terça-feira, 29 de novembro de 2011

OS MELHORES LIVROS DE CIÊNCIA DE 2011


Meu artigo no n.º 1 da revista "Século XXI. Ter Opinião", acabado de sair:

Se houvesse um prémio para o melhor livro português de ciência de 2011 dava-o a Jorge Calado, Jorge Calado, professor de Química do Instituto Superior Técnico, autor de Haja Luz. Uma História da Química Através de Tudo, publicado pela IST-Press. Trata-se de uma extraordinária história cultural da química, ricamente ilustrada, escrita por um homem das duas culturas, que alia um enciclopédico saber científico com a paixão pelas artes (é especialista em ópera e em fotografia). Não podia ser mais oportuno: este ano, por determinação das Nações Unidas, celebra-se em todo o mundo o Ano Mundial da Química. Se houver, como deve haver, edição em inglês de Haja Luz, ela irá correr o mundo, iluminando muitos mais espíritos. Por falar em química e em luz, foi preciso esperar desde 1861 até ao Ano da Química para haver uma edição em Portugal de um dos maiores livros de divulgação científica de sempre, A História Química de uma Vela, do inglês Michael Faraday, que reúne algumas das suas lições populares na Royal Institution de Londres. A tradução, dos químicos Sérgio Rodrigues e Maria Isabel Prata, foi publicada pela Imprensa da Universidade de Coimbra.

Outro grande livro de ciência de 2011 é O Estatuto da Matemática em Portugal nos Séculos XVI e XVII, da autoria de Bernardo Mota, publicado pela Fundação Gulbenkian. Trata-se da sua tese de doutoramento em história da ciência, orientada por Henrique Leitão e Arnaldo do Espírito Santo, que foi distinguida em 2009 pela Academia Internacional de História das Ciências com o prémio Jovem Historiador para a melhor tese na área em causa em todo o mundo Abordando tanto o tempo de Pedro Nunes como o tempo subsequente dos jesuítas em Lisboa, Coimbra e Évora, discute a questão, que já vem da Antiguidade grega, do lugar da matemática no quadro das ciências.

Em 2011 assinalaram-se os 400 anos do nascimento do médico português João Rodrigues de Castelo Branco, mais conhecido por Amato Lusitano, “estrangeirado” em Itália devido à perseguição aos judeus. Em Dezembro de 2010 saiu dos prelos da Ordem dos Médicos uma edição moderna, em dois volumes, das Centúrias de Curas Medicinais, a sua obra maior (traduzida do latim por Firmino Crespo a partir da edição de Bordéus de 1620). Na mesma data e com segunda edição já em 2011 saiu na Gradiva uma biografia notável do nosso único Nobel na área das ciências: Egas Moniz. Uma biografia, do neurocirurgião João Lobo Antunes. E, em 2011, foi reeditado na Temas e Debates, revisto e com novo prefácio, O Erro de Descartes, de António Damásio, neurologista a trabalhar nos Estados Unidos (o original, que teve enorme êxito, tinha saído na Europa-América em 1994).

No oferta de divulgação da ciência são ainda de destacar o segundo livro de João Magueijo, físico do Imperial College, em Londres, O Grande Inquisidor, sobre a misteriosa vida do físico nuclear italiano Ettore Majorana, e a nova obra de Jorge Buescu, matemático da Universidade de Lisboa, Casamentos e Outros Desencontros, expondo de modo escorreito problemas matemáticos, os dois na colecção Ciência Aberta da Gradiva, quase a atingir as duas centenas de volumes.

2 comentários:

  1. Joaquim Manuel Ildefonso Dias29 de novembro de 2011 às 10:06

    Prof. Carlos Fiolhais,
    Assinala-se ainda no próximo dia 12 de Dezembro os 97 anos do nascimento do Professor José Sebastião e Silva, que na minha opinião, é a glória científica maior da nossa nação.
    Quero deixar uma crítica ao De Rerum Natura,que pela sua natureza,deveria divulgar a Obra deste professor e cientista, e faço votos para que no dia 12 o De Rerum Natura lhe preste uma homenagem dedicando-lhe um artigo.
    Obrigado e aguardo com ansiedade pelo artigo.

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  2. Oh, és real quantum ciência
    haja luz vetor e perceptível
    feito quasar pulsas sensível
    de vosso alar reminiscência.

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