sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O COLÓQUIO DE JORGE JESUS NA FACULDADE DE MOTRICIDADE HUMANA

“Presunção e água benta cada um toma a que quer” (provérbio).

Nota introdutória: Reporto-me ao comentário do Engenheiro Ildefonso Dias, insito no meu post, publicado neste blogue, intitulado “A basófia de Jorge Jesus tida como profunda ironia” (13/09/2014). Abordo pela rama possíveis  comparações entre os egos de José Mourinho e Jorge Jesus por merecerem, por si só, um post sobre uma temática do foro psicológico para o qual me falta preparação académica ou mero “engenho e arte”. No caso de José Mourinho, dado o seu estatuto profissional, que deu volta ao mundo e fazendo fé em Mário Quintana, uma possível modéstia da sua parte não poderia ser tomada como “vaidade escondida atrás da porta”? Em consequência, atenho-me, apenas, a algumas reflexões pessoais sobre o treinador Jorge Jesus, segundo ele próprio, um “cientista do Futebol.”

Em frutuoso acervo de artigos comentados, em louvável labor académico de tese de mestrado, do licenciado em Filosofia  Pedro Falcão, foi publicado,  em Abril/2010, um livro intitulado “Sílvio Lima e o Desporto”. Silvio Lima, professor universitário  de Filosofia e Ciências da Educação de Coimbra, falecido há 21 anos, com um extenso acervo de artigos sobre desporto (97), publicados  no jornal portuense “O Primeiro de Janeiro”, entre 1939/43, cuja riqueza envolve títulos de frondosa árvore de que colho este ramo: “Desporto e Ciência”.

A publicação desta tese ficou-se a dever aos bons ofícios do professor catedrático de Letras e director da Imprensa da Universidade Coimbra, João Gouveia Monteiro, que deu um testemunho público do interesse da “Velha Torre” em libertar um corpo aprisionado, durante séculos, nas grades do res cogitans. Aliás, como o acontecido, anos antes, quando esta prestigiada academia das margens do Mondego  enriqueceu os seus vetustos claustros com a criação da sua última e oitava  faculdade, a Faculdade de Desporto e Educação Física, que encontrou no seu então reitor, professor catedrático da Faculdade de Direito, Rui de Alarcão, apoio entusiástico quem sabe pelo reconhecimento de que o desporto, segundo Sílvio Lima, “é uma questão grave (grave, quer dizer etimologicamente pesada) que só parece leve aos  de cabeça leve como o sabugo e o algodão”
.
Para se compreender o “fenómeno Jorge Jesus” e o lugar cimeiro em que o colocou Manuel Sérgio, através da sua encomiástica apresentação no Colóquio “Teoria e Prática no Futebol”, destinado a alunos universitários candidatos à carreira de treinadores de futebol, tendo por pano de fundo o Salão Nobre da Faculdade de Motricidade Humana, da  Universidade Técnica de Lisboa, há que dar ênfase às palavras de Manuel Sérgio quando assevera o facto  do apresentado ser “um homem de estudo que sabe hoje que é um especialista numa ciência humana” . E acrescentou, ainda, Manuel Sérgio: “Assistir a um treino  de Jorge Jesus é como assistir a uma aula universitária”.  Por seu lado, Jorge Jesus, em incontinência verbal, embalado em berço  de “ledo e doce engano” de elogios,  dixit: “Eu criei uma ciência para ter uma ideia, um modelo de jogador, um modelo de treino”(sic.).

Mas para que o absurdo não faça tábua rasa do passado (Camus), justifica-se que eu ressuscite  um meu artigo de opinião, intitulado “Futebol, uma ciência sem cientistas?” Do artigo, extraio alguns excertos:

“No mundo das actividades corporais da Grécia Antiga chega-nos a polémica entre práticos e teóricos. Segundo Galeno (célebre médico grego, tido como pai da Medicina Desportiva Moderna), os treinadores troçavam das teorias dos professores de ginástica e dos médicos sob o pretexto de que quando se não tem a prática do ofício não se tem o direito de discutir sobre coisas desconhecidas!

