quinta-feira, 24 de julho de 2014

REITOR DA UNIVERSIDADE DE LISBOA ARRASA A AVALIAÇÃO DA FCT


Declarações à Rádio Renascença de António Cruz Serra, Reitor da Universidade de Lisboa, de longe a maior Universidade portuguesa: 

://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=31&did=156742

Transcrevo, com a devida vénia :

O reitor da Universidade de Lisboa diz que o processo de avaliação das unidades de investigação, levado a cabo pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), "é lamentável" e vai resultar na "liquidação de uma parte do nosso sistema científico".

António Cruz Serra decidiu quebrar, em declarações à Renascença, o silêncio que mantinha sobre o assunto, por "não aguentar" ter lido determinadas declarações do presidente da FCT.

"Não aguentei ver escrito, numa entrevista ao presidente da FCT, que havia uma maioria silenciosa que apoiava o resultado da avaliação. Eu fazia parte dessa maioria silenciosa, mas não apoio, de maneira nenhuma, o processo que foi conduzido de forma pouco profissional, pouco eficiente e baseada numa política inaceitável", desabafa o reitor.

Para Cruz Serra, este processo vai "virar o sistema de pernas para o ar", caindo, assim, o país, "mais uma vez", em algo que "tem constituído uma das bases do nosso insucesso", porque "desta política não ficará nada, quando mudar o Governo e a direcção da FCT".

Classificando o processo de "lamentável" em três frente - na "política definida", na "aplicação da avaliação" e na "seriedade da avaliação - o reitor da Universidade de Lisboa sublinha que, "tendo sido especificado no contrato com a agência de avaliação que metade das unidades não passava à segunda fase", seria preciso "seriar as unidades", algo que não se verificou, uma vez que cada avaliador "avaliou uma ou duas unidades".

Nestas declarações à Renascença, António Cruz Serra acusa ainda que a maioria dos avaliadores não é "especialista da área da avaliação".

O reitor da Universidade de Lisboa apela ao primeiro-ministro para que coloque um fim a este processo de avaliação: "Apelo a que o nosso Governo e, nomeadamente, o primeiro-ministro consiga perceber que o resultado desta operação será a liquidação de uma parte do nosso sistema científico".

4 comentários:

  1. Tem razão, o reitor da universidade de Lisboa. Mas tenho certeza que ele próprio não acredita no êxito do apelo que fez ao governo. Salvo se ele seja um primeiro passo para algo mais. Com apelos não saímos do lugar.

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  2. Se há erros grosseiros na avaliação de alguns centros e estes protestaram em sede própria, então deveriam apenas esperar que esses erros fossem corrigidos e a sua classificação revista, não? Se outros centros tiveram más classificações e não encontraram por onde protestar, então o que querem? Querem uma avaliação onde quem tinham "muito bom" para cima, necessariamente, obtenha uma classificação igual ou superior? Chamam a isso uma avaliação? Se não é isso, então por que não esperam que o reclamação faça os seus efeitos, já que os erros são tão claros? Ou simplesmente exija um outro júri para as reclamações e que a FCT desista das quotas? Anular todo processo antes mesmo de saber o resultados das reclamações? Com que argumento? Que houve centros de gente importante que não sabem o que fazer à vida, pois julgavam que bastava ter um ou dois investigadores de renome?

    E o que mais me espanta: quotas? argumentos absurdos por parte dos avaliadores? avaliadores que não são especialistas na área? Conflitos de interesses? - Qual é o vosso espanto? Assim tem sido nos concursos de bolsas e de projectos nos últimos anos! Andavam a dormir? Ou...

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  3. O Reitor da Universidade de Lisboa deu um passo fundamental para a solução desta situação. Não por apelar ao governo, mas sim por dar um sinal de dissidência em relação à pseudo-solução apresentada pelo CRUP.

    Tinha essa responsabilidade como reitor da maior universidade portuguesa, e assumiu-a. Espera-se que outros reitores sigam o seu exemplo e recusem uma negociação caso a caso com uma FCT que já mostrou que não tem problemas em forçar painéis a deturpar os resultados de uma avaliação.

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  4. O Carlos Fiolhais, do blogue Rerum Natura que tanto critica o FCT, deveria dar uma vista de olhos ao progresso da ciência expresso neste verbete da Helena Matos:

    “O poliamor é então identificado como sendo, mais do que uma prática sexual, um posicionamento moral que envolve profundamente o sujeito na sua produção de si, e onde a parrhēsia (franqueza) é o principal elemento avaliativo da moralidade do sujeito poliamoroso. Esta parrhēsia é fundamental para a manutenção da autonomia do Eu, pelo que ela é oferecida mas também exigida do Outro; a equidade da relação de alteridade é fundamental para o sujeito que, sem o Outro, não se pode constituir como tal. Se tudo isto permite ao indivíduo questionar o horizonte de possibilidades daquilo que o constitui como sujeito, abre também a porta a uma possível hegemonização desta moral para todas as relações de intimidade.”

    Ou seja, segundo os investigadores portugueses das ciências sociais (alguns deles pagos com os nossos impostos), é necessário eliminar a hegemonização da normativização monogâmica e heterocêntrica, substituindo-a por uma hegemonização da moral poliamórica.

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