quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Escolas - 2

Na sequência da publicação do meu texto Escolas -1, dedicado ao livro O Berço da desigualdade, da autoria de Sebastião Salgado (fotografias) e Cristovam Buarque (textos), o leitor Manuel Silva deixou uma pergunta: "tem esse livro fotografias de África, países pobres, zonas rurais...?"

Sim, tem. E belíssimas. Duas das minhas preferidas são a que abaixo reproduzo: uma tirada no Quénia e outra no Brasil.

Quénia: Escola para jovens refugiados do sul do Sudão, Sebastião Salgado,1993
Brasil: Escola itinerante do Movimento dos Sem Terra, 1996, Sebastião Salgado
A recordação do leitor traduz o que nelas é essencial:
"Vi em tempos algumas fotos de uma escola numa zona dessas, com os alunos sentados no chão, o professor de pé, um pedaço de ardósia velha e partida pendurada por um fio na «parede». Nada mais. Mas olhares vivos, cheios de curiosidade, interessados, alegres, havia-os em todos os alunos, que seriam uns 15 ou 20."
E acrescenta:
"A escola, para além de nos por a todos num patamar mais elevado de conhecimento, tem ajudado a igualar muita gente muito desigual à partida."
É essa, aliás, a função da escola. Tendo interesse por esta ideia, poderá ler um extracto do livro Escola, igualdade e diferença, da autoria de Joaquim Valentim (aqui) ou ler o livro integralmente.

Maria Helena Damião

5 comentários:

  1. Prof.ª Helena Damião:
    Muito obrigado.
    Cumprimentos.

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  2. “A famosa neutralidade da Escola onde existe, ou existiu? Não neste mundo que me conste.”[Bento Caraça]



    Professora Helena Damião, repare como substituindo as palavras “valorização ideológica e à demagogia igualitária” por “neutralidade da Escola” na frase de Joaquim Valentim, todo o vaguear do autor é sem sentido, e é um inteiro absurdo, senão vejamos:

    Face à forte neutralidade da Escola, que a tem acompanhado desde o seu inicio, sabemos hoje que a escola, de facto, não chega para fazer mudar a sociedade, abolindo as desigualdades sociais.

    O texto, assim esclarecido, só lhe pode soar a absurdo, e não pode, a senhora Professora Helena Damião, agora esclarecida, concordar com ele! A menos que queira abandonar a ideia, e a luta justa, pela existência da neutralidade na Escola.

    Cumprimentos Cordiais,

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  3. Prezado leitor Ildefonso Dias

    A questão que levanta - a neutralidade da escola - é de grande interesse, mas demorada de explicar. O essencial:
    1) A escola tem necessariamente de fazer opções (o que ensinar? para quê?como? etc.). Logo nunca foi, não é, nem nunca poderá ser neutra
    2) Mas a escola tem de fazer as opções que lhe competem, e não ir além disso (escolhas que cabem a cada pessoa e só a cada pessoa, não pode a escola fazê-las, sob pena de estar a doutrinar em vez de educar).

    Escrevi alguns textos sobre este questão:
    - A fatalidade da escolha: http://dererummundi.blogspot.pt/2012/11/a-fatalidade-da-escolha.html
    - Sobre a neutralidade educativa: http://dererummundi.blogspot.pt/2011/03/os-documentos-curriculares-de-caracter.html
    - Ora veja, "livre de valores... http://dererummundi.blogspot.pt/2011/02/ora-veja-livre-de-valores-nao-passa-de.html

    Cordialmente,
    Maria Helena Damião

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    Respostas
    1. Professora Helena Damião, a “neutralidade” que me reporta é ulterior à “neutralidade da Escola” que eu refiro (abolição de privilégios perante a cultura – privilégios de sexo, privilégios de dinheiro, privilégios de crenças).
      Devo dizer que não compreendo como se pode discutir uma e querer tirar conclusões válidas sem que a primeira esteja assegurada.
      Não tenho a menor dúvida de que a senhora Professora Helena Damião concorda que “A natureza humana é una e todo o ser humano é, por consequência, portador dos mesmos direitos;”.
      Pelo que pergunto: a abolição dos privilégios acima apontados já se deu?! Evidentemente que não se deu, temos hoje muitos exemplos disso! Mas então não é de reclamar a abolição daqueles privilégios?! É sim, e ao fazê-lo estamos a pugnar por uma Escola neutra.
      Toda a gente sabe que – uma só condição, uma só dignidade, uma só escola – implica a neutralidade da Escola no que diz respeito aos privilégios perante a cultura. Primeiro temos que resolver estes aspectos, porque são os fundamentais, os outros (de que nos fala) vem depois.


      Cordialmente,

      P.S.: São as minhas ideias, retiradas da Escola Única do Professor Bento de Jesus Caraça.

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  4. Excelente post professora Helena Damião ! Creio que há uns quatro anos atrás tive a oportunidade de assistir uma palestra sob o tema Educação com Cristovam Buarque (na oportunidade) o presentiei com o livro de minha autoria tamanho o apreço daquela causa.

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