domingo, 3 de agosto de 2014

ERRATA AO "ESCLARECIMENTO" DA FCT

Recebemos mais uma errata, de outro autor que deseja permanecer anónimo, à mensagem de SPAM enviada pela direcção da FCT a propósito do processo de avaliação das unidades de investigação:

O que disse a FCT:
É verdade que tal como acontece em exercícios regulares de avaliação, há subidas e descidas. Das unidades que concorreram com a mesma estrutura, 67% mantiveram ou subiram a sua classificação, enquanto que 33% desceram.

O que na verdade aconteceu na área da Filosofia:
É verdade que tal como NÃO acontece em exercícios regulares de avaliação, ATÉ AGORA, SÓ HÁ DESCIDAS A REGISTAR E AINDA NÃO SE SABE SE HAVERÁ ALGUMA SUBIDA. 
À luz da nova escala de avaliação para 2014 (em 2014 foi acrescentado o EXCEPTIONAL e o GOOD ficou com um orçamento bastante mais diminuto), das unidades que concorreram, 67% desceram a sua classificação. Apenas 33% das unidades passaram à 2ª fase e, como tal, ainda não se sabe qual é a sua classificação final. 

UNIDADES
2007*
2014**
Good
Good
Centro de Estudos do Pensamento Português [PHIL-Norte-Porto-705]
Very Good
Poor
Centro de Estudos Filosóficos [PHIL-Norte-Braga-683]
Good
Good
Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa [PHIL-LVT-Lisboa-310]
Very Good
Good
Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa [PHIL-LVT-Lisboa-678]
Very Good
2ª fase
Instituto de Filosofia [PHIL-Norte-Porto-502]
Excellent
2ª fase
Instituto de Filosofia da Linguagem [PHIL-LVT-Lisboa-183]
Excellent
2ª fase
Instituto de Filosofia Prática+ [PHIL-Centro-Covilha-738]
Very Good
Good
Linguagem, Interpretação e Filosofia - LIF [PHIL-Centro-Coimbra-10]
Excellent
Good
Unidade de Estudo e Investigação de Ciência, Tecnologia e Sociedade [PHIL-LVT-Lisboa-468]
?
-
*Escala 2007: Excellent, Very Good, Good, Fair, Poor.
**Escala 2014: Exceptional, Excellent, Very Good, Good, Fair, Poor.
+ Em 2014 juntou-se a uma outra unidade que obteve Very Good em 2007.
-
*Escala 2007: Excellent, Very Good, Good, Fair, Poor.
**Escala 2014: Exceptional, Excellent, Very Good, Good, Fair, Poor.
+ Em 2014 juntou-se a uma outra unidade que obteve Very Good em 2007.

12 comentários:

  1. Projecto Europeu 'Cérebro Humano' - Cientistas criticam o gigantesco orçamento de 1,2 biliões de Euros, especialmente agora que no horizonte está bem patente um forçar de redireccionamento do foco investigativo europeu, em prole de uma Agenda transhumanista
    http://www.youtube.com/watch?v=JbmDJBVsxGM

    ResponderEliminar
  2. SPAM é este tipo de post, com contas que parecem feitas num banco qualquer de contabilidades duvidosas. Em nove unidades, quatro baixaram. Ora 4 em 9 dá cerca de 44%...um pouco longe dos 66% da propaganda. Duas unidades ficaram com a mesma classificação e três passaram à segunda fase e o mais provável é que fiquem com igual ou até melhor do que tinham.

    Por outro lado, como qualquer pessoa de filosofia deveria saber, isto de fazer induções a partir de um caso só, é lógica de taberna.

    ResponderEliminar
  3. Não me parece que o blogue deva aceitar a publicação de textos anónimos, quando estes constituem notícia (outra coisa são os comentários). Os autores podem e devem ser responsabilizados pelo que escrevem; e tal só pode acontecer se os respetivos nomes forem publicamente conhecidos. A presente notícia tem algumas imprecisões e incorrecções importantes, que redundam em favor da tese da FCT, segundo a qual os resultados da avaliação têm sido mal interpretados.

