sábado, 22 de março de 2014

A ORIGEM DO MUNDO SEGUNDO UM AUTOR MEDIEVAL

No mesmo dia em que o Público noticiava novidades sobre a origem do mundo (sinais na inflação no fundo de luz de microndas), noticiava também a tentativa de simular matematicamente um texto sobre cosmogonia de um autor medieval, o inglês  Roberto Grosseteste (c. 1168/70-1253), que consta da sua obra "Tratado da luz" (c. 1220/35).

Ora acontece que esta obra foi recentemente traduzida em português a partir do latim original (a edição é bilingue: "Tratado da luz e outros opúsculos sobre as cor e a luz", Introdução e notas de Mário Santiago de Carvalho, tradução de Mário Santiago de Carvalho e Maria da Conceição Campos). Transcrevo a descrição da criação do mundo:
"Então, a luz, que é a primeira forma criada na primeira matéria, multiplicando-se a si mesma por si mesma infinitamente em todas as direcções, e prolongando-se para todo o lado de maneira uniforme, no princípio do tempo, estendeu a matéria, da qual não podia separar-se, difundindo consigo toda a massa que compõe a máquina do mundo. A extensão da matéria não podia dar-se por uma multiplicação finita da luz, porque aquilo que é simples, repetido um número finito de vezes, não gera uma quantidade, tal como Aristóteles mostra de maneira demonstrativa; mas multiplicando infinitamente gera necessariamente uma quantidade finita, porque o número da multiplicação infinita de qualquer coisa supera infinitamente aquilo por causa do qual se faz a multiplicação. Mas o que é simples não é superado infinitamente por outro simples, mas apenas uma quantidade finita supera infinitamente o que é simples. Com efeito, uma quantidade infinita supera o que é simples de uma maneira infinitamente infinita. Logo, a luz, por ser simples em si, multiplicada infinitamente, estende a matéria, que é igualmente simples, em dimensões de grandes necessariamente finita".
Note-se a distinção mas ao mesmo tempo ligação entre luz e matéria, a expansão da luz e da matéria nos cosmos primitivo. Grossteste viu, à sua maneira, o Big bang que hoje sabemos ter existido.

1 comentário:

  1. Para um físico deve ser um texto de bê à bá. Para um leigo é bastante confuso entender um infinitamente finito gerado por uma multiplicação infinita do que é simples.
    Não acredito na compreensão dos infinitos, quaisquer que eles sejam, não existe raciocínio capaz de entender o que se liberta do mensurável nas mentes finitas.

    Mas é agradável supor que tudo veio de um trabalho da luz sobre a matéria. Tem o professor razão, um big bang ainda sem nome

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