terça-feira, 28 de agosto de 2012

"Destruir livros é sempre muito mau sinal"

Quando há três anos aqui publiquei um texto - Os livros foram feitos para serem vendidos - sobre a destruição de livros em fim de edição, um editor por quem tenho grande estima faz-me notar um total desconhecimento do assunto da minha parte, salientando que as coisas são mais complexas do que eu supunha. Admiti - e admito - que sim, que neste ramo de negócio as coisas não devem ser nada simples e quem fala de fora deixa elementos fundamentais de lado.

Em geral, aceito a opinião de quem sabe mais do que eu, mas em relação a este assunto não deixo de pensar que os elementos que ficam de fora do meu raciocínio não pesam mais do que aqueles que o integram. Assim, ficando atenta ao assunto foi com alegria que percebi a intenção de, em Portugal, se protegerem esses livros (ver aqui e aqui).

Não sei se devido a medidas tomadas por quem deve ou se à necessidade de se encontrar um negócio, descobri que muitos desses livros são vendidos ao desbarato, voltando ao mercado a preços acessíveis em feiras,  alfarrabistas, recantos...

Porém, consolidando-se a tendência de declarar o fim do livro cada vez mais próximo da sua edição (dizem-me que a "primeira vida" do livro é entre um a dois anos), não pára de crescer nas estantes dos armazéns o volume de exemplares que se desactualizam precocemente. E a tendência de destruição ressurge... A propósito, no passado mês de Julho, José Jorge Letria publicou um artigo - Destruir livros é sempre muito mau sinal - do qual cito o seguinte:
"A crise que também afecta severamente o sector editorial leva um número crescente de editoras a optarem pela destruição de livros do seu fundo de catálogo, alegando que não têm condições para continuar a garantir o respectivo armazenamento e que terminou o seu ciclo de vida comercial.
Se a via da destruição deve ser dolorosa para os editoras, sê-lo-á muito mais para os autores, porque assim vêem extinguirse materialmente uma parte da sua obra, sem disporem de solução alternativa. A lei confere às editoras esta possibilidade, após terem sido avisados os autores, os quais poderão adquirir exemplares a preço reduzido, desde que tenham essa disponibilidade financeira e que possuam espaço para armazenarem os exemplares que desejam salvar destes “autos-de-fé” comerciais.
Entretanto, as editoras acabam mesmo por concretizar o que anunciaram, ficando excluída uma outra hipótese que é da doação de exemplares condenados ao desaparecimento a instituições sem fins lucrativos e de utilidade social. Mas também esta solução deixa de ser exequível porque os editores estão obrigados ao pagamento do IVA correspondente ao valor do mercadoria doada, e recusam-se a pagá-la, mesmo que as instituições interessadas assegurem que todos os encargos de envio ou de transporte (...)
Sejam quais forem as atenuantes, configuram um acto lesivo para a cultura (...)  
In Público de 17 de Julho de 2012, página 47.

19 comentários:

  1. os livros podem ser muito pesados.
    quando a minha mãe se casou, descobriu livros não autorizados pela Igreja na biblioteca do meu pai e fez um auto onde os queimou. mal sabia ela que o seu tão estimado Jorge Amado era a literatura erótica da juventude das filhas; sabendo que outras mães haviam proibido as filhas de ler esse autor, ficou indignada. o tempo passa e quem quer saber de erotismo e de Jorge Amado?
    Peguei há dias na Montanha Mágica de Thomas Mann. Li-o, finalmente, sabendo que tudo o que ele diz sobre aquela época, naqueles locais, é totalmente verdadeiro. Autor maldito, que nos manobra os sentimentos e faz reviver as angústias existenciais da adolescência, tão fortes que nos faziam procurar explicação para que surgissem e nos tomassem tantas horas, em tantos dias. Continua pesado, o autor. Como pesa Kafka, como causa náusea Sartre, desdém, Camus... os livros são pesados, mas tudo passa.

    ResponderEliminar
  2. Divulguei este artigo no meu blogue excelente... até por que uma dos eus filmes prediletos é Fahrenheit 451

    ResponderEliminar
  3. rebao amarelo cagado no farnelo

    ResponderEliminar
  4. oh stora quando e que vem sem a mascara? PORRA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!11

    ResponderEliminar
  5. Sou o migalha tenho 174 anos e tenho uma breca no fundo das costas e trabalho para os filhos da pibe e acho que esses livros sao horrorosos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. hehehehe ps porra caralhop alho vasmpiro working dad

      Eliminar
  6. parem com essas coisas meninos

    ResponderEliminar
  7. olá, parem já com essa brincadeira ou chamo a policia

    ResponderEliminar
  8. sou a helena , a boa de ermesinde

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.