terça-feira, 12 de novembro de 2013

NIHIL NOVI SUB SOLE


“O escritor que se cala não é um combatente que fica firme 
no seu posto: é um soldado que cai. A cerrada turba dos 
beligerantes passa-lhe por cima e segue avante”
(Ramalho Ortigão, 1836-1915). 

Reproduzo do “Jornal i” (11/11/2013), a notícia de Ana Tomás que pode ajudar as compreender a ingratidão de alguns destacados políticos da nossa praça, diplomados por antigos liceus. Ainda que mesmo com responsabilidades acrescidas no sector da educação, mas que parecem apostados em tornar o ensino público em parente pobre do ensino privado convencionado. Deixo ao leitor as devidas ilações dessa notícia transportada para território nacional em que é dado destaque ao ensino privado convencionado numa altura em que as escolas públicas se debatem, cada vez mais,  com um menor número de alunos, et pour cause, com professores com horário zero.

Aqui deixo, então, a supracitada notícia:
“John Major considera “verdadeiramente chocante” o domínio que a elite educada em escolas privadas e de classe média alta detém sobre os lugares mais altos da esfera pública britânica. O político conservador, que sucedeu a Margaret Thatcher na liderança do governo, afirmou, na passada sexta-feira, durante o jantar anual da Associação Conservadora de South Norfolk, que “todas as esferas de influência britânicas” são dominadas por homens e mulheres que frequentaram escolas privadas ou que vêm de uma classe média alta privilegiada. “Tendo em conta as minhas próprias origens, acho isso verdadeiramente chocante”, disse, acrescentando que o sistema educativo devia ajudar as pessoas a libertarem-se das circunstâncias em que nasceram, em vez de fechá-las nelas. De acordo com o jornal “The Telegraph”, apesar de no seu discurso Major ter atribuído aquilo que designou de “colapso da mobilidade social” ao Partido Trabalhista, liderado por Ed Miliband, as suas declarações foram antes entendidas como uma crítica ao actual primeiro-ministro, e colega de partido, David Cameron, cujo staff (além dele próprio) encaixa no perfil descrito pelo antigo chefe de governo”.
Mas como diziam os romanos nihil novi sub sole. Já, em pleno século XIX, Ramalho Ortigão lançava o aviso público do perigo que corria a instrução secundária desse tempo. Assim, em carta dirigida ao Ministro do Reino, escrevia ele: “Exmº Sr. Ministro do Reino: O estado em que se encontra em Portugal a instrução secundária leva-me a dirigir a V. Excª o seguinte aviso: se a instrução secundária não for imediatamente reformada, este ramo de ensino público acabará dentro de poucos anos”. Sem pretender ser tão apocalíptico, não posso, todavia, deixar de recear que o apoio desmesurado estatal dispensado ( e a dispensar) ao ensino privado português assuma “o colapso da mobilidade social”, na expressão do antigo primeiro ministro britânico. Mas se, como diz a vox populi, o futuro pertence a Deus esse mesmo futuro responsabiliza os nossos governantes que tutelaram, tutelam ou virão a tutelar o destino escolar dos nossos jovens. Seja como for, como dizia um amigo meu, prefiro ser um pessimista que se engana a um optimista que se engana!

P.S.: Esta minha posição não é de hoje. Remonta a Novembro do ano passado, com a publicação de um meu post, neste blogue, sobre esta temática.

2 comentários:

  1. Sem pudor.
    http://www.tvi24.iol.pt/503/sociedade/reporter-tvi-verdade-inconveniente-ana-leal-colegios-privados-tvi24/1506330-4071.html

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