terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Com todo o respeito por Eusébio, também não exageremos

Texto recebido do nosso leitor Augusto Küttner de Magalhães:

 


Como é evidente Eusébio representou Portugal lá fora como poucos o têm feito. Para a grande maioria dos portugueses, que evidentemente gostam e sempre gostaram e gostarão de Futebol, a ideia de se falar tanto em Eusébio é compreensível.

Porém, talvez haja um pouco de exagero em tanta divulgação sobre, com e de Eusébio, mostrando-se todos os meios de comunicação social bloqueados em Eusébio. Quando o País estacou por Eusébio ter morrido, quando tudo neste País deixou de ser relevante para além de Eusébio, o próprio futebolista, se lhe fosse possível ver este panorama, talvez, sendo um bom homem, ficasse um pouco assustado. Quando todos temos mais que fazer pelo País, os media ficaram sem ter mais nada sobre que falar.

Claro que, para quem não gosta de futebol, como é o caso do anormal que está a escrever estas linhas, tudo parece demasiado. Há que assumir que a normalidade é gostar de futebol. Mas talvez não devesse haver uma necessidade de devitar tanto tempo em todos e em cada meio de comunicação social à morte de Eusébio, esquecendo durante três dias tudo o resto. O País continua, e continuará. Espera-se!

Sendo uma referência, sendo uma das pessoas que fez Portugal ser conhecido internacionalmente, em especial no tempo do antigo regime, que era demasiado fechado sobre si mesmo, talvez  continuemos ainda nos 3 Fs, que eram apanágio do antes 25 de Abril de 1974. Fado, Futebol e Fátima.

Uma vez que um está aqui por todo o lado, o Futebol. O outro esteve, também aqui, com as comparações de Eusébio a Amália, ou seja o Fado. E Fátima nunca deixou, pelas mais variadas formas, de estar também presente.

E extraordinariamente, desde o Presidente da República, ao Primeiro-ministro e a todos os chefes de cada Partido da oposição se reuniram em torno de Eusébio.

Talvez seja chegado, então, o tempo de haver mais consensos, até em memória de Eusébio, entre todos os portugueses, para conseguirmos finalmente, com alguns compromissos e consensos, fazer crescer o País.

É a altura  pensarmos como podemos, em conjunto, ajudar a melhorar o País. Será possível entendermo-nos com vista a um futuro melhor?

Esta seria decerto a melhor homenagem a Eusébio.

Augusto Küttner de Magalhães

7 comentários:

  1. À guisa de complemento no tocante a exageros:

    http://tempoderecordar-edmartinho.blogspot.pt/2014/01/ponderacao-precisa-se.html

    http://tempoderecordar-edmartinho.blogspot.pt/2014/01/ponderacao-precisa-se-ii.html

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  2. Estou de acordo. Eu até gosto de futebol. Eusébio foi não só um excecional futebolista como um homem simples e bom que nuca perdeu essas qualidades, apesar da fama universal, coisa que não é tão vulgar como isso. Mas é evidente que as televisões dão cabo da realidade, esticam-na até a transformarem numa coisa disforme, monstruosa, absurda. É o que está a acontecer com o futebol. E puxam ao sentimento de uma maneira que, pelo efeito multiplicador de não sei quantas estações, e de um infindável número de participantes, infantilizam toda a gente, e acabam por nos envergonhar a todos.
    É óbvio que o próprio Eusébio acharia isto um exagero e não se sentiria bem se pudesse ver todas as reportagens que fizeram sobre a sua morte.
    A ideia de que, tendo havido um tão extraordinário consenso entre todos os quadrantes políticos, nas homenagens a Eusébio, por que não tentam aproveitar a embalagem e criar compromissos políticos que nos beneficiem a todos? Eusébio, na sua simplicidade tão talentosa, ficaria muito satisfeito.

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  3. Concordo consigo, tudo um grande exagero. Mas é a comunicação social que temos. Sentimos a falha que todos têm no exagero mas também é verdade que isso é que lhes dá audiências e depois é tudo muito mais fácil porque o programa está feito. É só deslocar uma série de repórteres para o local para dar todos os pormenores em directo até à exaustão (até à náusea). Mas parece que é disso que o meu povo gosta.
    Ainda bem, amigo, que enviou o seu post. Até parece que já me sinto mais acompanhado pois eu pensava até que era filho único, sobre esta matéria…
    Tudo um exagero completo, o que é demais é moléstia.
    Eusébio é um grande símbolo nacional, sim, mas não estraguemos, exagerando…

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  4. Vivemos numa época de grandes excessos voláteis fruto de uma ânsia extrema por sentir alguma coisa para além das capas de cinismo geradas por este social-individualismo - é o que temos tornam inevitável os carnavais fora de época.. Mas também é preciso perceber que a questão não é o Eusébio em si, o ser humano, o atleta, mas tudo o que significou para centenas de milhares de portugueses fora de Portugal; o que significou para a imagem e reconhecimento de um Portugal auto-periférico; o que significou para uma das indústrias mais importantes em Portugal. Esse plano simbólico de Eusébio, que ultrapassaram muito o ser humano, também não pode ser minorado também por qualquer pudor ou enjoo de moça de salão. O futebol, o indivíduo, ou a "overdose" fátua de uma comunicação social invadida de tiques de publicitários são irrelevantes aqui: o que importa é que Eusébio foi a ligação afectiva de tantos que viveram com poucas fontes de estima. Eusébio fez bem a Portugal; muitíssimo melhor do que figuras como Sidónio Pais, Óscar Carmona ou qualquer figura política presente. Morreu alguém que nos fez muito feliz em momentos difíceis - só podemos estar enormemente tristes.

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  5. Sim, de facto, no clima cinzento e triste em que se vivia Eusébio representou muito mais do que ele próprio. Ele foi, durante anos, a razão de orgulho de toda uma nação. Temos que lhe agradecer isso. E parece que o resto do mundo futebolístico (e não só...) o percebeu também. Ao fim de tantos anos, lembrá-lo ainda desta maneira é de facto espantoso. De certo modo todos terão percebido e sentido o mito em que ele se tornara.

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  6. Pensei que , pelo menos na antena 2, não apanharia doses em força de Eusébio. Qual quê! Durante os 60km que faço para ir trabalhar ouvi evocações, poemas e músicas dedicadas a Eusébio , não há paciência!

    Ivone Melo

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