sexta-feira, 18 de abril de 2014

O estádio moral de um país

Os estados modernos foram criados no pressuposto de que todas pessoas nascem livres e iguais. E de que a fraternidade é o lema de vida em sociedade. Quem conseguiu levar a firmar este pressuposto em Declarações, Constituições e Leis tinha por certo que a Razão integrava a condição humana. Se as pessoas pudessem exercer essa capacidade perceberiam que direitos e deveres seriam os seus e dos outros. O Estado seria o órgão regulador.

Nesta conformidade, todas as pessoas, na medida dos seus rendimentos, deveriam contribuir para o bem comum (não para a riqueza de alguém). É certo que nem sempre os impostos foram aplicados de maneira equitativa nem respeitado o seu cumprimento, mas o princípio que os justificava afirmava-se como correcto.

Foi-se agora o princípio: de medida básica de cidadania democrática, os impostos passaram a apresentar-se como meio para ganharmos algo só para nós: um carrão!

Pagar impostos passou a ser, neste país, um engodo e um engodo regular, para interiorizarmos bem a ideia, e com direito a espectáculo numa estação de televisão. Um jogo de entretenimento!

É o nosso estádio moral, que é o estádio moral do país.
Maria Helena Damião

8 comentários:

  1. Era impossível uma maior anormalidade pedagógica à medida de um governo com um determinado guião. Desde o princípio em si, mais do que errado , ao carro, que gasta uma pipa de combustível e por isso muitíssimo poluidor e ao facto de estarmos em crise e, por isso, devemos evitar aumentar o gasto de importação de energia, nada diz com nada. Uma imbecilidade digna de um IgNobil!

    Ivone Melo

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  2. Haverá maior imoralidade do que a fuga ao dever de pagar os seus impostos? Podemos não concordar com o meio utilizado para a combater (o Fisco podia-lhes pedir por favor que o fizessem ou mandar rezar uma missa para o efeito, por exemplo) mas não é bem mais chocante observar como há pessoas que à frente dos nossos olhos se recusam a fazê-lo? Isso não incomoda os iluminados?

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  3. A "FARTURA DA SORTE" é a verdadeira gordura do estado, a adiposidade de ideias que bloqueiam as artérias de um país à beira de um AVC que o vai deixar semi-inválido por muitos e bons anos.

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  4. Não. Não é o nosso estádio moral. É o estádio de um governo que nivela por baixo e não educa porque não se dá o que não se tem. É um governo chico-esperto que ensina chico espertismo.

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  5. A "Factura da Sorte" valerá pelos resultados alcançados. Se no final o acréscimo de IVA arrecadado for superior ao custo dos prémios distribuídos terá valido a pena. Tudo o resto são cantigas ideológicas...

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    1. Desculpe, anónimo das 0:35, mas no meu mundo ainda não vale tudo. E - julgava eu, ingenuamente - no da política também não. Por ser um mundo do homem deve respeitar normas morais. e os fins não justificam sempre os meios. Mais, não sei até que ponto estes fins são justos. Mas a justeza deixou de ser um item a ter consideração. É tudo metas e fins e números. Mas sem pessoas não há mundo humano. E o mundo só com os animais e as plantas não interessa nem ao menino jesus (que até nasceu, viveu e morreu para salvar os homens); é como se não exista dado que ninguém para pensá-lo.
      Mas pronto, já desviei.
      Boa Páscoa

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    2. Desculpe, anónimo "perhaps, mas creio que se equivocou quando, a propósito deste assunto, alude à política e a normas morais. O assunto é outro, menos filosófico mas não menos interessante: conseguir recursos para pagar, por exemplo, salários aos funcionários públicos. Ai a falta que faz um economista neste painel...

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    3. Já agora, anónimo "perahps", desculpe acrescentar que o seu mundo é muito curioso. Não tem uma palavra de reprovação para com a imoralidade de quem não cumpre as suas obrigações fiscais - recebem o IVA dos clientes e não o entregam ao Estado - e acha imoral que se tente trazê-los para a legalidade. Se comparar os valores de IVA que escapa ao Fisco e o IRS que passou a pagar a mais, depressa concluirá de que lado está a moralidade. Mas isto sou eu a divagar...

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