Na década de 60, Severiano Correia, treinador e antigo jogador de futebol (já falecido), fez-se prosélito desta teoria ao transcrever, e subscrever,  parte da entrevista de Balmanya, então treinador do Bétis de Sevilha, no jornal “A Bola, e em que este ‘se mostrava sumamente surpreendido com o facto do Sporting, além de ter um treinador, também utilizar um preparador físico, sistema que não compreendia, uma vez que o técnico  deve ser o único responsável por toda a orientação da equipa’” (“Tribuna”, Lourenço Marques, 05/03/1964).

Em toda a sua ancestralidade, reacendia-se, mais uma vez,  uma polémica protagonizada por treinadores de futebol e professores de Educação Física. Assim, numa reunião do Sindicato Nacional de Treinadores foi levantada a questão da legalidade dos técnicos de Educação orientarem a preparação  técnico-táctica das equipas de futebol, embora a preparação física a seu cargo me parecesse já matéria de consenso” (“Jornal Novo”, 15/01/77).

É natural que numa época em que as pessoas temem ser confrontadas com aquilo que escreveram antes e depois de 25 de Abril, o leitor estranhe a excepção destas transcrições suportadas por uma tese que sempre perfilhei, muito antes mesmo do endeusamento de Carlos Queirós e seus adjuntos [reportava-me eu aos campeonatos mundiais e europeus ganhos por jovens futebolistas portugueses].E que tese é essa? Ao contrário  dos que pretendem para este desporto uma  situação  em que os antigos jogadores de futebol – agora treinadores – sejam  os seus teorizadores,  seguindo o Futebol a evolução dos outros domínios do conhecimento/ciência, muito naturalmente, deverá passar a ser-lhes exigida, uma sólida formação teórica.

Consequentemente, subscrevo a categorizada opinião de Joseph Blatter, secretário –geral da FIFA, quando diz que ‘Carlos Queiroz e os seus jogadores praticam o verdadeiro…futebol do futuro’ (título da sua  entrevista em ‘A Bola’, 23/06/1991). Em minha opinião, reforçando o que escrevi no parágrafo anterior, essa prática tem que caminhar a par com a formação dos treinadores  com  licenciaturas em Educação Física (na opção de futebol) pela Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa ou  outras faculdades” (“Jornal de Coimbra”, 28/08/1991).

Posto isto, volto a falar de Jorge Jesus e José Mourinho, ambos "ungidos" por uma máxima de Manuel Sérgio em que ele, parafraseando o cientista e homem de vasta e prolixa cultura,  Abel Salazar, escreve : “Quem só sabe de futebol nada sabe de futebol”.

Tempos atrás, Manuel Sérgio aplicou esta máxima a José Mourinho, evocando orgulhosamente, urbi et orbi, o facto dele ter sido seu aluno no então ISEF da Universidade Técnica de Lisboa. Hoje, Manuel Sérgio aplica essa mesma máxima ao treinador Jorge Jesus, numa espécie de fato prêt-à porter capaz de servir impecavelmente a ambos.

Qual Pigmalião de tempos modernos, Manuel Sérgio, adjunto e mentor de Jorge Jesus no Sport Lisboa e Benfica, “para honra e proveitos seus”, conforme ele próprio confessa,  inspirado na peça teatral de Bernard Shaw, adaptada ao cinema no filme “My fair Lady”, numa infeliz e apressada jogada de antecipação, talvez por pensar que Jorge Jesus já tinha adquirido a dicção e o à-vontade social da respectiva personagem feminina, Audrey Hepburn, resolveu apresentar a sua obra prima de carne e osso  no Salão Nobre da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa.

Por vezes, a realidade supera a própria fantasia em desrespeito pelos usos e costumes tradicionais, facto criticado, já no século XIX, por Eça quando este romancista, glória da literatura portuguesa, fez correr a pena sobre o papel em que escreveu: “Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência”. Aliás, como diziam os romanos, nihil novi sub sole!

14 comentários:

  1. Quidquid latine dictum sit, altum videtur

    Isto, citações e paráfrases que se vão repetindo ad naseum e pouco mais. O esboço de argumento - que só surge a espaços tímidos, - é contraditado pela realidade, pois proliferam os treinadores de elite e sucesso que não têm formação académica.

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    1. A exemplo do programa televisivo “A tua cara não me é estranha”, o seu comentário assemelha-se a outros com que me têm dado a honra de ter escrito há meses atrás. Mas não me vou deitar a adivinhar partindo do princípio que se estreia nestas lides.

