quinta-feira, 17 de julho de 2014

O FIM DA LINGUÍSTICA NO NORTE

CONTRA O ENCERRAMENTO DO CENTRO DE LINGUÍSTICA DA UNIVERSIDADE DO PORTO

Petição para: Presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia já assinada por mais de 3000 pessoas, mas que ainda não tem recebeu qualquer resposta. Para assinar ir aqui.

Exmº Senhor
Presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Prof. Doutor Miguel Seabra
Lisboa


Tendo chegado ao nosso conhecimento que o Centro de Linguística da Universidade do Porto – unidade de investigação fundada em 1976 por esse vulto ímpar da cultura portuguesa que foi o Professor Óscar Lopes – corre o risco de, apesar de uma história longa e rica, ver a sua atividade encerrada a partir do próximo ano, vimos exprimir junto de V. Exª a nossa mais viva preocupação.

Conhecemos a tradição e os frutos deste centro na investigação de questões importantes de Linguística – com relevo, não exclusivo, para o aprofundamento do conhecimento científico da língua portuguesa; sabemos da extrema importância que este centro teve para a formação avançada em Linguística na Universidade do Porto e para a afirmação, nesta universidade, da Linguística como uma área do saber produtiva e respeitada; sabemos ainda que o CLUP é a única unidade de investigação exclusivamente dedicada à Linguística no Norte de Portugal; estamos cientes do valor ímpar da sua biblioteca especializada, porventura a biblioteca de Linguística mais importante do Norte de Portugal e uma das mais importantes do Noroeste Peninsular; temos conhecimento do apoio que o CLUP presta a estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento, bem como a investigadores nacionais e estrangeiros, que frequentemente o procuram e usam os seus recursos; valorizamos o património linguístico e cultural à guarda do CLUP, o que inclui não só a sua biblioteca mas um acervo documental e linguístico de grande valor; reconhecemos a riqueza das atividades e das publicações dinamizadas pelo Centro, algumas das quais verdadeiramente essenciais para o progresso dos conhecimentos da comunidade acerca da Linguística e da nossa língua; sabemos da reputação nacional e internacional que o Centro merece, atraindo muitos estudantes e investigadores de todo o mundo.

O Centro de Linguística da Universidade do Porto, por todas estas razões, faz parte do património científico, cultural e educacional da universidade, da cidade, da região e do país a que pertence e o seu encerramento seria uma perda irreparável para a cultura de Portugal.

Assim, vimos apelar ao bom senso da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a quem pedimos que, relativizando critérios puramente economicistas ou avaliações descontextualizadas e baseadas num profundo desconhecimento do que é o trabalho e o contributo insubstituível do CLUP, impeça uma perda irreparável e um inqualificável desrespeito histórico. 

3 comentários:

  1. No estudo bibliométrico realizado pela Elsevier este centro tem, de 2008 a 2012, 1 output no total, ou seja uma publicação em 5 anos. Se for engano, têm muito por onde protestar; se for verdade, então parece que o centro há muito que "fechou" em termos de investigação científica e a FCT faz muito bem em não continuar a financiar.

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  2. Vejamos contudo o testemunho, na primeira pessoa, da esterilidade do solo em que se semeou uma parte significativa do ensino superior público.

    http://www.omirante.pt/index.asp?idEdicao=54&id=73715&idSeccao=544&Action=noticia#.U6GnUChXhfU

    Desde logo, pelo que um Sr. Professor desta mesma Escola não refere…

    Vejamos pois, o que não refere.

    Não refere preparar as aulas, nem atender os alunos.

    Mais, não refere ter publicações de natureza científica. Com uma já longa carreira no ensino superior, não refere a publicação de nem 1 artigo científico…

    Também, não refere a sua participação em congressos científicos, nem em conferências da mesma natureza.

    Igualmente, não refere a orientação de teses, a participação em júris conferentes de grau académico, nem ser titular do grau académico de doutor.

    Por outro lado, é significante que refira que fez o mestrado há 22 anos porque tinha um horário lectivo de meia dúzia de horas por semana, e assim progrediu na carreira…

    Cerca de duas décadas volvidas, a descrição que faz da actividade docente é assaz cruel, horário lectivo por volta das 14 horas semanais, reuniões, elaboração e correção de testes e a investigação.

    Mas, não referindo ter publicado uma linha científica, ter participado numa conferência científica ou num congresso, o que investiga então este Sr. Professor? E, qual a relevância dessa sua investigação para o conhecimento científico, onde são absolutamente irrelevantes investigações desconhecidas…

    Entre o que refere, e o que não refere, estará a explicação porque trabalhava mais na actividade privada…

    Ainda que, eventualmente, então auferisse um salário mais elevado na actividade privada, por 10 horas de trabalho diário, por demostrar está que ganhasse mais na actividade privada.

    Será que a actividade privada remunerava um licenciado pela docência no ensino superior, a meio tempo, de forma tão generosa como certamente o ensino superior público o remunerou.

    Aliás, é notável - com o currículo académico que refere - que tenha uma carreira no ensino superior público, onde aufere remuneração equivalente à de professor universitário, sem sequer ter obtido o Doutoramento, grau académico habilitante do ingresso na carreira docente universitária.

    Acresce, perfilhar que o ensino superior (politécnico) não carece de professores doutorados, ou seja, dos mais habilitados academicamente. Ao que diz, ser uma “prevalência” do tempo de “António Guterres como primeiro-ministro”. À qual, defendendo a bondade das contratações de não doutorados, enquanto esteve no Conselho Directivo desta Escola, não terá dado grande acolhimento.Tal o desconchavo, que confessa a reserva da disciplina de fiscalidade para inspetores de finanças…

    O que não deixando de ser extraordinário, segue a orientação do Governo, em funções, que já na recta final do seu mandato, continua a tratar o ensino superior público, como se o mesmo qualitativamente fosse todo igual…

    Embora, na campanha eleitoral o Sr. Dr. Passos Coelho tenha prometido cortar nas gorduras do Estado, alcançada a chefia do executivo prontamente esqueceu a tão necessária reforma do Estado, avançando para cortes indiscriminados, sem cuidar se corta músculo, osso, ou mesmo órgão vital.

    Assim, não racionalizando a rede de estabelecimentos de ensino superior público, cortou as verbas às universidades públicas de referência, como a Universidade de Lisboa, a do Porto ou de Coimbra.

    Mas, como compreender que a opção deste Governo tenha sido a de asfixiar as universidades públicas de referência, e de não racionalização da rede de estabelecimentos de ensino superior público…

    Nesta matéria, quem viu claro foi o Sr. Reitor da Universidade de Lisboa

    http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=675024

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    1. É verdadeiramente inacreditável o "vazio" que paira na alma do senhor professor da terrinha!

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