quarta-feira, 25 de junho de 2014

TERRAMOTO 1980


Eram 16h42 do dia 1 de Janeiro de 1980 quando a terra tremeu na ilha Terceira dos Açores, assim como nas vizinhas ilhas da Graciosa e de São Jorge. O sismo teve a magnitude de 7,2 na escala de Richter e foi um dos maiores ocorridos em terras açorianas. Para comparação o terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755  foi decerto maior: a sua magnitude deve ter sido 9 naquela escala, tendo falecido mais de 50.000 pessoas.  Mas no terramoto dos Açores morreram 44 pessoas na ilha Terceira e 17 na ilha de S. Jorge, Ficaram desalojadas 13.032 pessoas na Terceira, 2066 pessoas em S. Jorge e 489 pessoas na Graciosa. Ficaram completamente destruídos 2778 edifícios na Terceira, 450 em S. Jorge e 120 na Graciosa. O sismo, com epicentro no mar entre as três ilhas, teve, portanto, efeitos catastróficos.

Nenhum sismo nos Açores voltou a ter a mesma magnitude: o maior ocorreu no Faial em 9 de Julho de 1998, mas não passou de 5,8 da escala de Richter. Acrescento que o maior sismo no século XX em Portugal ocorreu a 28 de Fevereiro de 1969, pelas 2h42, com magnitude de 7,8  (lembro-me bem, acordei de noite e tive medo!). Teve a maior intensidade no Algarve  e  provocou a morte de 13 pessoas. E o segundo maior ocorreu a 23 de Abril de 1909 em Benavente, com magnitude 6,  originando 46 mortos.

O livro que saiu há pouco tempo da autoria do vulcanólogo e professor catedrático de Geociências Victor Hugo Forjaz, que tanto tem feito pelo conhecimento e divulgação da geologia açoriana,. e de mais nove autores documenta o maior terramoto açoriano. Após uma sinopse geológica sobre a ilha Terceira e uma sinopse sobre o terramoto segue-se um conjunto de testemunhos de pessoas que viveram a catástrofe. O subtítulo "Memória e sentimentos" traduz bem o espírito do livro. A obra, em papel couché, está ricamente ilustrada com esquemas e fotografias, que dão conta do cenário de devastação.

Não faltam as imagens do presidente Eanes, que então decretou três dias de luto nacional,  em visita à ilha mais afectada. O livro lembra que a tragédia teria sido maior se tivesse ocorrido à noite, pois nesse caso teria causado 15.000 vítimas, tantas quantas as pessoas que estariam a dormir debaixo de tectos desabados. Conforme relata o técnico geofísico Francisco Meneses Rocha,  no dia 1 de Janeiro, dia de aniversário da sua filha, viu  miúdos, no corredor, que pareciam "bolas de pingue-pongue" a saltar. E conta o salvamento de um avô numa casa vizinha, onde pereceram uma avó, um pai e três bebés. Conforme ele diz, nesse dia houve "heróis e santos, quase todos desconhecidos".

- Victor Hugo Forjaz e outros, "Terramoto de 1980", OVGA - Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, 2013.

1 comentário:

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