    ResponderEliminar
  4. O autor do artigo em cima começa por salientar que o Good de 2007 não é igual ao Good de 2014. Em 2007, era a terceira melhor nota, agora é a 4ª nota. A principal diferença, contudo, diz respeito à diferença no financiamento. Em 2007, o Good garantia condições de bom financiamento, mas em 2014 o Good é uma sentença de morte a médio prazo uma vez que não garante o necessário para continuar em funcionamento. Portanto, a única coisa em comum entre as duas classificações em 2007 e 2014 é, basicamente, o nome, "Good". Assim, os centros que desta vez têm Good na realidade desceram na sua classificação (aqueles que já eram Good em 2007). Pelo que são 6 em 9, como o autor do post em cima indica, as unidades que descem na classificação.

    Quanto a induções, o autor do post publicado acima não faz nenhuma. Faz uma análise baseada na consideração de que as duas notas nas duas avaliações não são idênticas. E portanto não faz uma indução baseada num só caso.



    p.s. Há induções perfeitamente boas baseadas num só caso. Brian Weatherson (http://brian.weatherson.org/), por exemplo, argumenta a favor de algumas boas induções com base num só caso: http://crookedtimber.org/2004/04/27/induction-on-a-single-case/


    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Primeiro. As comparações em causa referem-se a classificações qualitativas, não a financiamento atribuído.Se assim fosse, não haveria comparação possível pois a formula de cálculo do financiamento atribuído às unidades foi profundamente alterada relativamente a 2007: ou optem pelas comparações em financiamento anual, ou optem pelas comparações qualitativas; misturar as duas é que não dá.

      Segundo. Também em 2007 se dizia que "good" era uma sentença de morte a médio prazo. Especialmente se o centro em causa tinha poucos doutorados.

      Sofismas.

      Terceiro. A eventual (discutível e discutida) validade de uma indução a partir um caso só não se aplica aqui; mais sofismas.

      Eliminar
    2. Deixando os alegados sofismas de lado, passemos a questões concretas: passaram três unidades à segunda fase, cujas notas ainda podem subir ou descer.

      As restantes 6 unidades não passam à segunda fase.
      Existe um documento excel em circulação que discrimina a distribuição do financiamento. Quem quiser pode conferi-lo.

      O Centro de Fil da UL, por exemplo, passa de mais de 200 mil €/ano para 15 mil€/ano. Por exemplo. Nem o salário de um funcionário paga. A revista internacional Disputatio (e as restantes editadas pelo CFUL) será financiada com que fundos?

      (uma resposta não sofística seria bem vinda).

      Sobre a justiça da avaliação qualitativa, já outros se pronunciaram.

      Eliminar
    3. Já que estamos nos sofismas:
      - o primeiro comentário acima acusava o autor do post de maus cálculos e de incorrer em indução baseada num só caso.
      - Não havia nenhuma indução em causa (como digo acima, o autor não fez uma indução, fez uma análise baseada nas notas qualitativas atribuídas a 6 de 9 centros);
      - As notas "Good" são na prática distintas nas duas avaliações em causa, por dois motivos: posição relativa e financiamento. O anónimo queixa-se do financiamento, mas:
      (i) não diz nada sobre a posição relativa, porque não há nada a dizer;
      (ii) é impossível não considerar o financiamento. É irrelevante, para o ponto, que as fórmulas de cálculo sejam distintas. O que é relevante é se o resultado da avaliação permite a unidades como o CFUL manter as actividades que leva a cabo, ou não o permite (mutatis mutandis, para as restantes unidades "Good" -- e o país está cheio delas). Isto é, pode uma boa unidade de investigação continuar a trabalhar com financiamento da FCT como até agora, ou não?
      (iii) Se não pode, o ponto do autor do post mantém-se.

      E isto é uma condicional, não é um "sofisma".

      Eliminar
    4. Eis o que está em causa, verdadeiramente e como confessa:

      "O que é relevante é se o resultado da avaliação permite a unidades como o CFUL manter as actividades que leva a cabo"

      Como ninguém sabe no final qual o financiamento que terá essa questão (e as tais questões da sobrevivência) não têm resposta para já. Por outro lado, o objectivo de uma avaliação não é o de manter ou melhorar o nível de financiamento deste e daquele, para que este e aquele possam seguir com as suas actividades. É esse tipo de mentalidade de defesa dos Estabelecidos que está na essência desta campanha:

      i) Em 2007 foi atribuído um financiamento de X €/ano a uma unidade Y
      ii) A unidade Y tem vindo a desenvolver actividades que necessitam cerca de X €/ano.
      iii) Logo, a unidade tem que ter uma avaliação que lhe permita manter essas actividades, senão como vai sobreviver??

