sexta-feira, 23 de março de 2012

"A conspiração do silêncio"

Na continuação de texto anterior, um extracto duma obra fundamental para compreender a indisciplina em contexto escolar, da autoria de Maria Teresa Estrela (páginas 98 e 97).
“(...) a indisciplina (...) ao quebrar as normas da aula e da escola, interfere altamente no processo pedagógico, pois, para além de afectar a aprendizagem do aluno, tira tempo útil ao professor, compromete a sua performance e obriga-o a desempenhar papéis que ele não gostaria de desempenhar. Daí a fadiga e outras perturbações psicossomáticas, daí os sentimentos de impotência, frustração, irritação e desejo de fuga à tarefa que afectam muitos docentes. Como já tem sido notado, ao sentimento de fracasso profissional junta-se o sentimento de fracasso do adulto que se vê ultrapassado por um grupo de miúdos, o que não pode deixar de se reflectir na auto-imagem profissional e explica a «conspiração do silêncio», na expressão de Lawrence e colaboradores (1985), que leva o professor a ocultar ou a negar as suas dificuldades no campo disciplinar (...). O desgaste provocado pelo trabalho num clima de desordem, a tensão provocada pela atitude defensiva, a perda de sentido da eficácia e a diminuição da auto-estima pessoal levam a sentimentos de frustração e de desânimo e ao desejo de abandono da profissão.”
Referência completa:
Estrela, M. T. (1992). Relação pedagógica, disciplina e indisciplina na aula. Porto, Porto Editora.

5 comentários:

  1. Joaquim Manuel Ildefonso Dias23 de março de 2012 às 13:57

    Professora Helena Damião;

    Eu julgo que a redução do nº de alunos em cada turma seria uma boa medida.
    Talvez 15 a 20 alunos no máximo.
    Haveria concerteza bons resultados.

    Cordialmente,

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  2. Joaquim Manuel Ildefonso Dias23 de março de 2012 às 17:22

    ERRATA: com certeza e não concerteza.

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  3. Dever-se-ia ainda acrescentar o facto de que o professor que não consegue controlar os seus alunos também fica, por assim dizer, 'sinalizado' pelas hierarquias, o que compromete qualquer docente não só de confessar o que se passa como também de pedir ajuda aos colegas e às 'lideranças'!!! Aconteceu-me este ano pela primeira vez uma situação destas!!

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  4. Joaquim Manuel Ildefonso Dias24 de março de 2012 às 09:36

    Professora Helena Damião;

    Talvez estejamos impossibilitados, (por decreto) de testar, a redução de alunos por turma, pois isso foi argumento para fechar escolas..., parece-me que neste particular, o espírito cientifico fica à margem... por razões de ordem superior, €€€... (aqui o cidadão é tratado de forma ingénua, pois é levado a aceitar que uma turma de 20 ou 30 alunos é a mesma coisa).

    Fica a pergunta:

    Qual o custo futuro da falta de aproveitamento generalizado de uma turma com 30 alunos?

    Devia-se saber isso, para depois se escolher, aquilo que se quer.

    Cordialmente,

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  5. *




    A conspiração do silêncio



    Contra nós o silêncio organizado,
    como se acaso nos desconhecessem,
    é bem pior do que se nos metessem
    numa prisão… fechada a cadeado.


    É uma arma poderosa e traiçoeira
    que à pessoa visada não permite
    o mais pequeno assomo de desquite
    de armas na mão numa outra Alfarrobeira.


    Contra o silêncio à nossa volta feito
    deliberadamente por despeito
    de manifesta inferioridade,


    resta-nos só… mostrar nosso desdém
    e passando adiante, mais além,
    dar de barato… a mediocridade!


    João de Castro Nunes

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