terça-feira, 30 de abril de 2013

UMA VISITA POLITICAMENTE INCORRECTA AO CÉREBRO HUMANO

Recensão publicada primeiramente na imprensa regional.

«Será a mente humana capaz de descobrir qualquer coisa que a transcenda» questiona o eminente neurocientista Alexandre Castro Caldas na introdução do seu mais recente livro “Uma visita POLITICAMENTE INCORRECTA ao cérebro humano”.
Publicado em Fevereiro de 2013 pela editora Guerra & Paz, este livro apresenta e desvenda as novidades do conhecimento que as neurociências têm alcançado sobre esse órgão, o cérebro, que o leitor está a usar para entender o que está a ler agora mesmo.

«Quem somos então, o que somos nós, o que é que o cérebro e as suas funções?» pergunta-nos Alexandre Castro Caldas, para logo responder que as “páginas deste livro não pretendem ser resposta, mas pretendem abrir portas para a reflexão”.

No panorama actual da literatura de divulgação científica portuguesa em geral, e das neurociências em particular, este livro destaca-se pela sua actualidade científica, pela sua simplicidade rigorosa e pela sua utilidade para o leitor que com ele se compreende melhor.

Os diversos casos clínicos que ajudam a entender melhor como o nosso cérebro funciona, são apresentados despedidos de jargões técnicos, para que qualquer um de nós os entenda e logo entenda melhor como o seu próprio cérebro funciona. As notas e as referências bibliografias são dispensadas nesta visita POLITICAMENTE INCORRECTA ao cérebro humano, o que torna fluida a leitura deste livro. 


A propósito do autor, diga-se que Alexandre Castro Caldas começou a sua vastíssima e relevante carreira de investigação científica de excelência com António Damásio, em 1970, e que ficou a dirigir o Laboratório de Estudos de Linguagem, quando, em 1975, Damásio saiu de Portugal.

Mas voltemos ao livro. Está estruturado em dez capítulos que o leitor pode ler pela ordem que entender, eventualmente movido pela sua maior curiosidade, ou interesse por um dado aspecto do nosso cérebro.
No 1.º capítulo “reflecte-se sobre a forma como acreditamos nas coisas”.
No 2.º discute-se como a consciência humana pode ter começado “num sonho”.
Conhece-te a ti mesmo” é o título do 3.º capítulo, no qual de descreve “como o cérebro interage com o sensível”.
No 4.º, intitulado “quem fui eu, quem sou eu”, Castro Caldas discute a questão da identidade.
“Quem és tu? Que casa é esta”, intitula o 5º capítulo que apresenta casos em que o cérebro processa mal a informação sobre o que lhe está próximo, como sejam as pessoas da sua família e os locais que lhe são habituais.
O 6.º capítulo é dedicado a aspectos marcantes da personalidade: “quando se faz aquilo que se não quer fazer” e sobre “o livre-arbítrio”, levando-nos a reflectir sobre a questão da vontade própria.
Abordando aspectos anatómicos, mas funcionais, o 7.º capítulo apresenta ao leitor a realidade da “Dominância Cerebral” e discute-se sobre qual manda, se o hemisfério esquerdo se o direito e quando.
O género sexual e a sua influência sobre o cérebro, um “tema que tanto estimula a imaginação”, é tratado no 8.º capítulo.
Numa época em que vivemos sob a influência de uma nova e globalmente esmagadora tecnologia de informação, Castro Caldas descreve no 9.º capítulo como “Manter o cérebro em forma” numa aproximação aos desafios modernos da “interacção entre o natural e o artificial”.
Por fim, o 10.º capítulo, o qual, como os outros, pode ser lido em primeiro lugar: “Experiências de quase-morte” é o seu título e nele se desmistificam as fantasias, as ilusões geradas pelo cérebro sobre a memória de experiências traumáticas na “fronteira abrupta” entre a vida e a morte.

A leitura deste livro é uma experiência rica em que o autor nos ajuda a compreender melhor o mundo em que vivemos ao explicar à luz do conhecimento actual como é que o cérebro compreende e funciona no mundo em que vive.

António Piedade

4 comentários:

  1. Deve ser interessante, sim.
    Pena que aos portugueses comece a faltar capacidade económica para adquirir tantos livros bons. Falo por mim...
    Porém, em matéria de neurónios, começar por entender como é que uma corrente de iões numa membrana despolarizada e uma mediação por um químico neurotransmissor entre cada duas células nervosas em cicuito, qualquer coisa "meramente electroquímica", transmite e interpreta informações tão diversas e em tão grande número é, a meus olhos, algo absolutamente extraordinário. E tudo o resto, num cérebro que nos identifica e põe em relação com o mundo, aumenta incomensuravelmente esse aspecto.
    Diz-nos, cérebro, como és e como somos. Porque o mundo, esse é (para cada um de nós) como o vamos sentindo, vendo e entendendo...

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    1. Ora, cá estou eu e os meus erros: ali em cima, onde escrevi "cicuito" era "circuito" que queria ter escrito.
      Por agora não vejo outros...

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  2. É certamente um livro a adquirir e a ler com muita voracidade. Falo por mim, que me deixo prender por encadeamentos de argumentos, muito mais do que por intrigas e enredos de filmes...E, no entanto, em ambos os casos está o cérebro. Até que ponto o cérebro pode conhecer-se a si mesmo? Sem os instrumentos que o perscrutam e lhe dizem coisas...O cérebro sem olhos e sem ouvidos e muitas coisas mais, não seria o que é. Mas também digo: diz-nos cérebro...

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  3. Livro que me parece muito interessante, do ponto de vista do que a ciência já sabe acerca do funcionamento do cérebro, em muitos domínios! O ser humano procurará, uma vida inteira, respostas para os seus " Porquês!". Mas a ciência, nem sempre as encontrará porque há, de facto, situações inexplicáveis do ponto de vista da ciência! lembrei-me de Jean Paul Sartre ( 1942).. " Aquilo que eu sou é aquilo que eu faço. Ninguém faz de mim nada. Eu é que fiz, faço e farei, tudo. "

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