      Só por isso, cá estou eu resignado, a pelejar contra moinhos de vento com velas de anonimato de quem se incomoda com citações minhas num extenso texto meu, e em 4 linhas me atira à cara com uma desgarrada citação latina sem aspas, correndo, como tal, o risco de ser tomado como autor, da frase que traduzida significa: “Tudo o que foi dito em latim parece profundo para impressionar”. Se foi essa a sua intenção, pode tirar o cavalinho da chuva, não me impressionou nada! Ainda mesmo numa altura em que o latim é parente paupérrimo dos programas escolares e pouco ensinado é nos próprios seminários.

      Nunca me atrevi a pôr em dúvida a existência de "treinadores de elite e sucesso que não têm formação académica", num desporto em que a bola é redonda, mas em que existe um contingente de factores múltiplos favoráveis no Sport Lisboa e Benfica, de longa e merecida tradição, possuidor de uma equipa com nomes , entres outras estrelas, como o de Talisca que tanta tinta do jornal já fez correr.”

      O que eu discordo é quando um treinador, com linguagem do “futebolês” se arvora, ou pior do que isso, o arvoram, como “primus inter pares” (o primeiro entre os iguais). Jorge Jesus o disse entre paredes universitárias: “Eu criei uma ciência para ter uma ideia, um modelo de jogador, um modelo de treino”(sic.) “A bon entendeur salut!”

      Fala-me de “treinadores de elite e sucesso sem formação académica” com o “soberaníssimo bom senso”, de que nos falava Antero (valha-nos isso!), de não fazer um rol dos seu nomes com as antigas lavadeiras faziam quando levavam a roupa do freguês para lavar no rio: tantas camisas, tantas meias, tantas ceroulas, etc.

      Para não correr esse risco, enuncio-lhe três da minha escolha: Mestre Cândido de Oliveira, José Maria Pedroto e André Villas-Boas. Embora, este apenas como esperança que não prima pela modéstia pela frase que lhe é atribuída quando saiu da equipa técnica de José Mourinho de que era simples “olheiro”: “Vocês ainda vão ver que eu sou melhor do que ele!” Oxalá se cumpra a sua profecia para prestígio do futebol nacional, já altamente prestigiado no planeta terra pelo nome de José Mourinho.

      De treinadores de futebol de sucesso com formação académica universitária, cito-lhe, outrossim, três nomes (por ordem do seu aparecimento): Carlos Queiroz, José Mourinho e Helena Costa. Esta última, licenciada e mestre com a especialidade Futebol pela Faculdade de Motricidade Humana, primeira mulher a treinar uma equipa profissional masculina de futebol de grande plano em França ou qualquer outro país.

      Por último, , estarei sempre pronto em estabelecer diálogo consigo de coisas com interesse, porque, como escreveu Voltaire, “todos os géneros de leitura são bons, excepto os aborrecidos”. Não abuse, portanto, da paciência do leitor e da minha numa linguagem telegráfica com recados subentendidos e, talvez, cifrados entre si e os seus amigos. Valeu?



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    2. "O que eu discordo é quando um treinador, com linguagem do “futebolês” se arvora, ou pior do que isso, o arvoram, como “primus inter pares” (o primeiro entre os iguais). Jorge Jesus o disse entre paredes universitárias: “Eu criei uma ciência para ter uma ideia, um modelo de jogador, um modelo de treino”(sic.) “"

      Seja qual for a linguagem do treinador em questão, da mais polida à mais jesuína, a afirmação que cita é pretensiosa e estúpida. E como o pretensiosismo e a estupidez - como está aqui a bem ver - são males cegos e bem distribuídos, não é a formação universitária que os impede. Portanto, o seu post é completamente redundante. Se se repete nesses passos de dança inconsequentes? Repete-se. Se é useiro em argumentos falsos, como que Helena Costa treinou uma equipa profissional masculina de futebol de grande plano? É. Se isso aborrece? Aborrece. Se com todos esses "tiques" vossa excelência teria hoje alguma vez possibilidade de ter uma carreira académica? Jamais.

