quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Liberdade e autoridade

Hoje, no dia mundial da Filosofia, volto a Bertrand Russell para repensar um eterno problema educativo: a liberdade que se deve permitir às crianças e aos jovens e a autoridade que se deve exercer sobre eles.

Lembrei-me de Russell por causa da leitura de um artigo que ontem me foi enviado e cujo título é La educación nórdica es la mejor del mundo o se trata más bien de un gran error? Sobre o assunto escreveu o matemático e filósofo, divulgador do conhecimento, Prémio Nobel da Literatura:
"No ensino, como em outras coisas, a liberdade deve ser questão de grau. Há liberdades que não podem ser toleradas. Uma vez conheci uma senhora que afirmava não se dever proibir coisa alguma a uma criança, pois esta deve desenvolver sua natureza de dentro para fora. «E se a sua natureza a levar a engolir alfinetes?», indaguei; lamento dizer que a resposta foi puro vitupério. No entanto, toda criança, abandonada a si mesma, mais cedo ou mais tarde engolirá alfinetes, tomará veneno, cairá duma janela alta ou doutra forma chegará a mau fim. Um pouquinho mais velhos, os meninos, podendo, não se lavam, comem demais, fumam até enjoar, apanham resfriados por molhar os pés, e assim por diante — além do fato de se divertirem importunando anciãos, que nem sempre possuem a capacidade de resposta de Eliseu. Quem advoga a liberdade da educação não quer dizer que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes der na veneta. Tem de existir um elemento de disciplina e autoridade; a questão é até que ponto, e como deve ser exercido".
Bertrand Russell (1957). Ensaios Céticos. Companhia Editora Nacional, Tradução de Wilson Velloso

2 comentários:

  1. O valor do pensamento e as obras de Russell sobre filosofia e matemática são reconhecidos por toda gente. Já como educador e pedagogo o seu pensamento e práticas deixam muito a desejar – como aliás se pode avaliar pela pobreza do texto apresentado.

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