quarta-feira, 25 de junho de 2014

Homenagem Nacional ao Prof. Luís Mendes Victor

Nascemos no mesmo ano de 1931, convivemos, como colegas e amigos, mais de quatro décadas no nobre edifício da antiga Escola Politécnica, depois Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, ele no Instituto Geofísico Infante Dom Luiz, eu no que foi o Museu Mineralógico e Geológico, e jubilámo-nos no mesmo ano de 2001. Ainda resistimos por dois anos à inglória situação de aposentados, mas a idade não perdoa.


O último dos geofísicos antigos e o primeiro dos geofísicos modernos”, nas palavras de Teresa Firmino (Público, 26.03.2013), acompanhei-o na árdua luta que travou com os autarcas da Junta Metropolitana do Porto, a propósito do projecto internacional COMBO (Core-Mantle Boundery). Visando o melhor conhecimento da fronteira entre o núcleo e o manto terrestres, este projecto pretendia fazer explodir várias toneladas de TNT no mar, ao largo da Invicta. Nesta luta, que assumiu dimensão de disputa política, Mendes Victor e o saber científico saíram derrotados.

Preocupado, em particular, com a prevenção face ao risco sísmico, uma realidade cientificamente reconhecida, em especial no Algarve e nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, dizia que, não se conhecendo a qualidade dos edifícios em muitas zonas de construção clandestina (Brandoa, Prior Velho, Alhandra e outras), não se imagina quantos irão ruir durante um abalo de suficiente magnitude que, mais cedo ou mais tarde, certamente, acontecerá.

São do seu ex-aluno e colega Jorge Miguel Miranda, as palavras, escritas em 24 de Março de 2013, no dia do seu falecimento, que nesta ocasião importa recordar.
“Luís Mendes-Victor dedicou uma carreira de mais de 40 anos à investigação nas diversas áreas da Geofísica. Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa desde 1991, ensinando Geofísica, Sismologia, Prospecção Geofísica, Hidrologia e Física dos Recursos Naturais. Na Universidade de Lisboa, foi Director do Instituto Geofísico Infante Dom Luiz, e Presidente do Instituto de Ciências da Terra e do Espaço, introduzindo em Portugal o ensino e a investigação moderna em Geofísica, e dirigindo o grupo de investigação mais representativo nesta área científica. Foi fundador do Laboratório Associado Instituto Dom Luiz.
Luís Mendes-Victor ocupou lugares de grande responsabilidade internacional na área da Geofísica e Meteorologia, em particular como Director Geral do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (1977-1987), Vice-presidente e Presidente da Associação Regional VI da OMM (1980-1986), Membro do Conselho Executivo da OMM (1984-1986), Presidente do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (1984-1986), Presidente do Comité Ad-hoc para a Investigação dos Sismos do Conselho da Europa (1980-1983), membro do Comité de Aconselhamento para a Europa da Associação Geofísica Americana, Presidente do conselho de coordenação científica do Centro Universitário Europeu para o Património Cultural (Ravello), e Presidente do Comité Consultivo Europeu para a Avaliação da Previsão de Sismos (Conselho da Europa).
No sistema português de investigação, Luís Mendes-Victor foi Secretário do Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa, Presidente da Secção Portuguesa da União Internacional de Geofísica e Geodesia, membro do Comité Nacional de Geotermia (1975-1978), representante oficial do conselho de investigação científica da NATO (1978-1985) e Presidente do Comité Português para o Estudo do Espaço Exterior (1983-1986). Em 1996, e como reconhecimento desta actividade, a Sociedade Europeia de Geofísica atribuiu-lhe a Medalha Sergey Soloviev, “for his distinguished work on seismic, tsunami, hydrological and geological hazards in complex environments at an interdisciplinary and international level”. Em 2005 foi agraciado com o grau de comendador da Ordem de Santiago de Espada, por ocasião do Ano Internacional da Física”.
A. Galopim de Carvalho

Sem comentários:

Enviar um comentário

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.