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    3. O estilo é o próprio homem, disse-o Buffon. Pelo andar da carruagem o anónimo dos dias 27 de Setembro, às 16:13 e às 21.43, e dia 28 de Setembro, às 10:31, é o mesmo encapuzado no anonimato que apresenta agora, como “ultima ratio”, o argumento do meu “pretensiosismo e estupidez” . Mas como eu admiro, meu Deus!, todo aquele que munido de um “inteligentómetro” se entretém a medir o QI das pessoas. E depois queixam-se, aqui, com toda a razão do mundo, por exemplo, dos exames de acesso à docência que eram autênticas charadas do antigo “Almanaque Bertrand”!

      Por, apesar de tudo, detestar os maniqueístas, de uma coisa não quero, nem posso, deixar de o elogiar: não ter traduzido a expressão “doit de cuisssage”, que, embora, podendo ofender um certo puritanismo, deseja perspectivada em todos os euopeus que viveram no continente africano, embora com raízes ancestrais medievais europeias.

      Por saber da sua alergia a transcrições que não são feitas por si, aqui lhe deixo mais uma minha de Mário Quintana: “Ah, esses moralistas…não há nada que impeste mais do que um desinfectante!”

      Finalmente, como não tenho, nem procurei, procuração do leitor, resta-me dizer-lhe que se me esgotou a paciência para manter um diálogo com quem me conhece mal por, entre outros motivos, julgar, pior ainda, que eu retornei da “savana”. Nada disso, nasci na cidade de Luanda e vivi 18 anos, na capital de Moçambique: Lourenço Marques. “Ipso facto”, vim para Portugal, terra dos meus pais e onde vivi parte da minha juventude, não como retornado (é isso que me parece deixar subentendido com a palavra “savana), mas como” refugiado político” por discordar do regime político de um partido único que passaria a vigorar na então República Popular de Moçambique, de 1975 a 1990.

      Já agora, desejo-lhe um bom resto fim-de-semana.

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    4. Que grandes confusões mentais faz e em que vive. Materializando a ironia que existe na própria frase que recita - O estilo é o próprio homem - não se deu conta que a mudança sensível de estilo correspondia a uma diferença de homem (?). Quanto ao seu suposto pretensiosismo e estupidez, eu não o afirmei, mas se foi assim que entendeu o que escrevi, então não me sinto em condições de o desmentir.

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  2. Ad naseum é parco "sofrimento" (...) para tanto pedantismo, serôdio e vaidoso, quem sabe se ainda resquício de algum "droit de cuissage" perdido em qualquer retornada savana...
    Tanto latim envolverá uma nada pequena obsessão...licenciada?...
    A. Galopim de Carvalho, uma vez mais, membro relevante do de rerum natura, quando rememoriza o seu passado ou escreve sobre a ciência de que tão bem é Mestre, não se eleva ao Olimpo merecido.
    O sr Baptista nem na cave da montanha brilhará.

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  3. O diabo que tem olho de lince para detectar um simples "chapéu", a mais ou a menos, numa inocente vogal, mesmo que de autor ensonado pelo batimento das duas badaladas da madrugada, obriga-me a rectificar uma gralha atrevida que pousou num pequeno galho do comentário anterior.

    Assim, na 2.ª. linha do respectivo 1.º §, retiro o acento circunflexo da palavra têm, ficando, como tal de cabelo ao léu: tem!

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  4. Bingo!!!
    A real savana existiu mesmo e a intrépida luta pela "liberdade" colonial também, ainda que retornadamente inglória. Contudo, nos livros de História futura ficarão algumas linhas, alguns parágrafos, alguma página, referindo Jardim, o african6o, o Jorge, hélas, sr Rui.
    Mas foi bonito, sr Baptista, foi.
    Contudo no que diz respeito à sua tarefa de revisor de parágrafos, o sr Rui, leu mesmo mal, talvez consequência do adiantado da hora, ou algum impedimento momentâneo de miopia indesejada.
    A construção frásica está correcta, sem nenhum tem, chapelado ou careca.
    Já quanto à sua transcrição da expressão gaulesa, existem dois erros, motivo suficiente para mote de uma rábula do desaparecido Coluche.
    "Doit de cuisssage", talvez para coxas longas, quem sabe, mas estrangeiras à língua de Voltaire.
    E, usurpando a sua excelência, também concordo: "Não estou de acordo com nada, ou quase nada do que escreve, mas lutarei para que possa escrever o que quiser".
    E, já agora, "droit de cuissage", figurativamente ou não, significava que le Seigneur du Domaine (muito longe dos Índicos, como se sabe) tinha o privilégio de...
    Sr.Baptista, continue na sua missão cavalgadora (ou dura?).