      Pois...é falso. Por outro lado, a avaliação poderia bem concluir que desse financiamento talvez não tenha resultado o exigível para se manter, não acha?

      Se no final uma unidade em particular constatar que o seu financiamento diminuiu (que tem sido o móvel de todo este barulho) simplesmente há que se adaptar à nova realidade.

      Se no final de tudo isto se constatar que o financiamento às unidades no seu todo diminuiu e/ou houve áreas científicas que foram altamente prejudicadas em detrimento de outras, isso sim, deve ser altamente censurado, a meu ver.

      Eliminar
    5. Na prática o good de 2007 já era muito diferente do good em 2012, pois a formula foi alterada.

      Em termos relativos, qualitativamente, o good de 2007 é igual ao good de 2014, que o único grau criado serve para diferenciar os níveis superiores. Logo, qualitativamente, a percentagem dos que baixaram, na área de filosofia, não é de 66%. Por outro lado, como só dizem respeito à área de filosofia, são pouco relevantes para o resultado conjunto.

      Eliminar
    6. "Em termos relativos, qualitativamente, o good de 2007 é igual ao good de 2014"

      Guiao 2014:
      R&D Unit with quality at the national level, reduced internationalization and

      some contributions to its area of research

      Guiao 2007:


      Unit in which one or few groups did high quality international research which

      leads to some contributions to the field while most groups did good, solid

      research at international level leading to incremental contributions to the field


      Eliminar
  5. Para a proxima, invertam a escala. Dêem exceptional a todos os centros, e depois venham dizer que 100% manteve-se ou subiu e fechem a FCT. Assim, rimo-nos todos com a brincadeira.

    ResponderEliminar
  6. Para podermos continuar esta conversa, sugiro ao anónimo de 5 de Agosto de 2014 às 14:58 que peça a colegas seus alguns dos relatórios dos centros que tiveram excelente ou muito bom na avaliação de 2007 e que agora não passaram à segunda fase.

    Principalmente nos casos em que houve uma discrepância significativa entre a nota dos referees externos e a do interno (uma estimativa conservadora com base nos resultados que possuímos até agora, indica que serão mais de 20% do total das unidades), e veja se, de facto, o que se passa é “que desse financiamento talvez não tenha resultado o exigível para se manter” a unidade.

    Ou se, em vez disso, os referees internos e o relatório dito de consenso utilizam as keywords necessárias para que um centro fosse considerado elegível para a segunda fase e depois dão uma nota baixa, nalguns casos mesmo indicando que não estão de acordo com essa nota mas que não lhes permitem dar outra – admito que este último caso, mencionado por um investigador da FCUL na reunião com o sidicato que teve lugar naquela faculdade, possa ser singular, mas basta um para se perceber como o processo foi organizado e sim, é uma indução baseada num só caso, porque a alternativa é que tinha sido aquele o único centro visado por essa proibição, o que seria pelo menos tão grave.

    Mais importante, há também aqui uma questão de princípio. Aceitar os resultados desta avaliação é, de facto, pactuar com uma gestão mediocre que está a fazer uma experiência de avaliação com base em ideias pré-concebidas sobre a realidade da investigação nacional e sem um mínimo de rigor que pudesse levar essa avaliação a bom termo, mesmo no seu propósito (discutível) de “financiar apenas o excelente” - como já foi aqui apontado várias vezes, mesmo que 50% da investigação nacional seja sub-standard, é evidente que os outros 50% não são identificáveis com 50% dos centros.

    Trata-se ainda de uma gestão que nega de forma pouco científica tudo o que não se adapte à sua pequena visão da investigação, sem que para isso seja capaz de dizer mais alguma coisa que banalidades e generalidades, não tendo até agora dado uma única justificação cabal e factual para explicar o que, em qualquer país dos que pretende imitar, já teria sido suficiente para uma intervenção a nível superior e uma demissão.

    É também pactuar com a desonestidade intelectual patente nas tentativas de justificar que não houve quotas ou que não se deve alterar nada porque o processo deve terminar com as regras com que começou, quando a própria direcção da FCT alterou as regras do processo já no final de Abril.

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.