sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Milagres de açúcar

O efeito placebo é de facto uma coisa fascinante e ainda mal compreendida. Para além do exemplo interessantíssmo que Desidério refere, há estudos que demonstram que dois comprimidos de açúcar têm mais efeito do que um comprimido de açúcar, que comprimidos com determinadas cores têm mais efeito do que com outras (aliás, a cor dos medicamentos não é escolhida ao acaso), têm mais efeito se forem colocados numa caixa mais atraente, se forem de marca e mais caros. E injecções com água do mar são um tratamento muito mais eficaz para a dor do que comprimidos de açúcar.

E, como bem diz Desidério, quando queremos demonstrar que um tratamento funciona, temos que provar que funciona melhor do que um placebo. E o único efeito que homeopatia tem, tal como Desidério também refere, é o efeito placebo.

A sensação de melhoras é uma coisa muito subjectiva. As pessoas sentem-se melhor porque acreditam que se vão sentir melhor. Portanto os placebos têm algum efeito em situações e avaliação subjectiva, como a dor.

Mas qualquer medicamento tem um efeito placebo. Não é um exclusivo do menu homeopático. Fazia sentido tratar pessoas com placebos há 200 anos, quando a homeopatia foi inventada. Hoje em dia, havendo tratamentos que têm um efeito fisiológico (para além do placebo, que é sempre garantido) é pouco ético tratar pessoas com placebos. Especialmente quando lhes é dito que o remédio tem um efeito para além do placebo.

Por causa dos problemas éticos do uso de placebos, o seu uso é restrito até em ensaios clínicos. Em caso de doenças graves, como problemas cardíacos, é pouco ético administrar um placebo aos pacientes para comparar com um novo medicamento em estudo. Em vez disso, muitas vezes o que se faz é comparar com outro tratamento existente. Ou até o efeito em conjunto com outro tratamento.

Muito pouca coisa se resolve com placebos. Há, por exemplo, doenças que se curam sozinhas (como a gripe). As doenças têm um ciclo natural, ou seja há períodos em que o doente está melhor e outras em que está pior, sem que isso nada tenha a ver com os comprimidos de açúcar que tenha tomado. Mas, parecerá lógico atribuir as melhorias ao comprimido de açúcar. No entanto, para o demonstrar científicamente, é necessário fazer ensaios clínicos metodologicamente bem concebidos.

O estudo que Desidério refere enquadra-se numa linha que abre a possibilidade de permitir administrar placebos de uma forma ética aos doentes. Isto, se estes resultados se vierem a confirmar. Na maior parte dos casos, as conclusões de estudos muito inovadores, não se confirmam. E no caso da saúde esse problema é particularmente relevante. E não envolve necessariamente má fé dos investigadores envolvidos. O factor mais importante para determinado resultado de investigação estar correcto é... estar correcto antes do estudo! Ou seja, os resultados precisam de ser confirmados. Isto é a natureza da ciência. Não assenta em não cometer ou não admitir erros, mas na sua correcção.

De qualquer forma, o que os homeopatas dizem não é que estão a receitar comprimidos de açúcar que nenhum efeito têm para além do placebo. Portanto, muito longe desta visão ética da administração de placebos.

11 comentários:

  1. De facto, os homeopatas estão longe dessa visão, as bolinhas de açúcar são apenas uma das formas galénicas usadas, pelo que o açucar não tem nada a er com a equação.

    Mas se é placebo só:
    - Como explicar a acção sobre crianças muito pequenas, plantas e animais?
    - Como explicar a coerência reaccional com os milhares de quilómetros de Matérias Médicas e patogenesias?
    - E quando o legítimo efeito fisiológico da medicina convencional é insuficiente para resolver o problema do paciente?
    - Todos sabemos que uma má saúde emocional é um grande obstáculo à saúde fisiológica. Porque se insiste em renegá-lo para o quarto dos fundos? Não será legítima a investigação desenvolvida para entender questões que a Psicologia ou a Neurociência não conseguiu responder?
    - Se tudo fosse assim tão simplista, tanta coisa poderia ser resolvida com um bom rebuçado, dado por alguém que nos quer bem.

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    1. Quando sabemos que determinadas frequências electromagnéticas desencadeiam doenças fisiológicas, estaria na hora de começar a admitir que o mecanicismo na ciência expirou de prazo, há muito tempo.
      Rupert Sheldrake at EU 2013—"Science Set Free" (Part 1 and 2)
      www.youtube.com/watch?v=0waMBY3qEA4&list=UL

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    2. Determinadas frequências electromagnéticas podem induzir estados de espírio e emoções (também)
      Fica um exemplo de patente, mas há imenso:
      http://patft.uspto.gov/netacgi/nph-Parser?Sect1=PTO1&Sect2=HITOFF&d=PALL&p=1&u=%2Fnetahtml%2FPTO%2Fsrchnum.htm&r=1&f=G&l=50&s1=6506148.PN.&OS=PN%2F6506148&RS=PN%2F6506148

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  2. Sem duvida , está tanto de nós dentro do nosso cerebro, que não poucas vezes é tão facilmente manipulavel..........