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  5. Linha 6: "...o sr Rui leu mesmo..." -sem vírgula.

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  6. Pelo estilo reconheci a sua prosa que me tem divertido nesta e em outras ocasiões de há meses para cá. Bem haja, portanto!

    De resto, da sua prosa redonda, logo sem ponta por onde se pegue, merece uma nova citação, desta feita, de Ramalho Ortigão que, de parceria com Eça, farpearam “ a Velha Tolice Humana com cabeça de touro. Escreveu ele: “O sapateiro é secretário do centro reformista da sua rua, e alia o labor do botim ao da eloquência política, o que dá algumas vezes em resultado empregar a metáfora no calçado e a sola e vira no discurso”.

    E já que estou com a mão na massa, uma nova citação que se adapta a desastrados aspirantes a panfletários. Em resposta a uma polémica tida com Inocêncio Francisco da Silva, escreveu , ainda a Ramalhal figura, que lhe faltaram os dois principais dotes dos grandes panfletários – a tranquilidade de ânimo e o fogo do estilo. Nele estavam essas condições invertidas: tinha a vontade hostil e a palavra mole.

    E nada mais havendo a acrescentar, subscrevo este meu comentário com o meu nome sem deixar de seguir o seu conselho: continuarei na minha “missão cavalgadora” enquanto houver cavalgaduras, mesmo que percam as estribeiras…

    Um bom resto de fim-de-semana.
    Rui Baptista

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  7. Sim, sr Rui, sim. Tem toda a razão, rendo-me, sr Rui.
    A questão inicial era a sempiterna homilia, ternamente devota e padroeira, sobre a clara capacitação e superioridade dos bem-aventurados licenciados, por oposição aos pobres, coitadinhos, até de espírito, desprovidos de pestanas queimadas em duras batalhas pela sapiência engravatada.
    Mas, sr Rui, o rol de doutos licenciados que são, simultaneamente, desprovidos de saber, de ética e de humanismo (em separado e/ou agrupados) são às centenas, mesmo milhares. Dou-lhe alguns exemplos: Jardim Gonçalves, Duarte Lima, Dias Loureiro, Armando Vara, José Sócrates, Passos Coelho, José Penedos,João Rendeiro, Cavaco Silva, Costa Freire, e muitos outros no campo político, mas não só, juízes de alto gabarito, engenheiros, advogados, economistas, arquitectos, médicos,etc, etc, etc.
    Vejamos, a mais completa falta de honestidade na fuga espertalhona aos impostos (leis feitas por advogados e juristas, leis armadilhadas para proteger o mesmo núcleo restrito da população portuguesa que das penalizações pode e sabe escapar), a falta de ética que muitos patenteiam (hoje a verdade de anteontem já é a mentira da verdade que foi ontem), o egoísmo desenfreado dos poderosos, raramente preocupados com a comunidade geral, desprotegida sem remédio, mas ciosos dos seus eurinhos (Medina Carreira e os seus seis mil eurinhos, a dificuldade cavaquista de viver só com dez mil eurinhos e até o jactozinho de J.Gonçalves ).
    Sim, sr Rui, a sua obsessão parola e cretina tinha de encontrar, sr Rui, na pessoa de um treinador de futebol, ganhador e plenamente reconhecido pela grande maioria, sr Rui, mas pouco culto e, por vezes, embriagado, sr Rui, com o seu próprio sucesso.
    JM versus JJ, como se a competência para ser capaz de liderar equipas e alcançar títulos estivesse agrilhoado por um diploma qualquer.
    Sr Rui, quem sabe se Conde de Alvalade em passados mares Índicos, saudoso da savana perdida, mas corajoso lutador pela "liberdade" colonial, "exilado" (uma estátua já! Mestre Cutileiro!) "político" (a sua sublime e solitária tirada hilariante, sr Rui) e, desculpe, sr Rui, muito vaidoso, pedante e o maior citador por mm ² do mundo.
    Desta vez rendo-me e fico por aqui. Voltarei, só se calhar.
    E já Manuel Sérgio dizia "as cavalgaduras depois de paridas não mais tento têm".

