quinta-feira, 11 de setembro de 2014

COMENTÁRIO SOBRE ENTRADAS EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS

Texto recebido de Arnaldo Dias da Silva em complemento das tabelas de entradas de alunos no ensino superior já aqui publicadas:

1 Em primeiro primeiro lugar devemos fazer uma  constatação de carácter geral – a baixa atractividade de todos os cursos da área de Ciências Agrárias;

2 Um olhar mais atento mostra-nos facilmente que esta baixa atractividade não é uniforme – depende dos cursos e das instituições;

2.1. A situação no ensino superior florestal é particularmente trágica. Senão repare-se: no que respeita ao ensino universitário, a casa-mãe - o ISA - teve apenas 3 candidatos, tantos como a UTAD - únicas Escolas Universitárias no país que ofereceram este curso em 2014. Nestas duas instituições a situação foi praticamente igual à que se passou no ano de 2013. Para o confirmar basta consultar a informação publicada na época.

No que respeita aos Institutos Politécnicos a situação parece-me francamente pior. Vejamos: das 8 ESA existentes no país apenas uma – a de Coimbra – ofereceu um curso superior florestal – teve 4 candidatos. Um verdadeiro desastre!

3  Numa página da internet da UTAD, surgiu há poucos dias um interessante texto – não assinado – intitulado ”A floresta: uma prioridade nacional”. Bonito e, porventura, acreditaram os autores  que era um título certeiro. Lá se diz, entre outras coisas, que a floresta em Portugal tem o maior peso no PIB entre os países europeus e que os produtos florestais representam cerca de 11% do valor total das exportações portuguesas – verdades “como punhos”. O texto a que me refiro tem o mesmo título de um encontro havido em Lisboa no fim de Julho na Fundação AEP e promovido por um grupo de antigos alunos (da UTAD?) com a presença do actual Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural.

A ALTRI, empresa de referência na pasta de papel e gestão florestal, titulava – e muito bem, porque certamente a ALTRI não pode nem quer “dourar a pílula” - o seu recente Relatório Anual  Relatório da Sustentabilidade. Estando a palavra sustentabilidade na moda, não posso deixar de a salientar.  
 
Perante isto pergunto: o que falta afinal para as nossas indústrias de pasta para papel  - o nosso “ouro verde”, como alguém não há muito lhe chamou – apoiarem financeiramente os cursos superiores florestais do ISA e da UTAD?

Será humilhante solicitar ou aceitar apoios da indústria – neste caso indústrias da madeira - ou de outras entidades para o ensino superior agrário?

Saúdo a AGROS, a maior empresa portuguesa do ramo de lacticínios, e a FERA (acrónimo de Federação de Raças Autóctones) que estão em vias de assinar protocolos de apoios financeiros para aqueles que quiserem cursar Engenharia Zootécnica na UTAD. Saúdo igualmente a Reitoria da UTAD por acolher esta iniciativa – são importantes e ficam bem gestos como este.  

Caminho idêntico julgo ter seguido a Universidade de Évora aceitando apoios de empresas e outras entidades para todos aqueles que se candidatem ao ensino superior agrário. Esta via não é do interesse do sector agroalimentar nacional? A procura dos cursos superiores enquadráveis no sector agroalimentar foi pouco mais que nula em Portugal em 2014.

Os grupos (económicos) ligados à produção agrícola nos novos regadios do Alentejo (olivicultura, culturas hortícolas, milho....) não teriam interesse no apoio à formação no ensino superior agrário? Gostava de conhecer outras opiniões.

 Arnaldo Dias da Silva       

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