa lá vem a conversa a cheirar a cueiros que ciência é o que usa o método científico...algo que nem em física se faz algum uso, basta saber um pouquinho que seja de história da ciência no início do séc. XX (ou, para quem já leu alguma introdução à epistemologia...). Portanto, é sem saber de história da ciência, sem saber de epistemologia, sustentado-se num autor medieval (que nem sequer parece conhecer), que se escreve um texto onde a epistemologia e a história da ciência são fundamentais. Um autor que não sabemos se havemos de chorar ou de rir.

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  9. É a ciência que interessa aos discordantes. Daí ferrolharem críticas no capítulo que a tenta delimitar. Nem uma longa dissertação satisfaria todas as mentes. Sorrio à ousadia, deixa-me curioso em saber a opinião do escritor, não sobre os limites da ciência, ou o que esta pode comprovar, esses estão sempre a ser quebrados.

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