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  8. Por respeito ao DRN, ao leitor, a mim próprio e a si próprio dava por terminada esta troca de opiniões contraditórias. Mas (há sempre um mas!) por ver que a sua lista envolve gente que para si são farinha do mesmo saco não deve levar a mal que eu, na minha mania das citações, faça mais esta de uma personalidade que ocupa lugar cimeiro entre os criminosos da Humanidade do século XX (numa hierarquia pessoal atribuo-lhe o 1º lugar e o 2.º a Hitler com a diferença que o primeiro tinha o Gulag gélido para matar os russos dissidentes e o 2.º os fornos crematórios de Auschwitz para exterminar os judeus ): “A morte de um homem é uma tragédia, a morte de um milhão é uma estatística” – Josef Stalin.

    E já agora que me é dada a oportunidade, mais uma, e derradeira citação de António Sérgio (não confundir com Manuel Sérgio por si citado): “Contestar a ideia de um certo homem, ou defendida por um certo homem, não é insultar esse mesmo homem: sabe-se isto no mundo inteiro e só se desconhece neste país”.

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  9. Sim, sr Rui, não, sr Rui, sim, sr Rui.
    Sr Rui, ainda não parei de rir com o seu "exílio" político em Portugal!!!!!!!!!!
    E misturar Staline com Armando Vara é mesmo hilariante (sendo o primeiro um tirano imundo, quase que já ninguém duvida, e o segundo um homem de mão de uma das cliques que se abotoam com o dinheiro e o poder)!
    O sr Rui saiu-nos um cromo dos antigos! Daqueles raríssimos, de colecção.
    Sr Rui, cá estaremos (?) quando tivermos vontade de rir.

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    1. Nada me faria voltar a novo comentário não se desse o caso de uma falta de comunicação entre mim e si. Assim, se o anónimo tivesse lido com cuidado e inteligência (?) o meu comentário teria tirado a conclusão, mais do que óbvia, que eu não comparei Staline, um assassino de massas de seus próprios concidadãos, a Armando Vara mas a Hitler.

      Tê-lo feito seria uma inominável injustiça para com ele e um monumental elogio a Staline de que ele próprio traria enormes dividendos políticos, mesmo depois e longos anos de morto e enterrado, no mausoléu que a imaginação, qual limpa nódoas, dos seus correligionários lhe erigiu em homenagem de vida e póstuma.

      Repito, para que lhe entre no bestunto, e não fiquem dúvidas no leitor que, porventura, não tenha lido a sequência de comentários meus e seus, a referência, redonda sem ponta por onde se lhe pegue, a Armando Vara é sua, apenas sua e da sua inteira responsabilidade. Eu, apenas, me referi a Staline e a Hitler, hierarquizando-os, pondo Staline em 1.º lugar e Hitler em 2.º lugar entre os maiores assassinos do Século XX. Só por pura maldade e ódio político poderá ter chegado a essa conclusão com a intenção perversa de lançar cortinas de fumo que ocultem o passado do camarada Staline.

      Quanto a rir, palhaço já eu tenho só me falta montar a tenda. Mas não o faço, repito, uma vez mais, por respeito ao DRN, aos seus leitores, a mim próprio e, até, a si próprio. Que me desculpem os leitores que saberão tirar as devidas ilacções dos meus comentários sem ficarem VERMELHOS de raiva. Ponto final, parágrafo!

      Resta-me, apenas, despedir-me, definitivamente, de si desejando-lhe um bom resto de dia caro anónimo.

      P.S.: Quanto ao seu anonimato (gato escondido com o rabo de fora) só lhe encontro um inconveniente: não colher junto da opinião pública os louros da sua coroa ao serviço da sua ideologia. Julgo ser pouco cómodo e bastante cansativo ter que espalhar entre os seus correligionários, partidários, amigos, conhecidos ou, simples, vizinhos: "Sabem? Fui eu que escrevi aqueles comentários ao sr Rui E aqui sim, virá o riso alarve dos néscios e a palmadinhas nas costas acompanhadas do louvor: "Aí valente!!!

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