sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

“MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES”



Morreu, aos 95 anos, Madiba, assim lhe chamavam, carinhosa e afectivamente, os que o admiraram, respeitaram e amaram.

Estamos de luto, de verdade, todos os que puderam conhecer a vida e a obra desta figura ímpar, bondosa, tolerante, sorridente e bonita, moral e fisicamente.

No dia 11 de Junho de 2008, o deputado António Filipe, do PCP, numa intervenção no Parlamento, por altura da comemoração do 90.º aniversário de Mandela, disse para os que não sabiam e lembrou aos interessados em fazer esquecer que, em 1987, há pouco mais de um quarto de século, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela, e que os três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Ronald Reagan, a Grã-Bretanha, de Margaret Thatcher, e Portugal, de Cavaco Silva, na altura Primeiro Ministro.

No site da Presidência da República, datada de 5 de Dezembro de 2013, pode ler-se a mensagem de condolências enviada pelo Senhor Professor Cavaco Silva ao seu homologo Jacob Zuma pela morte de Nelson Mandela, que aponta como “figura maior da África do Sul e da História mundial”.

Nesta mensagem, o Professor afirma que “Nelson Mandela deixa um extraordinário legado de universalidade que perdurará por gerações”. Realça “O seu exemplo de coragem política, a sua estatura moral e a confiança que depositava na capacidade de reconciliação constituem verdadeiras lições de humanidade”. E acrescenta, lembrando que “A dedicação de Nelson Mandela aos valores da democracia, da liberdade e da igualdade invadiu os corações de todos quantos o admiram, na África do Sul ou em outro lugar, incutindo esperança, mesmo diante dos desafios mais difíceis”.

O Professor afirma, ainda, que “A atribuição do Prémio Nobel da Paz a Nelson Mandela e a sua eleição massiva para a mais elevada Magistratura da África do Sul simbolizaram o merecido reconhecimento de um político de causas e uma vitória para os Direitos Humanos no mundo”.

Nesta dualidade de posições, flagrantemente antagónicas, duas conclusões se poderão tirar: ou o nosso Presidente mudou radicalmente de opinião ou as palavras que agora subscreve são pura hipocrisia.

A. Galopim de Carvalho

5 comentários:

  1. Obrigado pela divulgação das duas caras do nosso presidente.
    Viva Nelson Mandela !

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  2. Professor Galopim

    Prefiro acreditar que mudou de opinião:) Nelson Mandela conquista todos. Por que razão Cavaco Silva não terá sofrido o mesmo volteface? Quem ontem ouviu Jorge Sampaio a falar e Cavaco Silva, entende a diferença.

    Hoje Nelson Mandela é um herói do mundo - ficaria mal não alinhar -. E os EUA, desta vez, puseram a bandeira a meia haste. Logo...

    Tivemos a sorte de viver no tempo de Mandela, é um modelo de que precisamos. 28 anos é muito tempo a sofrer pela liberdade. E, ainda assim, foi o homem da reconciliação. Ímpar.

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  3. O PCP já aceita a democracia parlamentar? Quantas resoluções foram votadas nesse dia na ONU? Não viram por lá uma que exigia a libertação incondicional de Mandela e que obteve o voto favorável de Portugal? O PCP não viu porque não lhe conviu.
    Quanto a Cavaco, de facto pode mudar de opinião. Em 1987 Mandela era só um dirigente que apelava à luta armada. A sua grandeza de alma revelou-se-nos depois de sair da prisão. Mas Cavaco quando manda votar na ONU não segue a sua opinião pessoal da mesma forma como quando endereça condolências como presidente. Deviam saber isso.

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    Respostas
    1. Infelizmente creio que a hipocrisia é a hipótese mais acertada.
      Ontem, num concerto na Casa da Música, no Porto (9ª sinfonia de Mahler) em homenagem a Manoel de Oliveira,foi guardado um minuto de silêncio por Mnadela. Todas as homenagens são poucas para um HOMEM tão grande. Obrigada por mais esta.
      Regina Gouveia

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