terça-feira, 24 de maio de 2011

AINDA OS OITO PLANETAS

Hoje, o "Correio da Manhã" publica uma declaração minha sobre o teste nacional de Física e Química que inquiria os jovens do 9.º ano sobre o número de planetas depois de indicar os respectivos nomes. Bastava contar, o que qualquer criança do início do 1.º ciclo do básico deve ser capaz de fazer, quanto mais não seja pelos dedos da mão. Disse àquele periódico que temos assistido em Portugal nos últimos anos a um "processo de estupidicação geral". E acrescentei: "No fundo, isto é um ataque à escola pública e um convite às pessoas para porem os filhos no privado". Os ricos têm alternativa, mas os pobres, para quem a escola pública é a única possibilidade de preparação para a vida e ascensão social, estão, de facto, a ser tratados como estúpidos. Até quando?

8 comentários:

  1. Muita razão. A Igreja Católica, que não vai nestas cantigas tolas, continua a fazer (directa ou indirectamente) as melhores escolas do país, e por isso o Estado (boçal e estupidificado) periodicamente assalta o ensino católico (em nome da "modernização" e "reforma", claro; essas são SEMPRE as 'catchwords' dos selvagens). E podia não ser assim. Não há NENHUMA razão para o ensino público ser mau. Bastava que, para começar, tentasse imitar o que se faz nos colégios católicos.

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  2. Não conheço os colégios católicos; nunca frequentei nenhum, nem como aluna nem como professora, mas acredito que a maior parte ofereça um ensino de qualidade , ainda que longe de qualquer perfeição paradisíaca a copiar, sem mais.
    Conheço a escola pública. Reconheço-lhe qualidades e defeitos e observo todos os dias que podia ser muito melhor, desde logo se se libertasse da demogagia, de que o último exemplo foram as frases ditas sobre as chamadas Novas Oportunidades.
    Amiúde, parece manifestar-se uma ameaça de perda democrática e de coesão social, baseada na liberdade de consciência e no respeito de cada um por si e por todos, que me parece advir do descrédito da escola pública, tecido paulatinamente, de múltiplas formas, por diferentes actores, por ínvios caminhos...
    A importância do encontro do diverso, humano e social, que ocorre neste espaço pode ser equiparada àquela que Maria Gabriela Llansol atribui ao romance; cito:
    "No entanto, há que dizer que foi através do romance, assim como, e em paralelo, do voto universal, da instrução obrigatória e generalizada, e dos sistemas de Previdência,
    que se fez a integração social da sociedade moderna,
    baseada no primado da liberdade de consciência.
    O romance trouxe uma visibilidade imaginária, mas verosímil, do "privado" de classes e castas que se degladiavam, na base de preconceitos mútuos. O romance pô-las em contacto entre si, e veículou o sonho da fraternidade universal dos homens,
    porque todos são iguais perante a eistência enigmática." (MGL, Lisboaleipzig 1, Rolim, 1994, p. 119)
    Ana Eustáquio

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  3. Muito gira essa história da discussão dos 8 planetas.
    Ou como diria o outro, PINTELHICES!
    Nem comportar-se como gente normal, esta malta sabe, quanto mais estar interessados em testes intermédios.
    A escola é para organizar eventos, não é para aprender...
    Mas estamos no Estado Novo ou quê?
    Ensinar o quê, se eles não querem aprender?
    A televisão ensina-lhes a maior parte do que eles querem saber...
    A escola foi só para aprender a juntar as letras e mal, fazer umas contas e muitíssimo mal.
    A maior parte dessa malta anda lá a justificar o gasto astronómico em Planos Tecnológicos da Educação e Parques Escolares e palhaçadas que tais...

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  4. Nenhuma escola teve tantas condições para o ensino e para a aprendizagem como as de hoje...
    Foram investidos milhões em meios informáticos, em ligações em rede, recuperação de escolas e para quê?
    Para a fantochada das estatísticas.
    Para a treta dos novos oportunismos.
    Ou seja, mais valia ter estado quieto.

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  5. José Batista da Ascenção24 de maio de 2011 às 18:19

    Lapidar, caro Professor Fiolhais.
    O que reforça o dever de, sempre e por todos os meios legítimos, apontarmos os responsáveis.
    Podendo e não o fazendo, somos (apenas) coniventes.

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  6. Pois , os colégios é que são bons...???!!! Se eu pudesse, em vez de andar com os meninos nas palminhas das mãos, dizer aos meus alunos que ou obtinham a média X ou iam procurar outra escola, podem crer que a escola pública melhorava muito. Quando digo aos meus sétimos anos que não quero vergonhas quando chegarem aos testes intermédios, respondem-me com um encolher de ombros:- que mal tem ter negativas?

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  7. Há problemas na escola pública, certo. Mas as escolas privadas não parecem ser sérias o suficiente para serem uma alternativa.

    Podem, e de certeza que existem, escolas privadas que apoiam efectivamente os seus alunos na medida em que lhes garantem que novos conhecimentos sejam adquiridos, mas também há outras que garantem apenas uma boa média de saída do secundário.

    Casos de alunos que saem de uma escola pública com médias de 12 e 13 e no privado ascendem para médias acima dos 16 é no mínimo suspeito. E não se tratam de casos isolados.

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  8. É triste verificar que mesmo quem se julga esclarecido, produz comentários como os que se podem ler aqui... Como Povo somos especialistas a discutir a excepção, e a esquecer a regra. E a regra é esta, e é muito simples: o ensino serve para ensinar. Tudo o resto é fumo.

    E o ensino em Portugal não ensina! Estamos a enganar-nos uns aos outros com a doce ilusão de que a realidade não é esta…

    A população da China e da Índia com QI de génio é muito maior do que a população da UE! As nossas filhas e os nossos filhos vão concorrer num mercado global com estas pessoas - e independentemente de gostarmos ou não gostarmos do mercado global, ele está aqui para ficar!
    Sabendo disto, estamos a habilitá-los com as piores ferramentas possíveis para o fazerem com sucesso. Estamos a traí-los, e os que não tiverem um QI de galináceos, um dia vão apontar o dedo aos pais porque o descobriram. Infelizmente já estarão num beco sem saída.

    Obrigado pelo espaço.

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