sábado, 29 de outubro de 2011

COIMBRA E O BRASIL


Meu texto saído há dias na revista "C" (na figura José Bonifácio):

Quem pense que o mundo inteiro está em crise faria bem, se pudesse, em ir dar uma volta ao Brasil.Aí encontrará crescimento económico, com muita gente a passar da classe média a rica e, ainda mais, a sair da pobreza. Concluirá que a crise está, de facto, acantonada na Europa, incluindo este cantinho à beira mar plantado.

Por isso, nesta altura em que as universidades de cá têm de apertar o cinto, é justo reconhecer a visão do ex-Reitor da Universidade de Coimbra, Fernando Seabra Santos, que alargou o intercâmbio académico com o Brasil. Actualmente, estão a estudar em Coimbra muitas centenas de estudantes brasileiros. E, para ajudar neste processo de internacionalização da mais antiga Universidade Portuguesa, ele próprio está agora no Brasil, como professor visitante da Universidade de Brasília.

São, porém, remotas as ligações de Coimbra com o Brasil. No tempo em que apenas existia uma Universidade, precisamente a de Coimbra, em todo o vasto império português, os mais talentosos estudantes das terras de Vera Cruz demandavam a Lusa Atenas. No final do século XVIII, a época da Reforma Pombalina da Universidade, o Reitor-Reformador, D. Francisco de Lemos, tinha nascido no Rio de Janeiro, um notável professor de Química, Vicente Seabra, tinha nascido em Minas Gerais, e o que é talvez o mais famoso cientista luso-brasileiro, José Bonifácio de Andrada e Silva, que ensinou metalurgia em Coimbra antes de se tornar um dos grandes responsáveis pela independência brasileira, tinha nascido em Santos, São Paulo. Quem entrar no Museu da Ciência de Coimbra encontra na parede uma frase de José Bonifácio, mandada colocar pelo Reitor Seabra Santos. A ciência brasileira começou, como se vê, unida à ciência portuguesa. E, se remontássemos mais atrás, encontraríamos o estudante de Coimbra Bartolomeu de Gusmão, o célebre inventor da Passarola, que nasceu em Santos, tal como José Bonifácio.

Para promover os estudos de história da ciência, reúne-se em Coimbra de 26 a 29 de Outubro o Congresso Luso Brasileiro de História da Ciência. Mais de 200 congressistas, cerca de metade vindos do outro lado do Atlântico, apresentam cerca de outras tantas comunicações, que, no seu conjunto, oferecem um amplo panorama do que foi a ciência em Portugal e no Brasil. Um dos locais privilegiados do encontro será, como não podia deixar de ser, o Museu da Ciência, no Laboratório Chimico, de cujo largo Vicente Seabra lançou um balão e em cujos fornos José Bonifácio realizou as suas experiências metalúrgicas. A ligação entre Portugal e o Brasil sairá, decerto, reforçada. Mais jovens brasileiros procurarão Coimbra, transformando a velha Universidade numa escola cada vez mais nova e cosmopolita, como devem ser as grandes universidades do mundo. A crise diminuirá.

Por ocasião do Congresso, abrirá na Biblioteca Joanina a exposição “Amato Lusitano e a Renascença Médica”, que assinala os 500 anos do nascimento do médico de origem judaica que, nascido em Castelo Branco, percorreu a Europa. Ele viveu numa época em que o estudo de novas espécies vindas do Brasil e da Ìndia ajudou ao renascimento da medicina no Velho Continente.Vale a pena ver a mostra!

1 comentário:

  1. José Bonifácio de Andrada e Silva.

    É mérito atado por circunstância.
    Como descrever o que esse homem fizera pelo Brasil, parace que salta de nossa compreensão e reside na prória história, pois onde começa e termina o desafio do empreendedor:

    Na educação
    na ciência
    na virtude
    ou no exemplo?

    Quantos de vos vislumbram por momentos de aspiração? Aspirar é uma decisão.
    Sempre seguir em frente rumo ao conhecimento.

    Determinação, ousadia, são experiencias cuja a propriedade do tempo é forja.

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