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  3. O efeito placebo é a nova física quântica dos vendedores da banha de cobra, que decidiram que, em vez de negar que os seus tratamentos não funcionam melhor do que placebos, seria uma melhor estratégia montarem-se na ideia de que o efeito placebo é um "mistério poderoso" que consegue curar doenças por si só, mesmo quando não existe qualquer evidência credível que assim seja.

    De Ted Kaptchuk é sabido que tem uma formação académica quase tão dúbia quanto a de Miguel Relvas (E aqui estão os documentos que o provam http://www.sciencebasedmedicine.org/index.php/dummy-medicine-dummy-doctors-and-a-dummy-degree-part-2-3-harvard-medical-school-and-the-curious-case-of-ted-kaptchuk-omd/), já para não falar de uma integridade intelectual ao mesmo nível de um filósofo nosso conhecido.

    O facto de este homem continuar associado a Harvard só pode ser atribuído à triste e recente tendência em que várias universidades foram obrigadas a abrir departamentos e institutos pró banha de cobra como forma de obter o financiamento necessário para manter os laboratórios onde se pratica ciência a sério a funcionar.

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    1. A indução por frequências electromagnéticas não são banha da cobra nenhuma.

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  4. O que se pode ler no link fornecido pelo David Marçal, não anda muito longe daquilo que por vezes penso.

    Em vez de um extenso texto argumentativo, deixarei uma história que li num livro intitulado "Contos Ligeiros", da autoria de Brito Camacho, médico em meados do séc. XX. Chama-se "Em casa de Ferreiro...". Para quem não conhece, leia, que vale a pena...

    http://www.bdalentejo.net/BDAObra/BDADigital/Obra.aspx?ID=528#




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  5. A homeopatia é tão boa e funciona tão bem que quando alguém tem um problema de saúde grave vai correr ao médico que pratica medicina convencional e que se ainda for a tempo é de facto curado!

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    1. O equivalente invertido à sua frase não deixa de ser tão verdadeiro como a sua afirmação, segundo os registos históricos de que dispomos.
      A medicina convencional é tão boa e funciona tão bem que quando alguém tem um problema de saúde grave do chamado foro mental, emocional ou até psiquiátrico vai correr ao homeopata e se ainda não demasiado intoxicado pode bem ser facto curado!

      Sabe "cada macaco no seu galho".
      Esse conceito convencionado "de curado" tem muito que se lhe diga, não acha? E não duvide que em Fátima ocorrem milagres, pois seria excesso de presunção da sua parte.

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  6. fui ler o seu link.lá não diz (ou eu não vi) que grande parte dos maus artigos são pagos ,pub disfarçada de informação .
    e pegando nas terapias hormonais ,(que obesidade é de senso comum :emagrecido que não siga dieta de manutenção vitalícia volta a gordo , não preciso que cientista mo diga ) , ele há um estudo que estou em pulga para ver : taxa de incidência de cancros de foro ginecológico cruzado com taxa de uso de pílula e terapias hormonais. lá na muçulmánia quais os números , por exemplo ?

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  7. Chocante: estudo duma faculdade de medicina cientifica está a assustar a população, segundo os cálculos científicos se estiverem corretos vamos todos...morrer!!!!

    Estudo técnico duma universidade segundos seus cientistas a espécie mais preguiçosa do mundo é a das...árvores!!!!!


    Estudo psicológico universitário fez um estudo e concluiu que 99% do pessoal sofre de Leophobia, ou seja 99% dos portugueses sente terror perante leões!!!!!


    Cientistas pesquisadores avisam: comemorar muitas vezes aniversário é perigoso para a saúde!!!!!


    NASA descobre planeta habitável a apenas 0 anos-luz de distância do nosso!!!!!



    É a maior descoberta científica de sempre, engenheiros, arquitetos e cientistas de genética estão a fazer dum mosquito um elefante!!!!!


    Estudo chocante: ter medo do cancro é cancerígeno!!!!!!


    Escandalo!!! A quantidade de estudos inúteis aumentaram 120%!!!!



    O meu mano de 10 anos já na escola fazia e faz estudos de batatas, feijões, girassol, milho, cebola, alhos, etc e telemóveis.....grande cientista e nunca precisou de subsídios ou outras ajudas.....

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