sábado, 25 de janeiro de 2014

Redigiram os seus regulamentos disciplinares e... descansaram.

Nos últimos anos, diversas universidades públicas portuguesas (deixo as privadas de lado porque não as conheço) redigiram os seus regulamentos disciplinares e... descansaram.

Quer dizer, presumo que tenham descansado, pois do que me é dado perceber, em muitas faculdades e cursos, os comportamentos problemáticos dos alunos, de esporádicos passaram a habituais (ver, por exemplo aqui) e a sua severidade aumentou... Porém, nada de relevante parece acontecer.

A impressão que formei já há algum tempo, e que tenho vindo a reforçar, é a seguinte: quem deve fazer cumprir as normas opta por "assistir ao espectáculo", para evitar problemas de maior, finge que não vê nem ouve, dissimula. Além disso, de tão envolvido que está na convivência conturbada, nem se apercebe do seu agravamento, nem que todos os dias condescende um pouco mais. Isto até deixar de distinguir o que é normal e o que é intolerável nessa convivência

As razões do cenário são muitíssimas e estão bem identificadas na literatura da especialidade, por isso salto esta parte, pois o que me interessa é dizer que, por estes dias, um professor de uma universidade portuguesa, passando por alunos cujo comportamento o inquietou não seguiu em frente, parou e interveio.

Por certo, ele saberia que nada do dissesse iria ser atendido e muito menos acatado pelos alunos, mas, ainda assim, a sua consciência não o deixou avançar. Do que se seguiu, dá conta numa mensagem aberta aos colegas, que foi divulgada na comunicação social, e que se resume em três palavras: manietado, ameaçado e insultado.

Por certo, ele saberá que a divulgação do caso não terá quaisquer consequências para os alunos (ainda que possa ter para si) mas, ainda assim, a sua consciência não o deixou parar. Avançou e contou.

É uma dupla manifestação de coragem (a segunda nada menor do que a primeira) que lhe reconheço e agradeço.

5 comentários:

  1. Pois é. Se mais alguns professores optassem por um comportamento ajustado, consciente e responsável as coisas não chegariam ao ponto em que estão. Não haveria insulto, ameaça ou agressão física. Os meninos dos papás ou "coirões", malcriados e prepotentes, deveriam ter o corretivo adequado e retratarem-se perante o professor ofendido e a comunidade escolar.

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  2. É uma dupla manifestação de coragem (a segunda nada menor do que a primeira)

    Tem toda a razão.

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  4. Um educador, seja qual for o nível da sua ação, nunca pode ser um assistente face a evidências de desvios e de más formações. Infelizmente o ambiente geral, da sociedade, muita comunicação social de massas, a má ideia que se generalizou do conceito de "disciplina", algumas teorias mal percebidas e pior aplicadas dificultam as coisas.
    Mas sempre que um educador faz "vista grossa" às faltas de educação e às incorreções está a cavar a sua própria sepultura e a envenenar a sociedade.
    É claro que quem teve a sorte de nascer e crescer em famílias que sabiam educar os filhos não cai nestas cenas e não precisa de ações disciplinadoras, mas o número dos que foram mal educados é muito grande e os professores e as instituições devem atacar isso de frente e sem subterfúgios, sem racionalizações de avestruz, constituindo uma equipa coesa e coerente na interpretação e na ação. É claro que os professores foram desautorizados e enfraquecidos por muitas demagogias e não se sentem protegidos, mas a questão - ó políticos e ideólogos da treta - não é só o da indisciplina nas escolas, mas na sociedade com todo o estendal de misérias que isso acarreta. E atenção, disciplina não é repressão nem falta de liberdade - ó novos-ricos das ideias e do dinheiro mal ganho!
    O professor em causa na U. do Minho mostrou coragem e hombridade, e a instituição tem obrigação de o apoiar porque é a credibilidade presente e futura da universidade que está em causa. E todas as escolas deviam tomar em atenção estes casos e combatê-los adequada e concertadamente.Já!
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  5. Quem viu ontem (25.Jan) o documentário da RTP1 sobre a prática de praxes universitárias, pôde ver/ouvir até que extremos vai a baixeza da “coisa”. Absolutamente deprimente. Enquanto as autoridades “ignorarem” a situação, tudo irá de mal a pior (incluindo ocorrência de mortes).

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