quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Contra o acordo ortográfico

Eis uma iniciativa louvável e que deveria repetir-se por todo o país: os estudantes do Instituto Superior Técnico, de Lisboa, aprovaram uma moção de rejeição do Acordo Ortográfico e organizaram o movimento para a revogação do acordo ortográfico, com o nome Desacordo Técnico. Era bom ver Desacordo de Letras, de Ciências, de Direito, de Medicina, etc., repetindo-se por todo o país. Era bom ver os estudantes do ensino secundário também mobilizados. E, já agora, os professores. O acordo ortográfico é uma fraude que nada harmoniza entre Portugal e o Brasil: ficamos com mais vocábulos diferentes do que tínhamos antes. E ao mesmo tempo violamos a nossa língua de maneiras arbitrárias.

11 comentários:

  1. Pela revogação do "Acordo (de quem com quem, representando quem?) Ortográfico", sim senhor.
    Muito bem. Apoio. E exijo (tanto quanto me é possível...).

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  2. Ensinar alunos menores e receber ordens do ministério da educação para seguir o Acordo são dois factores que condicionam a atitude dos professores do ensino secundário, embora não permitam explicar a sua passividade.
    Um dos efeitos práticos decorrente da aplicação do Acordo é que antes quando se cometiam erros sabíamos exactamente como corrigi-los, agora, em situações triviais, todas as pessoas têm dúvidas em relação ao modo correcto de escrever. Parece ser está a grande vantagem: instaurar a balbúrdia e desrespeitar a língua portuguesa.
    Todavia, instituições como o Técnico e iniciativas como esta fazem-nos ter algum optimismo em relação ao futuro.

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  3. Apesar de eu estar no Brasil, dei-me ao trabalho de assinar e enviar pelo correio a minha adesão à Iniciativa Legislativa de Cidadãos. Acho que todos devemos fazer o mesmo. Não devemos esquecer: com o acordo ortográfico há mais palavras diferentes entre Portugal e o Brasil do que antes do acordo.

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    1. Completamente de acordo no que toca ao Desacordo Ortográfico/Técnico.

      Esta "mania ocidental", de querer que sejamos todos "iguais" e daí formatar tudo e todos segundo padrões inventados por uma elite que não se tem cansado de querer colocar tudo no mesmo saco. Cada vez mais sem êxito, felizmente.

      Os povos são como são, diferentes e ainda bem, as necessidades até podem ser semelhantes mas os hábitos podem ser diferentes e ainda bem, continuem pois a ser diferentes que daí dificilmente advirá mal ao mundo.

      Resumindo: que as diferenças culturais e linguísticas entre Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé Principe, Timor etc. continuem que isso só demonstra a riqueza cultural existente na lusofonia.

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  4. Neste blog praticamente todos os posts são comentados por pessoas que se apresentam como professores e todos seguem religiosamente o AO90. Dos professores já não espero nada. Tem de ser a sociedade a tomar esta questão nas mãos, como os estudantes do Técnico ou os promotores da Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico.

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  5. O que é feito dos mentores e dos defensores do acordo? É que o acordo agora também ser uma coisa que "consta do memorando" e, como tal, não é da responsabilidade de ninguém.

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  6. Os professores têm de fazer o que lhes mandam, sob pena de sanções. O meu filho anda num colégio privado. Quando transmiti à professora que queria que ele continuasse a aprender segundo o português antes AO ela disse-me que eu tinha toda a legitimidade. Antes de enviar a minha carta e documentos que provam que o AO é ilegal etc, ela já tinha transmitido a minha ideia ao director, que me chamou para conversarmos e que me disse cara a cara que não leria o que quer que eu enviasse e que se alguma vez eu dissesse à professora para o meu filho aplicar o acordo ela até o poderia aceitar, etc., mas levaria com um processo disciplinar em cima. Num país com a falta de emprego como este, sobretudo na classe dos professores, a coitada da professora é a última a quem pretendo prejudicar com isso. Que a revogação esteja para breve e eu a possa apresentar ao director como uma chapada de luva branca.

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  7. Acho que está na hora de começarem a aparecer,nos tribunais, processos contra os establecimentos de ensino.

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  8. Muito bem Hugo X Paiva é exactamente isso que falta ! Começarem a aparecer nos tribunais estes processos !

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  9. Os professores que aplicam o AO sem o quererem serão talvez cobardes; pois não é crime nenhum escrever nem com erros nem com outra ortografia, nem isso pode ser penalizado. É uma questão de ter bons argumentos, o que talvez dê trabalho e chatices. Agora quem é professor num colégio, já se sabe, amocha ou rua. Eu sou professora de português na escola pública e portanto assumo que sou especialista de língua e que sou contra o acordo. Não obrigo os alunos a escreverem à "antiga", e tenho que aceitar que escrevam à moda nova. Mas eu escrevo à "minha" maneira, assim como dou textos com a ortografia tradicional. Como se justifica isto (caso alguém venha inquirir)? É simples: dada a grande confusão que se instalou, há que esclarecer os alunos. E como já ninguém tem certezas (mesmo eu, que dantes não dava um único erro, agora hesito) e como somos obrigados a perder tempo para reensinar a ortografia, eu simplesmente faço os alunos corrigirem a minha ortografia e em caso de dúvida consulta-se o resumo das alterações que afixei nas paredes. Talvez assim consiga evitar algumas bizarrias, cada vez mais frequentes (como "introducção" (num documentos de professores), ou contracto, ou práctica, etc.). Além disso, vamos debater na aula as vantagens e desvantagens do OA. Não creio que o meu método possa ser posto em causa; mas eu não me submeterei à ditadura dos ignorantes!

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